quarta-feira, 1 de agosto de 2012
Mainstream Hell
Mainstream Hell
I walk as the beauty comes,
And I search for words, draws, paintings, sculptures,
Simetry, numbers, tones and haus.
I´m looking for the rose.
And roses, even the most beautiful
Are common, ordinary,
Try to picture those whites and whithered flowers,
They dare to bloom in the way, sidewalk,
They´re almost human.
As I walk my feets tremble,
My rotting and hideous hoofs,
Assimetric pace, such daze,
Staring narcises, glaring clouds!
But somehow so confident,
Delivered to my doom, by any fate,
Blessed by the mirror, lack of youth,
But hungry of it.
A crowded bus pass through me,
They do not understand my speech,
It´s filled with too much joy and pleasure,
And fear alone is what they know,
My tongue it´s too wide,
Too Wilde,
Too bad it´s not wild enough,
Althought it´s ravenous,
As it remains angelical and serene,
Because hell it´s too mainstream.
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
Caleidoscópio
Minhas palavras, as vezes ocas,
Desenham no ar, lacônicas,
Idéias, sonhos e fantasias.
Espalhados pela névoa fria,
Meus fluidos incolores,
Reescrevem em certas cores,
O Caleidoscópio que te vivia.
Quiçá elas fossem mais fortes,
O suficiente para te trazerem aqui,
Reescrevendo a história e o destino,
Apagando dores, lágrimas e desatino,
A cada traço sintético que escrevi.
Quiçá elas te traduzissem meu desejo,
Para talvez teu pensamento se tornar meu,
A ferro, fogo e tempestade,
Transcrito em mero acaso,
De sonhar te vendo majestade,
Sendo teu reino um completo breu.
Queria eu rimas mais ricas,
Pedaço simétrico da metade,
Para fazer-te sonhar minhas músicas,
Dançar somente pela vontade,
Reflexo de uma praia no escuro,
Ironia complexa, crueldade,
O momento que eu vi, impuro, teu sorriso,
Restando-me somente o entalhe,
Do que um dia não foi,
Nem terá sido,
Teu,
Nem meu,
Saudade.
Desenham no ar, lacônicas,
Idéias, sonhos e fantasias.
Espalhados pela névoa fria,
Meus fluidos incolores,
Reescrevem em certas cores,
O Caleidoscópio que te vivia.
Quiçá elas fossem mais fortes,
O suficiente para te trazerem aqui,
Reescrevendo a história e o destino,
Apagando dores, lágrimas e desatino,
A cada traço sintético que escrevi.
Quiçá elas te traduzissem meu desejo,
Para talvez teu pensamento se tornar meu,
A ferro, fogo e tempestade,
Transcrito em mero acaso,
De sonhar te vendo majestade,
Sendo teu reino um completo breu.
Queria eu rimas mais ricas,
Pedaço simétrico da metade,
Para fazer-te sonhar minhas músicas,
Dançar somente pela vontade,
Reflexo de uma praia no escuro,
Ironia complexa, crueldade,
O momento que eu vi, impuro, teu sorriso,
Restando-me somente o entalhe,
Do que um dia não foi,
Nem terá sido,
Teu,
Nem meu,
Saudade.
terça-feira, 7 de fevereiro de 2012
Outra coisa importantíssima: Vcs sabem como a Unicef recolhe esses dados? O GOVERNO Cubano envia para a organização. (Fonte - Veja, alguma edição ai. Me poupe se vier com esquerdismos editoriais)
Você acha mesmo que Fidel e Cia deixariam um grupo de pesquisa entrar em Cuba, fazer o trabalho deles e anunciar para o mundo o grande fracasso que é o regime comunista na ilha?
O país nem imprensa nacional possui, existe apenas uma panfletaria ideológica falida.
Estudos nutricionais clandestinos foram feitos, e compararam a alimentação providenciada hoje pelo governo com a alimentação dos escravos na época colonial de lá. E na época dos escravos, um prato padrão possuía mais carne do que hoje. ComoassimBial?!?
Outra coisa: a famosa medicina cubana... Esqueçam isso. Foi no tempo que a URSS injetava dinheiro fervendo na bolsa cubana. Como alguém pode ter um sistema de saúde bom se o povo se alimenta pior do que escravos em outros tempos? Cuidar de gente gasta dinheiro, e muito.
E se mesmo assim vocês não acreditarem e nada disso, é só olhar as fotos dos carros que trafegam nas ruas. É proibido qualquer carro fabricado depois da década de 50 circular pelas ruas. Ahn?!? Como assim?!!? Qual é a lógica disso? Não comprar carro norte-americano? Puff. Melhor deixar toda a cidade se mexendo mais devagar que uma tartaruga e morrendo engasgada com o monóxido de carbono dos motores a combustão.
Vocês sabem quem lá está por cima da carne seca além dos burocratas? Os garçons e camareiras de hotéis para estrangeiros, porque uma gorjetinha possibilita essas pessoas entrarem no terrível mercado negro nos subterraneos da cidade para comprar um horrível... Shampoo. Comprar... um... shampoo. Eles não tem direito de escolher qual shampoo vão usar. SÓ ISSO.
Se bem que os carros são uma ótima solução pra tudo isso, uma ideia genial. Ninguém mesmo vai querer andar depressa pra canto nenhum, porque não terá peças de teatro, filmes, apresentações, trabalhos, conversas francas nas ruas, ir pra outros países, ganhar dinheiro... viver. É muito mais fácil morrer aos poucos com o gás que sai do escapamento das latas velhas nas ruas.
E simmmmm, vocês não viram não? A nova abertura comercial da ilha, liderada por Raul Castro? Talvez até os Fidéis da vida começaram a ficar sem dinheiro. Porque o povo aos poucos morrer de fome não é o suficiente ainda para abrir o regime.
Então... assim... não sei vocês. Mas o comunismo pra mim fede. Em todos os aspectos. A igualdade é inatingível, porque o ser humano não é igual (Aristóteles). O que a humanidade precisa não é de igualdade, é de dignidade, e um regime que trata as pessoas como porcos sem opinião nem vontade não oferece dignidade para ninguém.
Você acha mesmo que Fidel e Cia deixariam um grupo de pesquisa entrar em Cuba, fazer o trabalho deles e anunciar para o mundo o grande fracasso que é o regime comunista na ilha?
O país nem imprensa nacional possui, existe apenas uma panfletaria ideológica falida.
Estudos nutricionais clandestinos foram feitos, e compararam a alimentação providenciada hoje pelo governo com a alimentação dos escravos na época colonial de lá. E na época dos escravos, um prato padrão possuía mais carne do que hoje. ComoassimBial?!?
Outra coisa: a famosa medicina cubana... Esqueçam isso. Foi no tempo que a URSS injetava dinheiro fervendo na bolsa cubana. Como alguém pode ter um sistema de saúde bom se o povo se alimenta pior do que escravos em outros tempos? Cuidar de gente gasta dinheiro, e muito.
E se mesmo assim vocês não acreditarem e nada disso, é só olhar as fotos dos carros que trafegam nas ruas. É proibido qualquer carro fabricado depois da década de 50 circular pelas ruas. Ahn?!? Como assim?!!? Qual é a lógica disso? Não comprar carro norte-americano? Puff. Melhor deixar toda a cidade se mexendo mais devagar que uma tartaruga e morrendo engasgada com o monóxido de carbono dos motores a combustão.
Vocês sabem quem lá está por cima da carne seca além dos burocratas? Os garçons e camareiras de hotéis para estrangeiros, porque uma gorjetinha possibilita essas pessoas entrarem no terrível mercado negro nos subterraneos da cidade para comprar um horrível... Shampoo. Comprar... um... shampoo. Eles não tem direito de escolher qual shampoo vão usar. SÓ ISSO.
Se bem que os carros são uma ótima solução pra tudo isso, uma ideia genial. Ninguém mesmo vai querer andar depressa pra canto nenhum, porque não terá peças de teatro, filmes, apresentações, trabalhos, conversas francas nas ruas, ir pra outros países, ganhar dinheiro... viver. É muito mais fácil morrer aos poucos com o gás que sai do escapamento das latas velhas nas ruas.
E simmmmm, vocês não viram não? A nova abertura comercial da ilha, liderada por Raul Castro? Talvez até os Fidéis da vida começaram a ficar sem dinheiro. Porque o povo aos poucos morrer de fome não é o suficiente ainda para abrir o regime.
Então... assim... não sei vocês. Mas o comunismo pra mim fede. Em todos os aspectos. A igualdade é inatingível, porque o ser humano não é igual (Aristóteles). O que a humanidade precisa não é de igualdade, é de dignidade, e um regime que trata as pessoas como porcos sem opinião nem vontade não oferece dignidade para ninguém.
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
Conversas
Um homem chega numa mulher:
- Sim?
- Não.
- Não... Sim, sim?
- Não, não. Não.
- Sim... Sim. Sim: sim. Não? Puff, Sim.
- Não... Sim? Sim?!? Não! Não... Não? Sim?
- Sim...
- Sim... Sim?
- Sim.
- Sim...? Sim, sim. Sim?
- Sim!
- Sim. Sim!
Uma mulher chega numa mulher:
- Não?
- Não.
Um homem chega num homem:
- Sim?
- Sim.
- Sim?
- Não.
- Não... Sim, sim?
- Não, não. Não.
- Sim... Sim. Sim: sim. Não? Puff, Sim.
- Não... Sim? Sim?!? Não! Não... Não? Sim?
- Sim...
- Sim... Sim?
- Sim.
- Sim...? Sim, sim. Sim?
- Sim!
- Sim. Sim!
Uma mulher chega numa mulher:
- Não?
- Não.
Um homem chega num homem:
- Sim?
- Sim.
sexta-feira, 20 de janeiro de 2012
"Feliz é aquele que conhece o perfume do que perdeu"
Ditado Árabe Sufi
E eu descobri que você não tem cheiro.
Pra minha memória, o teu perfume é o perfume do mar.
E eu descobri que nunca vou sentir saudades do mar, porque ele está sempre em mim.
E a flor que não tem cheiro,
Não é flor,
É floração.
Coisa de estação, sem nome nem cor.
É belo somente por não-ser,
E se despetala entre os dedos.
Ditado Árabe Sufi
E eu descobri que você não tem cheiro.
Pra minha memória, o teu perfume é o perfume do mar.
E eu descobri que nunca vou sentir saudades do mar, porque ele está sempre em mim.
E a flor que não tem cheiro,
Não é flor,
É floração.
Coisa de estação, sem nome nem cor.
É belo somente por não-ser,
E se despetala entre os dedos.
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
Ying Yang
A atração é como uma música vaga, que se escuta de longe um trecho daquela melodia tão extasiante, mas que não se reconhece a cor, nem a poesia, só se reconhece aquela luz ao longe, que te chama mais pelo mistério do que por outra coisa, a beleza do vapóreo, do etéreo, do desconhecido. Uma melodia nova, desconhecida, tem mais força do que a profundeza de uma canção integralmente por nós conhecida.
Por isso a luz daqueles olhos, aquela luz que a gente nunca compreende, e ao mesmo tempo é tão longínqua que quase desaparece, por isso aquela luz que nos rapta nos seduz tanto. Aquela luz, que pela teimosia de não desaparecer nos cativa e nos condena.
E a vontade de mergulhar na luz daqueles olhos, só por não entende-la, bela e misteriosa. A vontade é tão grande que rasga o peito, e dele também se vê uma luz. Mas ai é de outro tipo, é a luz da força, geradora, luz motora da vida que rasga a morte a solidão, e se espalha com força no ar, e atinge a luz que estava longe, vapórera. E essa luz, por ser vida, calor e e verdade, assusta a outra, que é fantasma, frio e ilusão.
E assim a luz persegue a sombra em trajetos circulares, pois o universo é circular. Uma corre sem fim atrás da outra. Os opostos quase se atraem. É a necessidade do equilíbrio de tudo o que há na Natureza. Mas a vida, para ser vida, precisa que elas nunca se encontrem. E o desencontro das duas luzes é o que gera tudo. É daí que nasce a música. É daí que nasce a dor. É assim que nasce a vida. E a morte.
Por isso a luz daqueles olhos, aquela luz que a gente nunca compreende, e ao mesmo tempo é tão longínqua que quase desaparece, por isso aquela luz que nos rapta nos seduz tanto. Aquela luz, que pela teimosia de não desaparecer nos cativa e nos condena.
E a vontade de mergulhar na luz daqueles olhos, só por não entende-la, bela e misteriosa. A vontade é tão grande que rasga o peito, e dele também se vê uma luz. Mas ai é de outro tipo, é a luz da força, geradora, luz motora da vida que rasga a morte a solidão, e se espalha com força no ar, e atinge a luz que estava longe, vapórera. E essa luz, por ser vida, calor e e verdade, assusta a outra, que é fantasma, frio e ilusão.
E assim a luz persegue a sombra em trajetos circulares, pois o universo é circular. Uma corre sem fim atrás da outra. Os opostos quase se atraem. É a necessidade do equilíbrio de tudo o que há na Natureza. Mas a vida, para ser vida, precisa que elas nunca se encontrem. E o desencontro das duas luzes é o que gera tudo. É daí que nasce a música. É daí que nasce a dor. É assim que nasce a vida. E a morte.
segunda-feira, 9 de janeiro de 2012
Palavras de Conveniência
Corvos trocados à noite.
Sinal de morte.
A minha ou a sua?
Asas negras, Palavras negras,
Sinal de sorte.
Palavras engasgadas,
Mas que se contraem no vento frio,
Diante da sabedoria de uma varanda,
E da ousadia de um "boa noite",
Se encolhem perante o que é verdadeiro,
Desengasguei depois de tanto tempo.
Um fantasma a gritar na minha janela,
A sombra de o que um dia foi,
O livro na mão,
O coração não,
Debaixo do pé, pra não fazer barulho.
Tonto.
Gelado nas vísceras,
O que será que tem ainda?
Marcas de tinta,
Nas calçadas de nossas ruas,
Que ao se encontrarem,
Será somente para impor as palavras cruas,
Sem vidas, mornas, e monocórdicas.
Conveniências à parte,
Eu prefiro a morte,
Apesar de não aguentá-la,
Tem quem a suporte.
Você.
Sinal de morte.
A minha ou a sua?
Asas negras, Palavras negras,
Sinal de sorte.
Palavras engasgadas,
Mas que se contraem no vento frio,
Diante da sabedoria de uma varanda,
E da ousadia de um "boa noite",
Se encolhem perante o que é verdadeiro,
Desengasguei depois de tanto tempo.
Um fantasma a gritar na minha janela,
A sombra de o que um dia foi,
O livro na mão,
O coração não,
Debaixo do pé, pra não fazer barulho.
Tonto.
Gelado nas vísceras,
O que será que tem ainda?
Marcas de tinta,
Nas calçadas de nossas ruas,
Que ao se encontrarem,
Será somente para impor as palavras cruas,
Sem vidas, mornas, e monocórdicas.
Conveniências à parte,
Eu prefiro a morte,
Apesar de não aguentá-la,
Tem quem a suporte.
Você.
quinta-feira, 5 de janeiro de 2012
Belo
Escrevi teu nome no vento,
Lampejo de dor,
Buraco de peito,
Memória afogada no mar,
Pros braços de Iemanjá,
Eu cantei meu lamento.
Afoguei na onda o teu azul,
Dos teus olhos anis,
Aquelas flores mais sutis,
Que de cada pétala que se abria,
Uma pontada eu sentia,
Quando você me olhava de triz.
E então eu te vi de novo, naquele restaurante. E eu soube então que tua cicatriz em mim ia pra sempre ficar. O buraco não iria ser preenchido por outros sentimentos, não existe Someone Like You, e no fundo todos nós sabemos disso, só tentamos nos enganar até onde dá. Eu te vi no restaurante, e meu peito quase bateu mais forte, mas dessa vez não. Dessa vez meu estômago gelou, e eu aprendi a entender o que minhas vísceras querem me dizer. Elas me disseram pra eu correr, correr o mais rápido possível, me afastar de você enquanto dava. Mas eu não podia. Meu fígado dava uma pontada toda vez que eu te olhava, me puxando para não olhar nos teus olhos novamente.
E eu nem precisei falar com você. Meu pulmão agradece, porque senão teria que trabalhar em dobro. Minha boca se travou, e eu olhei de relance. Só. Mas olhei várias vezes de relance, porque meu coração, egoísta, masoquista e misógino como ele me pedia pra te olhar o máximo que conseguisse.
Não importava o quanto eu estava lindo naquele dia, o quanto eu estivesse me sentindo bem. Você sempre seria mais belo. Sempre. E o mar me chamou, e eu saí correndo. Uma calçada a beira-mar faz estragos, enquanto meu corpo todo me puxava pra longe, meu coração ansiava tapar-se com a tua argamassa de ilusões. E enquanto eu soltava piadas frouxas e ridículas, uma luta tremenda ocorria dentro de mim. No fim, consegui até ser engraçado. O interior de ninguém importa realmente numa festa.
No fim, eu consegui ser engraçado. Bem engraçado. Dizem que quanto mais triste o palhaço melhor ele é. Bem, não é verdade. Eu estava feliz, só por respirar o mesmo ar, por te ter como paisagem. E estava também irremediavelmente mortificado por tudo isso ser não mais do que um fantasma. Um falso amor. E no fim da noite, só me sobram os gritos e o cansaço. Talvez isso seja verdade.
E o pior de tudo, é que você Não Vale A Pena.
Simplesmente não vale.
http://www.youtube.com/watch?v=S1LtIULGGDM
Lampejo de dor,
Buraco de peito,
Memória afogada no mar,
Pros braços de Iemanjá,
Eu cantei meu lamento.
Afoguei na onda o teu azul,
Dos teus olhos anis,
Aquelas flores mais sutis,
Que de cada pétala que se abria,
Uma pontada eu sentia,
Quando você me olhava de triz.
E então eu te vi de novo, naquele restaurante. E eu soube então que tua cicatriz em mim ia pra sempre ficar. O buraco não iria ser preenchido por outros sentimentos, não existe Someone Like You, e no fundo todos nós sabemos disso, só tentamos nos enganar até onde dá. Eu te vi no restaurante, e meu peito quase bateu mais forte, mas dessa vez não. Dessa vez meu estômago gelou, e eu aprendi a entender o que minhas vísceras querem me dizer. Elas me disseram pra eu correr, correr o mais rápido possível, me afastar de você enquanto dava. Mas eu não podia. Meu fígado dava uma pontada toda vez que eu te olhava, me puxando para não olhar nos teus olhos novamente.
E eu nem precisei falar com você. Meu pulmão agradece, porque senão teria que trabalhar em dobro. Minha boca se travou, e eu olhei de relance. Só. Mas olhei várias vezes de relance, porque meu coração, egoísta, masoquista e misógino como ele me pedia pra te olhar o máximo que conseguisse.
Não importava o quanto eu estava lindo naquele dia, o quanto eu estivesse me sentindo bem. Você sempre seria mais belo. Sempre. E o mar me chamou, e eu saí correndo. Uma calçada a beira-mar faz estragos, enquanto meu corpo todo me puxava pra longe, meu coração ansiava tapar-se com a tua argamassa de ilusões. E enquanto eu soltava piadas frouxas e ridículas, uma luta tremenda ocorria dentro de mim. No fim, consegui até ser engraçado. O interior de ninguém importa realmente numa festa.
No fim, eu consegui ser engraçado. Bem engraçado. Dizem que quanto mais triste o palhaço melhor ele é. Bem, não é verdade. Eu estava feliz, só por respirar o mesmo ar, por te ter como paisagem. E estava também irremediavelmente mortificado por tudo isso ser não mais do que um fantasma. Um falso amor. E no fim da noite, só me sobram os gritos e o cansaço. Talvez isso seja verdade.
E o pior de tudo, é que você Não Vale A Pena.
Simplesmente não vale.
http://www.youtube.com/watch?v=S1LtIULGGDM
quinta-feira, 29 de dezembro de 2011
Ósmio
Meu espírito é como o Ósmio - Denso, denso... (22,4)
Metálico, prateado, frágil, belo.
Aguenta as altas temperaturas da vida. (3.033 °C)
No ar, na natureza, tende a se transformar em um veneno. (OsO4)
E por ser frágil e instável, só pode ser usado em ligas com outros metais. (O Irídio, por exemplo)
A solidão lhe é fatal.
sexta-feira, 23 de dezembro de 2011
Lágrimas de Sol
Lágrimas de Sol,
Deslize de luz,
Girassol dos desejos,
Solar.
Estrelas da manhã,
Tuas lágrimas nas minhas,
Rios incandescentes,
Nada mais que afluentes,
Mar de alvorecer.
Vertigem de fótons,
Queda de sonhos,
Faísca estancada,
Lume de sonhos.
Minha manhã na tua.
terça-feira, 20 de dezembro de 2011
Hera
Hera
No muro deita a Hera,
Já era era era,
Tempo de você me olhar,
Da calçada, da varanda,
Daquele muro,
De qualquer lugar.
E a brisa que eu sinto no meu pescoço,
É teu ar me soprando coisas lindas,
E a tua voz, que eu ouço,
Como se fosse mil melodias,
Não precisa me falar nada,
O teu silêncio me deixa em paz,
O teu ar calado e cálido já me fala,
Tudo que o teu coração me traz.
Psiu, silêncio,
Já consigo escutar teu coração,
Batendo mais forte,
Tentando acompanhar o meu.
Já consigo ouvir a Hera crescendo,
Nas muralhas do meu coração,
Rasgando a fortaleza de pedra,
Pela raiz, na sombra, música, canção.
Deita em mim,
Deita em meu muro,
Me rasga, por dentro.
Como se fosse pedra.
sexta-feira, 16 de dezembro de 2011
Combinamos que não era amor. Escapou ali um abraço no meio do escuro. Mas aquilo ali foi sono, não sei o que foi aquilo. Foi a inércia do amor que está no ar mas não necessariamente dentro de nós.A gente foi ao cinema, coisa que namorados fazem. Mas amigos fazem também, não? Somos amigos. Escapou ali um beijo na orelha e uma mão que quis esquentar a outra. Mas a gente correu pra fazer piadinha sexual disso, como sempre.Aí teve aquela cena também. De quando eu fui te dar tchau só com a manta branca e o cabelo todo bagunçado. E você olhou do elevador e me perguntou: não to esquecendo nada? E eu quis gritar: tá, tá esquecendo de mim. E você depois perguntou: não tem nada meu aí? E eu quis gritar: tem, tem eu. Eu sempre fui sua. Eu já era sua antes mesmo de saber que você um dia não ia me querer.Mas a gente combinou que não era amor. Você abriu minha água com gás predileta e meu sabonete de manteiga de cacau. E fuçou todas as minhas gavetas enquanto eu tomava banho. E cheirou meu travesseiro pra saber se ainda tinha seu cheiro. Ou pra tentar lembrar meu cheiro e ver se ele ainda te deixa sem vontade de ir embora. Mas ainda assim, não somos íntimos. Nada disso. Só estamos aqui, reunidos nesse momento, porque temos duas coisas muito simples em comum: nada melhor pra fazer. Só isso. É o que está no contrato. E eu assino embaixo. Melhor assim. Muito melhor assim. Tô super bem com tudo isso. Nossa, nunca estive melhor. Mas não faz isso. Não me olha assim e diz que vai refazer o contrato. Não faz o mundo inteiro brilhar mais porque você é bobo. Não faz o mundo inteiro ficar pequeno só porque o seu chapéu é muito legal. Não deixa eu assim, deslizando pelas paredes do chuveiro de tanto rir porque seu cabelo fica ridículo molhado. Não faz a piada do vampiro só porque você achou que eu estava em dias estranhos. Não transforma assim o mundo em um lugar mais fácil e melhor de se viver. Não faz eu ser assim tão absurdamente feliz só porque eu tenho certeza absoluta que nenhum segundo ao seu lado é por acaso.Combinamos que não era amor e realmente não é. Mas esse algo que é, é realmente muito libertador. Porque quando você está aqui, ou até mesmo na sua ausência, o resto todo vira uma grande comédia. E aquele cara mais novo, e aquele outro mais velho, e aquele outro que escreve, e aquele outro que faz filme, e aquele outro divertido, e aquele outro da festa, e aquele outro amigo daquele outro. E todos aqueles outros viram formiguinhas de nariz vermelho. E eu tenho vontade de ligar pra todos eles e falar: putz, cara, e você acha mesmo que eu gostei de você? Coitado.Adoro como o mundo fica coitado, fica quase, fica de mentira, quando não é você. Porque esses coitados todos só serviram pra me lembrar o quão sagrado é não querer tomar banho depois. O quão sagrado é ser absurdamente feliz mesmo sabendo a dor que vem depois. O quão sagrado é ver pureza em tudo o que você faz, ainda que você faça tudo sendo um grande safado. O quão sagrado é abrir mão de evoluir só porque andar pra trás é poder cruzar com você de novo.Não é amor não. É mais que isso, é mais que amor. Porque pra te amar mais, eu tenho que te amar menos. Porque pra morrer de amor por você, eu tive que não morrer. Porque pra ter você por perto um pouco, eu tive que não querer mais ter você por perto pra sempre.E eu soquei meu coração até ele diminuir. Só pra você nunca se assustar com o tamanho. E eu tive que me fantasiar de puta, só pra ter você aqui dentro sem medo. Medo de destruir mais uma vez esse amor tão santo, tão virgem. E eu vou continuar me fantasiando de não amor, só pra você poder me vestir e sair por aí com sua casca de não amor.E eu vou rir quando você me contar das suas meninas, e eu vou continuar dizendo “bonito carro, boa balada, boa idéia, bonita cor, bonito sapato”. E eu vou continuar sendo só daqui pra fora. Porque no nosso contrato, tomamos cuidado em escrever com letras maiúsculas: não existe ninguém aqui dentro.Mas quando, de vez em quando, o seu ninguém colocar ali, meio sem querer, a mão no meu joelho, só para me enganar que você é meu dono. Só para enganar o cara da mesa ao lado que você é meu dono. Eu vou deixar. Vai que um dia você acredita.
Tati Bernardi
Tati Bernardi
terça-feira, 13 de dezembro de 2011
Será?
Me imagine. Eu sou um lago quase infinito de vida, poesia, cor e vontade. Como não encontro caminhos para fluir, fico represado, estancado, secando, sendo sempre drenado pela vida, e evaporado pela morte, aos poucos. Um dia eu me preocupei sobre o que seria de mim. Hoje, eu sei que ser nuvem as vezes é melhor do que ser lago. Além do mais, quero deixar pelo menos alguma coisa de mim na terra, lençol freático, irrigar a horta de alguém, whatever.
Um papo ai com Raissa Medeiros.
Um papo ai com Raissa Medeiros.
quarta-feira, 7 de dezembro de 2011
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Metonímia do Desejo III
Metonímia do Desejo III
A mão que escreve,
Tem lábios que te beijam,
Tem voz que te canta,
Tem sangue que te pulsa,
Tem coração que te bate,
Tem olhos que te desejam,
Tem alma que te reconhece.
A mão que escreve não é só mão,
Tem vida que te vive,
Tem dor que te dói,
Tem miasma que te envenena.
A mão que escreve,
É a mesma mão que toca,
Abraça, acaricia,
Afasta o cabelo dos teus olhos.
(Verdes ou azuis?
Nunca sei...)
É a mão que te agrada,
É a mão que conta histórias,
É a mão que te cozinha,
E é feliz por te fazer feliz.
É a minha mão na tua,
Meus olhos nos teus,
Meu corpo no teu,
Minha alma na tua.
domingo, 4 de dezembro de 2011
A Única Certeza
(Flor de Sândalo)
A Única Certeza
Abrace-me com a força necessária,
Para multiplicar as horas,
E encurtar as distâncias.
Beije-me com o desejo voraz,
De fazer no céu surgir uma estrela,
E que teu cheiro fique impregnado,
Em todas as flores do mundo.
Olhe-me com a beleza,
Para eu encontrar teu rosto em cada esquina,
E o meu coração então bater mais rápido.
No ritmo que nós dançávamos ainda.
Toque-me com a impureza,
De um machado que o sândalo corta.
Tal qual a tua alma dilacera a minha,
Enquanto o meu corpo dilacera o teu em troca.
Ame-me como sou, e como não fui,
Me ame com a profundeza do abismo que nos divide,
Com a intensidade de toda uma vida não vivida.
De um sonho que se perdeu,
De um coração que era meu,
E se desencontrou no encantamento de uma outra vida.
Chore em meu corpo,
Para diluir em lágrimas,
A tristeza dos séculos.
Imobilize-me com serenidade,
Não permitindo assim que eu escreva,
Contando a nossa história,
Esfriada e enfraquecida pelo tempo,
E por esta tinta preta.
Espera-me com paciência,
Pois além dos sonhos e da memória,
Ainda existe um lugar onde
Os nossos sentimentos caibam,
Apesar de serem grandes.
Adore-me com louvor,
Pois assim o farei tambem,
Para que a nossa religião seja,
Não mais que um canto, uma ode ao amor.
Liberte-me com graça,
Pois a intensidade dos nossos instantes,
Abalaram e marcaram toda a incerteza da eternidade.
Obedeça-me absolutamente,
Porque a única certeza que levo dessa vida,
É que eu te amo infinita,
E avassaladoramente.
sexta-feira, 2 de dezembro de 2011
Eu só queria que você não me odiasse.
Eu queria que você sentisse o carinho que um dia eu senti.
Eu queria que você sentisse um pouco da música, do perfume, das cores novas que eu descobri quando te conheci.
Sensações essas que eu acessava só de lembrar você.
Eu queria te ter, mas isso é meio impossível.
Vamos dizer que foi incompatibilidade de gênios.
Por que será que você me prende tanto assim?
Por que será que só eu enxergo o azul no verde dos teus olhos?
Por que será que a lembrança volta, cada vez mais forte, cada vez mais tirando meu fôlego?
Cada brisa ainda é tua,
Cada nota de voz que se perde aos poucos no ar, ainda é tua,
Cada cheiro, cada cor, cada gosto...
Eu ainda sou teu.
E independente da minha vontade,
De alguma forma,
para sempre o serei.
Eu queria que você sentisse o carinho que um dia eu senti.
Eu queria que você sentisse um pouco da música, do perfume, das cores novas que eu descobri quando te conheci.
Sensações essas que eu acessava só de lembrar você.
Eu queria te ter, mas isso é meio impossível.
Vamos dizer que foi incompatibilidade de gênios.
Por que será que você me prende tanto assim?
Por que será que só eu enxergo o azul no verde dos teus olhos?
Por que será que a lembrança volta, cada vez mais forte, cada vez mais tirando meu fôlego?
Cada brisa ainda é tua,
Cada nota de voz que se perde aos poucos no ar, ainda é tua,
Cada cheiro, cada cor, cada gosto...
Eu ainda sou teu.
E independente da minha vontade,
De alguma forma,
para sempre o serei.
quinta-feira, 1 de dezembro de 2011
Kcabyalp
Kcabyalp
Uc é atecun ed ohlarac,
Otiuqirp é ohlarab ed atrac,
Tnedirt mu rop iutitsorp em,
Sopip mu rop ocenac uem odnev.
Sazerupmi sad ahniar a uos,
Éteit e soriehnip, sianigram sad zirterem,
Odnerrocse esaídidnac,
Êhcim euq, aias-inim alep!
Oruo elav otiuqirp uem!
Odadutse res euq met!
Atneuga adnia omoc euq met,
Odabmorra res otnat ed sioped.
Uem é uc o!
resiuq ue meuq arp uod ue e,
etnerf an rassap ós é,
Meuq a rev mes lam o odnezaf.
Augá´d opoc mu é eteuqob,
Méugnin a agen es oãn,
Oripsus otief é atehnup,
Mev, arepse es sonem odnauq.
Siort a eganem,
Asenihc ahnitnerroc,
Anamuh-aiépotnec,
Açebac ed rod euq ia.
Ólas!
Ólas!
Airaugi euq sam, muh!
Acuhc a zaf,
Rabogirf on atob,
Acuvis é aciriris an,
Atup ed asioc é enoforcim,
Ratirg siam asicerp men euq.
Kcabyalp on odut Át.
Uc é atecun ed ohlarac,
Otiuqirp é ohlarab ed atrac,
Tnedirt mu rop iutitsorp em,
Sopip mu rop ocenac uem odnev.
Sazerupmi sad ahniar a uos,
Éteit e soriehnip, sianigram sad zirterem,
Odnerrocse esaídidnac,
Êhcim euq, aias-inim alep!
Oruo elav otiuqirp uem!
Odadutse res euq met!
Atneuga adnia omoc euq met,
Odabmorra res otnat ed sioped.
Uem é uc o!
resiuq ue meuq arp uod ue e,
etnerf an rassap ós é,
Meuq a rev mes lam o odnezaf.
Augá´d opoc mu é eteuqob,
Méugnin a agen es oãn,
Oripsus otief é atehnup,
Mev, arepse es sonem odnauq.
Siort a eganem,
Asenihc ahnitnerroc,
Anamuh-aiépotnec,
Açebac ed rod euq ia.
Ólas!
Ólas!
Airaugi euq sam, muh!
Acuhc a zaf,
Rabogirf on atob,
Acuvis é aciriris an,
Atup ed asioc é enoforcim,
Ratirg siam asicerp men euq.
Kcabyalp on odut Át.
quarta-feira, 30 de novembro de 2011
segunda-feira, 28 de novembro de 2011
Shivers
Os tambores percorrem as ruas da cidade,
Clareando o breu dos casarões assombrados,
Afastando as sombras e os gritos,
Das moças emparedadas,
Dos prédios engendrados,
Das moças assaltadas,
Da imprensa ensanguentada.
Oh, oh!
Ganzá, surdo e ingonos,
Rasgando as trevas da cidade morta!
E a banda, por onde passou,
Trouxe luz,
Acendendo os céus e a madrugada,
Acordando quase vivos e fantasmas.
Atravessou a noite,
A rua da Moeda,
A rua do Judeu,
A ironia da Bom Jesus.
Naquela noite,
Ninguém teve medo,
Ninguém sofreu.
Só quem amava, mas por opção.
Mas nem os amantes tiveram medo,
Naquela noite, enfim, ninguém teve medo.
E os corações batiam juntos,
No compasso do tambor,
Sincopados com alma, que vibrava.
E as vozes entoavam cantos negros,
Luanda se fazendo presente na rua,
Banzo que impregnava na pele.
E os olhos da multidão que passava e via,
Brilhavam,
Lamparinas na escuridão.
Nas sete pontes o meu coração pulou,
Naquela noite a voz era o tambor,
Shivers.
Muito obrigado,
Meu Maracatú Oriental.
segunda-feira, 21 de novembro de 2011
PAC
A Angelitude pode se mostrar de diversas formas, num rosto, num corpo, num cheiro, na voz, numa obra, numa ação.
Façamos o seguinte:
Me empreste seu rosto, que eu faço uma Ilíada.
Me empreste seu cheiro, que eu cantarei Tenderly.
Me empreste seu corpo, que eu te empresto o meu, e iremos fazer um PAC.
Façamos o seguinte:
Me empreste seu rosto, que eu faço uma Ilíada.
Me empreste seu cheiro, que eu cantarei Tenderly.
Me empreste seu corpo, que eu te empresto o meu, e iremos fazer um PAC.
quinta-feira, 17 de novembro de 2011
Lumes Difusos
Lumes Difusos
Constelações Dinâmicas,
Estrelas aleatórias,
Fugindo das linhas que meus olhos traçam,
Dançando nas trevas e redesenhando a noite.
Vaga-lumes que sobram,
Percorrem a escuridão,
Randomizam a luz,
No compasso da minha solidão.
Cada um é de um tom,
Uma luz dos olhos que eu conheci,
Agitam o vermelho do som,
Na sinestesia em que amanheci.
Quando me aproximo as luzes se tornam difusas,
Quando me afasto, elas ganham brilho,
Quando pego o vaga-lume na mão,
O lume se torna tão vago,
Engolido pela escuridão.
E seu brilho só é bonito na distância,
Perto dos meus olhos, longe das minhas mãos.
O brilho frio e corrupto da fantasia.
E na minha noite,
Só o que continua brilhando é a promessa,
Enquanto eu danço, sozinho,
À luz dos lumes, que vagam,
Solenes, inertes, indecisos.
Difusos.
domingo, 13 de novembro de 2011
Lanternas Chinesas
Para cada lágrima tua eu tenho um ombro,
Pra você molhá-lo quantas vezes precisar,
Cada vez que ela ilumina tua face,
Com sal, mar, saudade e dor,
É uma represa que se rompe,
Sangrando a tua alma em flor,
E molhando a minha camisa,
E o meu rosto com a tua cor.
Suporte as tempestades desse mundo ao meu lado,
Agarre a minha mão, com força,
Um só navio,
Que descreve um arco, em pedaços,
Pois eu o ateei fogo,
Logo quando meu sangue errou de veia, náufrago.
Somos dois origamis em dia de chuva.
Você é a simetria,
E eu sou a incoerência.
Nos cortamos no ar pela água,
Katana, Haraquiri,
A vida, um Haikai.
Lanternas chinesas que a própria chama consome.
Vermelha, em sangue, em brasa,
No ar.
Para Mariana Adelino
Soulless
Deveria o Poeta pagar direitos autorais para as suas Musas?
Mas, antes, que semântica carregam hoje essas palavras, poeta, e musa?
Quando eu escuto isoladamente, têm conotações tão bregas que me doem.
Sem pensar muito bem na profundidade, o significado que me vem automático, do Poeta, são aqueles velhos de bigode do século passado, se ajoelhando com os braços abertos, bem teatrais declamando uma poesia bem tosca e cafona para a sua Musa.
"Oh, minha amada, pérola negra dos teus olhos! Que me enfeitiçou como uma cigana que faz boquete enquanto canta ópera!"
(Se bem que essa tá sensacional)
A musa, você sé consegue pensar naquelas mulheres gordas, sentadas num canto, que conseguem ser mais ridículas e impotentes que os próprios poetas, por se deixarem impressionar tão facilmente, se embevecerem com coisas tao inúteis quanto uma poesia ruim. Soulless, os dois.
Poeta, no sentido mais puro e original, é aquele que vê tudo além da matéria. Filósofo, médium e coletor do infinito. Pega a alma, a essência das coisas com a mão. A essência da natureza, de suas águas, de seus rios os quais cada um tem um âmago diferente. De seus ares e de cada árvore, cada pássaro, cada flor.
Mentaliza, articula, arquiteta e transmuta num papel, numa sequência de ideias limitadas pela língua, pelo tempo e pelo espaço, coisas tão etéreas, atemporais e sem local quanto a essência de algo. Tenta escrever em verso, ou não, num papel, um tanto de alma.
Musa é a matéria-prima de alma, de vida, de essência, de força, de luz.
Ser Poeta é complicado. Ser Musa não.
Poeta para se ser, tem que se fazer.
Musa para se ser, basta ser.
Cada um tem seu benefício e seu fardo.
O Poeta rearticula a beleza.
A Musa é a beleza.
Mas nenhum dos dois se escolhe. Se nasce. Uns se aprofundam no ofício, outros não. Muitos tentam, e só. No fim, o que vale é sempre uma questão de alma.
Ps: Quanto a primeira pergunta, láaa em cima, deixo pra vocês me responderem nos comentários. O que acham? Rsrs.
Mas, antes, que semântica carregam hoje essas palavras, poeta, e musa?
Quando eu escuto isoladamente, têm conotações tão bregas que me doem.
Sem pensar muito bem na profundidade, o significado que me vem automático, do Poeta, são aqueles velhos de bigode do século passado, se ajoelhando com os braços abertos, bem teatrais declamando uma poesia bem tosca e cafona para a sua Musa.
"Oh, minha amada, pérola negra dos teus olhos! Que me enfeitiçou como uma cigana que faz boquete enquanto canta ópera!"
(Se bem que essa tá sensacional)
A musa, você sé consegue pensar naquelas mulheres gordas, sentadas num canto, que conseguem ser mais ridículas e impotentes que os próprios poetas, por se deixarem impressionar tão facilmente, se embevecerem com coisas tao inúteis quanto uma poesia ruim. Soulless, os dois.
Poeta, no sentido mais puro e original, é aquele que vê tudo além da matéria. Filósofo, médium e coletor do infinito. Pega a alma, a essência das coisas com a mão. A essência da natureza, de suas águas, de seus rios os quais cada um tem um âmago diferente. De seus ares e de cada árvore, cada pássaro, cada flor.
Mentaliza, articula, arquiteta e transmuta num papel, numa sequência de ideias limitadas pela língua, pelo tempo e pelo espaço, coisas tão etéreas, atemporais e sem local quanto a essência de algo. Tenta escrever em verso, ou não, num papel, um tanto de alma.
Musa é a matéria-prima de alma, de vida, de essência, de força, de luz.
Ser Poeta é complicado. Ser Musa não.
Poeta para se ser, tem que se fazer.
Musa para se ser, basta ser.
Cada um tem seu benefício e seu fardo.
O Poeta rearticula a beleza.
A Musa é a beleza.
Mas nenhum dos dois se escolhe. Se nasce. Uns se aprofundam no ofício, outros não. Muitos tentam, e só. No fim, o que vale é sempre uma questão de alma.
Ps: Quanto a primeira pergunta, láaa em cima, deixo pra vocês me responderem nos comentários. O que acham? Rsrs.
quinta-feira, 10 de novembro de 2011
Espelho D´Água
Eu sou Espelho d´água na relva,
E se tu me apareces como flora, verde e sustenida,
Eu te passo como são realmente teus contornos e tuas matizes.
E se tu me apareces como céu, cerúleo, celeste, sublime e bemol,
Minhas águas serão anis em tua homenagem, no mesmo timbre.
Mas se tu me apareces de branco, e traz no teu sorriso um quê de orquídea, eu já nem consigo te refletir em mais nada, porque o perfume da tua pele, em flor, roubou os meus sentidos, e tua luz já vem em todas as cores.
E ai eu já não consigo mais fazer nada, e eu me torno teu, por inteiro, e por pedaços.
Em cacos, refletindo teus olhos e o teu sorriso por todos os ângulos,
Despido de filtros.
Despido de mim.
domingo, 6 de novembro de 2011
Darling,
Se vem a seca, e cinza ficam os teus olhos, não desespere.
Eles são como o sertão, que quando chove refloresce.
E tuas flores e teus verdes irão brotar de novo, só espere,
Quando a chuva chegar,
Trazendo vida à terra,
E cor aos teus olhos.
Verás através de minhas águas,
O infinito num espelho e mais.
Eles são como o sertão, que quando chove refloresce.
E tuas flores e teus verdes irão brotar de novo, só espere,
Quando a chuva chegar,
Trazendo vida à terra,
E cor aos teus olhos.
Verás através de minhas águas,
O infinito num espelho e mais.
Audrey Hepburn
"Há certas sombras de luz que podem partir uma garota no meio."
Breakfast at Tiffany´s.
Breakfast at Tiffany´s.
sábado, 5 de novembro de 2011
D-d-D-D-d-d-D-d-dD -d D -d... Eus
O que é Deus? - Ora, é Deus! Só Deus sabe.
Quem é deus? - deus é um cara sentado lá em cima, que as vezes ta de bom humor, e as vezes não, e tem um senso de culpa logus externo incrível.
Os ateus estão certos, deus não existe nem nunca existiu.
Já Deus, eles nem sabem o que é, e pouco importa por enquanto.
São Tomés são sempre necessários.
Deus não se irrita, mas ficaria irritado se pudesse da forma que andam tratando ele como deus. E gritaaaaaam por ele, xamando-o de surdo. Fazem questão de apontar sua velhice e masculinidade. Ora! Ele se ofende ao ser limitado como uma figura paterna, que é tão cheia de falhas.
deus gosta de ser chamado de pai.
Deus nem se importa, mas se ele se importasse, gostaria de ser chamado de mãe.
Ou a natureza em si,
Ou a força.
Mas ele tem coisas mais importantes pra resolver, e enquanto na nossa língua não conseguirmos usar um pronome para indicá-lo, sem limitá-lo ou irritá-lo até o talo, ele vai se fazer de môco.
E para meus pequenos amigos crentes espalhafatosos:
Quanto mais você grita, menos ele gosta (y)
#Fikadika
Moral da história: deus é uma coisa. Deus é outra. Aprendam a diferença.
Quem é deus? - deus é um cara sentado lá em cima, que as vezes ta de bom humor, e as vezes não, e tem um senso de culpa logus externo incrível.
Os ateus estão certos, deus não existe nem nunca existiu.
Já Deus, eles nem sabem o que é, e pouco importa por enquanto.
São Tomés são sempre necessários.
Deus não se irrita, mas ficaria irritado se pudesse da forma que andam tratando ele como deus. E gritaaaaaam por ele, xamando-o de surdo. Fazem questão de apontar sua velhice e masculinidade. Ora! Ele se ofende ao ser limitado como uma figura paterna, que é tão cheia de falhas.
deus gosta de ser chamado de pai.
Deus nem se importa, mas se ele se importasse, gostaria de ser chamado de mãe.
Ou a natureza em si,
Ou a força.
Mas ele tem coisas mais importantes pra resolver, e enquanto na nossa língua não conseguirmos usar um pronome para indicá-lo, sem limitá-lo ou irritá-lo até o talo, ele vai se fazer de môco.
E para meus pequenos amigos crentes espalhafatosos:
Quanto mais você grita, menos ele gosta (y)
#Fikadika
Moral da história: deus é uma coisa. Deus é outra. Aprendam a diferença.
quarta-feira, 2 de novembro de 2011
A melhor das razões
Mas vá, fale mais sobre ela, a sua sacerdotisa que você tanto ama, sacerdotisa de si mesma, e de vocês dois. Eu sei que você a ama, e ela ama ter você por perto. Não é tão simples, é?
Os homens amam sem razão.
Mulheres acham amar a melhor das razões.
Mulheres são incapazes de amar, sabia?
Elas amam o matriarcado.
Seus seios apontam na direção que o futuro vai tomar.
Em frente, mas só na juventude. Só.
O amor de mulher é amar o que se é, e o que se torna:
Mulher.
Elas amam ser mulher,
Só pelo fato de serem mulher.
Elas não amam homens,
Amam a ilusão.
A sombra que se projeta diante da inocência masculina.
Um ombro um pouco mais largo,
E as vezes do mesmo tamanho.
E só.
Afetividade nula.
Atrizes do cotidiano.
Mães.
Os homens amam sem razão.
Mulheres acham amar a melhor das razões.
Mulheres são incapazes de amar, sabia?
Elas amam o matriarcado.
Seus seios apontam na direção que o futuro vai tomar.
Em frente, mas só na juventude. Só.
O amor de mulher é amar o que se é, e o que se torna:
Mulher.
Elas amam ser mulher,
Só pelo fato de serem mulher.
Elas não amam homens,
Amam a ilusão.
A sombra que se projeta diante da inocência masculina.
Um ombro um pouco mais largo,
E as vezes do mesmo tamanho.
E só.
Afetividade nula.
Atrizes do cotidiano.
Mães.
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