terça-feira, 9 de agosto de 2011
Represas
Represas
Os Homens, engenheiros,
(Com toda a sua racionalidade)
Constroem suas represas.
Desviando, estancando, coagulando...
O fluxo dos seus rios.
Os rios de dentro.
Pois na amplitude Masculina a água não corre.
Estática, independente, paralisada.
Mas a água brota, nascente,
Mesmo que não se queira.
Devagar, descendo, impetuosa,
Descendo e tomando forma.
Se acumula num ponto,
Batendo na porta do abismo.
Se acumula como quem dá um passo.
E os Homens rebentam.
Ou então, secam,
Drenados pela própria vida que tem sede.
Secos ou Molhados,
Eles são estilhaçados pela inércia da morte
Que não permite atrito.
O calor da retenção é inadiável,
E a represa sangra,
Abre as comportas,
E a enchente toma conta,
E afoga o que sobrou do Homem.
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