segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

O Silêncio dos Pássaros





O Silêncio dos Pássaros

O Rouxinol não canta do mesmo jeito,
Seu canto murchou,
Sua garganta perdeu a vida,
As cores, o som, a alegria.

Também já não é Acauã,
De canto agourado,
Que traz a seca e a morte.
Nem a tristeza agora é motivo pra se cantar.

Um dia foi Assum Preto,
Canto cego de dor,
O Véu Negro que espalhava
Ignorância, força e temor.

Asa Branca que não voltou,
Esperando que caia a chuva,
Assum Branco que desapareceu,
Deixando nas veredas e no sertão,
Que ecoem livres,
O silêncio e o breu.

Ganso triste e odioso,
Boiando na insanidade,
Pensa que é cisne, rancoroso,
Choro velado no silêncio,
Geme talvez,
Por piedade.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Um Nazgul na Calçadinha




Nado era um típico Nerd João Pessoense, viciado em Senhor dos Anéis, misantropo, devorador de livros, e pronto pra cursar medicina. Não tinha amigos, muito menos paqueras. Estava estressado com o vestibular, quase entrando em parafuso com a vida ridícula que levava, quando um dia teve uma ideia genial:

- 'Vou me vestir de Nazgul daqui em diante.' Disse Nado. Comprou o que precisava, manufaturou as vestes pretas e as armaduras metálicas de verdade. Sua mesada era vasta como os domínios do Mestre Sauron em Mordor, e sua sabedoria na manufatura de cosplays ultrapassava a de Saruman, Gandalf, Elrond e Radagast juntos.

Ficou pronta. Foi jantar com ela. Os pais na mesa, dois funcionários públicos conservadores, olhando pro "filho" encapuzado, sem o rosto à mostra, parecendo o demônio entrando na sala de jantar.

- 'Melhor não dizer nada', sussurrou a mãe. 'Vai passar, é só uma fase, uma neurose'.

Nado dormiu com a fantasia. Não antes de fazer algumas reservas para quando precisasse colocar pra lavar as outras. Virou um exímio costureiro de mantas negras longas. Pena que não era mais Idade Média. Ia ter que ser médico para ganhar a vida, ou coisa do tipo.

Passou a semana inteira, em todos os lugares vestido de Nazgul. Na padaria, no Shopping Manaíra, na Calçadinha. Não é necessário descrever a reação das pessoas. Poucos ousavam perguntar, e os que perguntavam eram respondidos com 'A sombra da morte cai, as vezes, de forma alegórica, e outras de uma forma um tanto literal, sobre nossas almas'.

De pânico a ataque de risos, Nado não passava despercebido. Começou a chamar muita atenção.

Em alguns lugares, claro, ele não era bem vindo. No colégio por exemplo, ele so pôde usar uma capa mais leve. 'Nada na "legislação" do colégio proibia tais "casacos"', disse em sua defesa ao diretor, que relutantemente cedeu sob pressão de um processo, e talvez de uma espadada do "louco".

Fez amizades, talvez até seguidores. Outros Tolkianos o admiraram. Outros invejaram seu poder. Começou a ir para as raves vestido assim. Seu sucesso entre as garotas foi impressionante! Algumas tem uma queda por lunáticos, outras por góticos, outras por pessoas estilosas e originais. Ele, aparentemente, tinha tudo. Virou sócio do Excalibur.

Passou no vestibular de medicina. O tema da redação era um tanto difícil e estranho aos alunos e professores: a influência da literatura inglesa da década de 50 sobre a nossa vida contemporânea. Foi um dos únicos alunos a fechar a prova. Os professores, pelo visto, também eram fã de Tolkien. Nado daria a melhor aula sobre a geografia de Rohan, a história de Rivendel, os estudos sociológicos em Bree. Ele daria uma aula sobre tudo isso, imagine uma redação sobre a influência do seu escritor maior?

Nado parou de ser assaltado. Os malandros tiveram medo de sua possível 'Inskizofrênia', como diziam entre si enquanto ele subia a Epitácio, em seus mantos. E um uma vez um deles se atreveu a tentar, numa crise existencial 'Doido nenhum pode comigo e meu canivetezin'.

- 'Passa tudo', disse o assaltante. Nado só fez desembainhar a espada enorme, presente de formatura, afiada, e finalmente pôde ativar o sistema de som que além de transformar sua voz em sussurros macabros, soltava os guinchos de terror draconianos típicos do filme numa altura absurda. Coisa de arrepiar os cabelos até do Padre Quevedo. O assaltante correu até a Estação Ciência até o medo diminuir um pouco.

Eram hilariantes os momentos também em que ele passava na frente da Universal em momentos de culto. Indescritíveis. J.R.R. Tolkien teria inveja de não ter inventado essa narrativa.

Nado x Os Crentes da Universal.

Virou noticia. Passou no Jornal Nacional. Deu uma entrevista pro Fantástico, editada com tons debéis na transmissão. Não se importou. Tinha já uma legião de fãs. Os que tiveram coragem tentaram imitar, foi interessante no começo, mas nenhum teve tanto coração, afinidade e talvez falta de noção o suficiente para persistir. Ele permaneceu único e imaculado na sua originalidade.

No Carnaval ele chegou a se vestir de Witch-King. Nas festas Cosplays de Sauron. Como se o Nazgul se fantasiasse de seus mestres. Ele permitia nessas horas sair da monocromátisse mórbida. Mas seu cotidiano era Nazgul.

Começou a ir para a faculdade vestido assim. Teve problemas com a reitoria, mas nada que um agrado (e uma ameaça não resolvam). Ele já tinha amigos poderosos. Permaneceu na seu uniforme diário e inejoável. Uma simbiose entre a roupa e sua alma, como ele mesmo descrevera.

Ele manejando os corpos do IML era um espetáculo à parte. Filas e mais filas se formavam vendo aquela cena macabra e irônica.

Se formou. Passou na prova da residência. Foi pro Hospital de Traumas. Terminou e montou uma clínica psiquiátrica. Era temido e amado pelos pacientes. Sim, ele dava consultas como Nazgul. Não, ninguém o impedia.

Casou e etc.

Os anos foram passando, suas roupas amarrotando, envelhecendo, ficando cada vez mais reais. E a vida foi tirando aos poucos o que lhe fora dado no começo. E por fim, aos 82 anos, com uma vida próspera, Nado morreu. Vestido de quê? De Nado. Ou pelo menos era isso os que os parentes achavam. Mal era reconhecido sem suas lúgubres vestes augorentas. Uma linda senhora companheira, 2 filhos e 1 neto. Uma vida cheia de amores, realizações, desafios, conquistas, originalidade, racionalidade, força, e imaginação. Mas até no velório diziam que ele não batia bem da cabeça. Mas com 82 anos, poucos permanecem com a mesma lucidez da juventude não é mesmo?

domingo, 19 de dezembro de 2010

The Skyline´s Dream


The Skyline´s Dream

A new light over an old shadow,
With a Sun´s essence,
And bright in the eyes.
The Sky´s smile,
Like a dawn in the Ocean.

The flash can be marine,
Indigo like a siren song,
Almost Glacial.
The other face of the mirror,
The reflex of the Vast.
Deep like a mother´s heart.

My Darkness need one of them,
The Cold Navy,
The warm Scarlet.
It doesn´t exist a Ligthing Purple.
Not in this life.

A kiss of two edges,
They want to become one,
But the thin wire of life
Do not allow it.

Eternity and endless,
Two Titanic souls.
A dream so impossible,
That dares the own Destiny purpose,
Of The Sky,
Of The Sea.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Carcarás das Cataratas




Carcarás das Cataratas

Se no Sul tem Carcará,
Por que ele é Nordestino?
Se eu o vi no Paraná,
Mas o via antes desde menino?

Carcará: pega, matar, e come.
O Carcará seria um homem?
Que veio provavelmente num Pau-de-Arara
E matou a Arara no meio do caminho.

No Sertão ele mata Tatu,
Nas Cataratas mata Quati,
São Francisco ou Iguaçú,
Sabiá e Bem-te-vi.

Garra que cresce na carne,
Bico que se amontoa em vísceras,
Fétido de urina e sangue,
Brilha por ser narcizista.

Lixa



Lixa

Cai e bate na pedra,
Percorre e cai no Mundo,
Moldando a Pedra, e o Mundo.

Sopra e risca a pedra,
Voa e risca o Mundo,
Desenhando a Pedra, e o Mundo.

Queima e consome a pedra,
Se espalha e consome o Mundo,
Forjando a Pedra, e o Mundo.

A Pedra é própria Pedra,
Onde a Pedra é o próprio Mundo,
Sendo todo o mundo uma mesma Pedra,
Como uma pedra, por ser pedra,
Ou mesmo por ser mundo,
Lixa outra pedra?

domingo, 12 de dezembro de 2010

Desculpem pela tela monocromática de tantos posts. Ultimamente minha vida ta um tanto branca e preta mesmo. Só Chaplin fazendo leseiras ao fundo de bom mesmo. (Adoro quando ele come cocaína na prisão).

Olha só, que avanço, já estou escrevendo para interlocutores. Sem a distância fria e mecanizada. Vou variar.

Estou em Curitiba, e indo para o Paraguai. Uma viagem básica de 9 horas no ônibus, sozinho. Meus pais e uma galerinha ai vão de carro mesmo. Aqui de 09 horas da noite o sol começa a se pôr. Porra, seu relógio biológico vai pro inferno.

Sim, quanto aos poemas só consigo escreve-los nas aulas de matemática. Efeito maconha, viajo tão longe para outros lugares que acabo me inspirado com a menor das ideias. Eu posso escrever um poema na hora que eu quiser, mas só fica divertido e com qualidade quando me vem uma ideia original. Se eu escrever alguma coisa vcs ja podem imaginar pelo quê eu substitui rsrsrsrs

Ansioso pelo pss. Medo de não passar. Me fudi no pss2. Mas meu maior problema é a solidão que me consome por dentro.

"A solidão é fera a solidão devora, é amiga das horas e prima-irmã do tempo, e faz nossos relógios caminharem lentos, causando um descompasso no meu coração."

Alceu Valença.

Estou sozinho de mim mesmo. Junto somente das minhas falhas e vícios. Pelo menos sou livre de mágoas. Leve e triste como uma neblina. Eita, olha um motivo original ai pra um poema.

Quem vai para Maria Bethânia? rsrs

Até o nome dos acessórios mediévais de Senhor dos Anéis estão sendo batizados com um nome ai...
Ta foda.

"O amor é uma força da Natureza." E ta pior do que chuva ácida, furacões, maremotos, erupções e tempestades de raio ao mesmo tempo.
Ta foda.

"Você atravessando aquela rua vestida de negro,
E eu te esperando em frente a um certo bar leblom,
Você se aproximando e eu morrendo de medo,
Ali bem mesmo em frente a um certo bar leblom.

Quando eu atravessava aquela rua morria de medo,
De ver o teu sorriso e começar aquele velho sonho bom,
E o sonho fatalmente viraria pesadelo,
Ali bem mesmo em frente aquele velho bar leblom.

-Vamos entrar
-Não tenho tempo
-O que é que houve?
-O que é que há?
-O que é que houve meu amor, você cortou os seus cabelos?
-Foi a Tesoura do Desejo, desejo mesmo de mudar."

Alceu Valença. De novo.

Essa música eu escuto incontáveis vezes, nunca me enjoo, e sempre descubro uma coisa nova.

Sim. Desejo de mudar. De explodir, de viajar pra bem longe e demorar muito pra voltar. Eita, só falta explodir.

Nossa, como viver dói ¬¬
E amar é uma cauterização diária.
E amar quem não se deve é ser impalado por uma lâmina de ferro em brasa. Todo dia.
Cupidos sádicos deveriam ser decapitados nera não?


Me chamaram de hipócrita ontem... ern... Se eu sou hipócrita eu to aproveitando isso muito mal :P

Esse post ja ta virando quase uma consulta no analista. Só falta ele responder dizendo que eu não tenho cura hahahahahaha :P

Vocês preferem assim, ou a unilateralidade múltipla de cada um dos meus poemas? Queria poupar as pessoas de lerem essas besteiras. Mas as vezes as letras e a solidão são mais fortes do que o meu altruísmo diminuto. Bem diminuto.
Quero comentários. O que der na telha. Para exaltar, esfaquear, ou os dois.

Bid my blood to run, meu sangue ta coagulado demais. A signal of life. Any.

A vida que brota no papel é amorfa, abstrata demais, e ultimamente sem cores. Nada comparado aos canteiros multicoloridos desbotados pelas minhas cataratas do Iguaçú.
Acho que isso foi porque perdi um bom poema chamado Vida. Ela ta se vingando. Já ta bom né? Ja descontou demais, 56x1 pra vc.

Não, eu não fumei nada. Juro.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

"Peço que não faça como a gente vulgar, que é sempre reles; que não me volte a cara quando passe por si, nem tenha de mim uma recordação em que entre o rancor. Fiquemos, um perante o outro, como dois conhecidos desde a infância, que se amaram um pouco quando meninos, e, embora na vida adulta sigam outras afeições e outros caminhos, conservam sempre, num escaninho da alma, a memória profunda do seu amor antigo e inútil."


Fernando Pessoa.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

http://www.youtube.com/watch?v=BDcFa16ZisY
"Eu vou lhe contar que você não me conhece.

Eu tenho que gritar isso porque você está surdo e não me ouve.
A sedução me escraviza a você, ao fim de tudo você permanece comigo, mas preso ao que eu criei e não a mim. E quanto mais falo sobre a verdade inteira um abismo maior nos separa.
Você não tem um nome, eu tenho.
Você é um rosto na multidão e eu sou o centro das atenções.
Mas a mentira da aparência que eu sou e a mentira da aparência que você é, porque eu não sou meu nome e você não é ninguém. O jogo perigoso que eu pratico aqui, ele busca chegar ao limite possível de aproximação através da aceitação da distância e do reconhecimento dela.

Entre eu e você existe a notícia, que nos separa.
Eu quero que você me veja a mim.
Eu me dispo da notícia. E a minha nudez parada te denuncia e te espelha.
Eu me delato, tu me relatas.
Eu nos acuso e confesso por nós. Assim me livro das palavras com as quais você me veste."

[recitado por Maria Bethânia]

Calafrio



Calafrio


Que força que você tem no olhar é esta?
Estarrece meu ser, tira meu ar,
Trinca meus ossos, range meus dentes,
Gela meu âmago, ferve a minha carne.
Um calafrio que percorre a minha espinha.

Não sei se é a tua força,
Ou a minha fragilidade que o permite,
Me mata aos poucos, de um jeito bom.

A minha fraqueza é a força do teu ser,
A capacidade que me sobra, com gosto de mágoa,
Que me sobra em não te deixar perceber.

Mas eu falhei, e até nisso teu poder me incapacita,
Que domínio absoluto é esse?
Que o teu vazio tem sobre o meu denso?
A tua Sombra que encobre o meu Sol.
Teu nada que subjuga o meu tudo.

Mas eu sou reconhecido pelo meu nome,
E você não é ninguém.
Eu sou a luz que ilumina as trevas,
Você é mais um rosto,
Bonito e ignorante a andar na multidão.

Eu sou eu, e isso me basta.
Você a sombra que só É porque eu Sou,
Necessita da minha luz para poder Ser.
Eu sou Pedro Antônio,
e você, quem é?

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Os Assums Do Mediterrâneo


Os Assums Do Mediterrâneo

Cansei desta guerra inútil,
Helena não vale tanto assim,
Pátroclo está morto,
E Heitor, de olhos verdes, o matou.

Os ventos do Oriente pararam de soprar,
Não há mais razão em se brotar flores de ametista,
Elas agora podem ser apenas flores funerárias,
Jogadas na pira de meus amigos e do meu amado.

Heitor, arrancastes um pedaço de mim,
Me devolvestes a realidade matando os meus sonhos.
As Muralhas de Tróia são realmente impenetráveis,
E eu permaneço na praia, cansado, fracassado,
Onde apenas os barcos e a dor me fazem companhia.

A lâmina fria e cega que rasga a traquéia,
O sangue que corre quente, chovendo metálico na areia,
Tirastes a única coisa que ainda tinha valor,
Oh nobre Heitor.

Por que não cravastes logo a lança no meu peito,
Para as farpas então trincarem de vez meu coração?
Sangue sem uso e desperdiçado,
Erguido de Têmis pela mão,
Não só o calcanhar não foi banhado,
Como esqueceram de proteger nas águas,
Meu fastigado e inconsequente coração.

Meu querido e amado Pátroclo,
Tua pira irá brilhar para sempre na história,
Enfeitada pelas lágrimas e pelos urros lancinantes de dor,
Competindo com as mais belas deusas,
Só pela beleza de morrer sem antes ter existido.

Tua falta me dói demais,
Meu leito está muito vazio,
Mais oco do que as palavras que tentam consolar.

Sabia que os assuns tambéem permeiam o Mediterrâneo?
E o assum preto canta mais alto do que nunca,
Em sua dor cega ele agoura minha alma,
Engaiolada neste litoral penoso.

Assum branco parece que não há,
Pássaro onírico que não volta das cinzas,
Mora nos campos verdes da esperança,
Incendiados pelas tochas da realidade,
E pelas incansáveis piras da derrota.

A ironia é que no templo de Apolo,
As vestais que eternizam sua chama.
Apolo, não fui eu que matei Jacinto, não se vingue de mim,
Foi o Vento do Leste, também.

Imcompreensão, inveja e desejo...
Mais violentos que a prórpia vida,
Viver é muito perigoso...
Sempre foi.

A Benção Verde




A Benção Verde

O sertão sou eu,
A força que nunca cessa,
Vida que brota na seca,
Flor que brota na pedra.

Esperança de chuva,
Terra que tem sede,
Espera dos céus,
A benção,
Que explode,
Verde.

Um oceano de vida,
Clorofila que toma conta,
Terra mais que fértil (generosa),
Só precisa que chova (a dança).

O menino é ventania,
Que traz areia pro meu terreiro,
Traz seca e morte,
A menina é a lágrima,
Sal que traz sorte,
Dor que chora e floresce a terra,
Em soluços de enchentes, vida e morte,
El niños que brincam de Deus.
Fazendo do meu terreiro, seus,
Maniqueísmo de água.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

Empty


O amor em sua forma mais pura e bela toca tudo por onde passa. Mancha tudo com luz. E nós, ímpios vazios, sedentos por vinho, vorazes por carícias. A solidão é nosso maior medo, nem que seja a o medo de se separar da sua lucidez.

Em nossa estupidez ignoramos os avisos do corpo, o repúdio e a preservação. A dança onde a vida e a morte se confundem. O nosso impulso de se completar é tão forte que na turbulência de nossas emoções nós nos perdemos, e confudimos amor com consumir.

Métricas, rimas, imagens, técnicas... Apenas minhas tintas bonitas para retratar o mesmo caos visto de um ângulo diferente. Tudo é Caos e Egoísmo. Vontade de existir e crescer em tudo. E a pressa de ler que engole as palavas pesadas onde cada uma guarda mil sentidos diferentes em si. Os sentidos se perdem no vazio do cotidiano.

Queremos tanto, tanto... E nem sabemos o quê. As vezes até pensamos que sabemos.

- O que você quer? Ser feliz?
- ...
- Resposta velha.

Já estamos a tanto tempo nesse mundo e continuamos empty do mesmo jeito. Geladeiras, eis a diferença.

O que pode nos libertar?

- Liberte-se!

Uns dizem que alguma coisa está aí, em cima, mais forte, e superior. Outros acham que a vida em si já é uma dádiva. Só sei que quando ando sozinho pelas ruas à noite e a solidão toma posse de mim, nada pode me consolar. Me curo pela dor. Aos poucos.

Deus não fala, ja repararam? Alguns dizem que fala. Bem, quando ele falar comigo posso até concordar, até lá não sei.
Deus não fala ou nós somos surdos? Orgulho ou defeito de fábrica? E se ele não fala porque não tem boca, porque não pode? Seja como for, eu tenho mais medo do silêncio dele do que dos meus erros, da minha sina. Triste sina.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

To Silence and Pain




To Silence and Pain

The tear drops, bright,
Lightining the face, river,
Crafting sorrow? Pain,
Or showing what was already there?

Embers in the wind, reality,
Blazes of passion, the dream,
Rain? Life´s joke,
Or inevitable consequence?

The silence is in the room,
He speaks english,
Just like you,
Bringing forggoten memories,
Silence and Pain. Saudades.

"Miss us", is not enough,
I still want your shadow over me,
Teaching me new retorics tricks,
Annoying my soul.

Tell me that it was not just lies,
Was not just hot blood,
Falling, turning ground into red,
From my bleeding heart,
Dilacerated by your ilusion´s.

Sade seems so sad,
Now that you´re not here.
I´ve never liked to hear the cat growning,
As you always hated to hear me to sing.

Cleaverness was a colourfast word,
When I used to listening you to talk.
But love was a gray paint,
Our life´s ashes in the wind.
Deus conversando com Adão e Eva:

“Olha só: cês andam pelados, brincam pelados, se abraçam pelados. Mas sexo, meus filhos, não pode. Ter tesão é motivo pra arder no inferno, apesar de ser algo natural. Mas ó: papai ama vocês, tá?”

sexta-feira, 5 de novembro de 2010

Reflexos Enantiomorfos



Reflexos Enantiomorfos

Limpe o teu espelho,
Até a ferrugem o consome,
As manchas já o embaçam,
E até a sua essência aos poucos some.

Você quer simplesmente esconder
Pedaços de reflexos enantiomorfos demais,
A igualdade para alguns dói, eu sei.
E você tem medo de ser mais.

Sua luz se enfraquece nas sombras,
Vagalume tão sereno e original,
Não se perca nas areias do sertão egípcio,
Projete tua luz no litoral.

Eu quero teu espelho limpo,
Porque o teu reflete o meu.
E nos já nos conhecemos,
Partilhamos do mesmo reflexo,
E até do mesmo breu.

Você não me pertence




Você Não me Pertence

Um fogo que se queima,
Pois a chama é o próprio combustível.
Não há resina, teimosia inflamável,
Só as brasas eternas que escrevem no chão de pedra.

Um frio glacial me persegue;
Meu coração somente pulsa. Se aquece.
Procurando no céu uma resposta,
Sentindo da terra a brisa.

Falando com as pedras,
Procurando você em cada esquina,
Em cada onda, em cada pássaro,
Em cada flor.

Vou parar de procurar.
Escrever a esmo flor e coração no mesmo papel não pode ser bom sinal...

Acho que isso é apenas o destino querendo me lembrar que...

Flores de Ametista





Flores de Ametista


Minhas pinturas são coloridas,
Realistas, modernas e desoriginais,
Singrando o rio de pedra,
Vadeando pelas margens os pontais.

O Retrato cálido metafísico,
O Beijo Deminiano,
Inversão tesa to tísico,
Foto que sangra no meridiano.

A sina das pradarias me foi dada,
Não foi estepe, sendo sonho adeliano,
Captando as areias do Sertão moreno,
Flor de pedra, orvalho desumano.

O segredo do São Francisco,
Espalhado pelas minhas tintas,
Lutando contra o vento do mundo,
Brotando flores de ametista.

sábado, 9 de outubro de 2010

Verdadeiramente Olhando




Verdadeiramente Olhando

E a música mais linda que eu já cantei na vida foi quando eu pensei em você, e imprimi sua alma na melodia e na cadência da minha garganta. Eu cantei então todo o azul dos céus, como se o anil saísse da minha boca e colorisse o ar. Cantei a liberdade dos pássaros enchendo de vida onírica a sala. Cantei mais lindo do que nunca. Você.

Cantei o rio como se a nascente fosse na minha alma, as nuvens e os ventos que as carregam, meu sopro afinado. Cantaram também flores desconhecidas em cima da árvore, na beira do rio. Singrando as águas com melodias doces e eólicas. Contavam histórias que não são mais de ninguém.

Mas que são nossas! E eu ainda vou escrever muito, a nossa história, só espere. Enquanto ainda houver tinta, pintarei com minhas tessituras a imaginação da alma, o sonho do arquiteto, e a brisa da colina. O meu sonho.
Se sonhos são importantes, eu não sei. Mas que são absolutamente lindos, sim, eles são. E mais lindo dos meus sonhos foi um em que eu te vi. Olhos superiores. Eu enchergava realmente você.
Deitados na colina, que olhava pro rio, enquanto eu olhava pra você. Do nosso lado, o vento arrancava á acústica de uma árvore em flor. Flores desconhecidas. Lindas, apagadas. Visão periférica.
E o vento cantava, enquanto nós só fazíamos ficar em silêncio, ouvindo a melodia que falava de nós, sobre nós.

Nós ficavamos nos olhando, somente nos olhando, profundamente se olhando.
Verdadeiramente nos olhando.

I see you. All of you.



E esse foi o sonho mais lindo, o sonho em que eu sonhei que conseguia te ver. Realmente te ver. E Nada mais.

domingo, 26 de setembro de 2010

Prefira o Azul




Prefira o Azul


Enxergo teu rosto em cada música,
Teu cheiro em cada flor,
Teu gosto em cada fruta,
Teu corpo em toda dor,
Tua lágrima em cada chuva.

Todo agôgô é o teu peito,
Toda brisa também é,
Toda composição leva um brilho teu,
Toda solidão é tua ausência,
Toda felicidade é tua presença.

Toda água são os teus olhos,
Mares, lagoas, gotas de oceanos inteiros,
Prefira o azul, e não o verde.

Totalmente teu, o meu também,
Tatuagem da alma, tufão,
Meu coração ainda bate, amém,
Escrevendo com toda a tinta,
No compasso da tua ilusão.
Tum tum tum...
Bate e escreve por ti.

A Pele





A Pele

Amor infértil, inglório,
Estéril, manchado,
Seco, sombrio,
Solitário.
Maldito.

Desejo idealizado, sonhado,
Forte, cortante,
Vapóreo, teimoso,
Sujo,
Corrompido.

Que desejo tão forte, tão forte,
Tanta vontade, vida, avidez,
Sede e fome pela tua tez,
Te tocar, e só.

Serei eternamente feliz, então,
Durante o tempo
Que a minha pele tocar a tua.
Entrelaçados.

A pele,
Caminho por onde escorre o rio da minha alma,
E deságua na lagoa dos teus olhos.

Deixe essa água correr,
Deixe.

O Purgatório






Rafael, meu querido amigo recifense, publicou esse conto num projeto pessoal dele chamado Rua7, e estou resgatando um dos melhores contos que eu ja escrevi, e que eu adoro, e estou repassando pra vcs tmb. Espero que gostem.


O Purgatório

Ela se chamava Laura, 26 anos, protestante, calvinista, capitalista, materialista, egoísta e egocêntrica. Sua Generosidade limita-se ao pagamente frio, superficial e irritante da comissão espiritual do seu pastor. Um imposto social, para ser vista com bons olhos na sociedade. Apesar de sua avareza, sua característica mais marcante era a vaidade.
Ascendência francesa, seus genes lhe foram generosos, concedendo-lhe um corpo gracioso e uma beleza ímpar. Ela só era desprovida de seios, e para saciar sua voracidade especular, submeteu-se à cirurgia plástica.
Na mesa de cirurgia, atordoada pelas forças mágicas da anestesia, ela sentiu seu corpo extremamente leve, pairando no ar e subindo até o teto da sala, onde viu na mesa de cirurgia o seu corpo sendo dilacerado pelos médicos, que mais pareciam açougueiros. Teve asco.
De repente ela sentiu novamente a força da gravidade, despencando rapidamente no instante de um susto indo de encontro com o chão, mas para sua surpresa, ela atravessou o chão e o medo como se fossem uma parede de gás à sua frente. Parou de sentir medo. Queda livre em direção ao desconhecido.
Após um indeterminado tempo ela caiu numa galeria com estalagmites e estalactites acobreadas. Sem dor, levantou-se, tentou tirar a poeira que não havia, e então percebeu que estava diante de um grande portão de aço, um aço rubro, com uma inscrição que contradizia suas crenças, esculpida em letras grandes e arcaicas: Purgatório.
O portão se abriu, autônomo. Tomada de uma mórbida curiosidade, Laura foi caminhando até o portão. Caminhou e atravessou um grande corredor que foi desaguar num enorme salão, suntuoso e extremamente mal iluminado, onde quase não dava para se situar. A única luz que clareava aquele breu vinha de uma porta de madeira muito simples, entreaberta no canto da sala. Foi atrás da porta.
Chegando mais perto, começou a ouvir alguns gemidos indefiníveis. Abriu a porta com o coração acelerado, suando um suor frio que não existia, mas com uma ansiedade que não somente existia como também era absoluta e a dominava.
Abriu-a de uma só vez, num só bruto ato. Uma sala apertada, uma mesa enorme, várias cadeiras requintadas, um impressionante banquete com as comidas mais suculentas que ela já viu na vida num espetáculo de sinestesia.
E sentados às mesas, desespero e agonia envultados, imitações de pessoas. Gritos e urros ensurdecedores, veias saltando às gargantas. Uma situação desesperadora e ensandecida. Os braços e punhos estavam acorrentados, impedindo-lhes de levar seu próprio alimento a boca. A fome fazia com que o tempo lá não passasse, e as almas condenadas ficassem até durante séculos naquela situação.
Laura correu, transtornada, da sala e voltou correndo para o saguão, que de repente se iluminou num instalar de dedos, revelando toda a suntuosidade que havia sido encoberta pelas sombras. Uma abóboda alta, com colunas e reentrâncias com entalhes de fina madeira, mármore, ouro e pedras preciosas, com afrescos renascentistas grandiosos, no teto e nas paredes, que causariam inveja ao próprio Michelângelo.
Só então ela se deu conta que aquela porta da sala dos acorrentados ficava nas extremidades escondidas daquele saguão, e que em seu centro pairava um enorme portão que se erguia até quase o teto, revestido de ouro e vinhas barrocas douradas, mas vivas, com um forte ar celestial. O portão se abriu, novamente, causando um som grave e imponente, mostrando seu interior.
Onde antes as paredes apertadas sufocavam os condenados, o que limitava a sua amplitude eram as nuvens numa luminosidade solar de fim de tarde. Via-se o Sol, pintando as nuvens no horizonte, e o mar multicor, olhando-se muito profundamente, aos seus pés. Literalmente não andando com os pés no chão. A mesma mesa com o mesmo banquete, as mesmas cadeiras, as mesmas correntes, mas sentados as mesas, não mais os vultos enlouquecidos de fome, mas sim a pura representação da felicidade.
Cada um alimentava a pessoa sentada ao lado, contornando de forma altruísta os limites impostos pelas correntes, que agora nem se faziam mais precisas, e se afrouxaram ao ponto de libertar-lhes os punhos.
Laura então sentiu seus peitos dilatados e doloridos.

Gramática Interna




A complicasão fonética ce cauza esa louca distonia entre a língua e a fala, é(ou eh) fruto da eransa burocrática ce instaurou-se desde meados de miu e cinhentos, en uma tentativa de normatizar e unificar a língua portugueza, destruindo asim sua fonética.
Cartas antigas denotan a fonetisidade do portugês, você sendo vc, por esemplo. Uma linguajem pura e limpa. O "e" poderia ser "i", não? O próprio "não" poderia ser simplesmente ñ, bonito, elegante i Ispânico: objetivo.
Ñ existe a nesesidade de si escrever con tantas letras para desiguinar o mesmo som. K, Q i C? Esesivo e desnesesário.
Proponho ainda ci os asentos diferenciais permanesam, pelo menos por um tempo. Mas sem dois Ss pelo amor de Deus.
A internet(gringa), por exemplo, ajudou muinto a dinfundir esa fonetisidade. Pase-livre para pregisozos e fonetisistas(e ai, Nestor, blz?, ce consegem si ver livres do furor crítico ci está si inflamando dentro da sua gramática interna nese momento.
A mudansa graduau e lenta deveria sim ocorrer. O senso estético eh bazeado apenas nos paradigmas vijentes. Imagine ce nun mundo auternativo, esa fose a linguajem serta, o feito seria exatamente o noso portugês "correto".
Apezar diso tudo,.ainda concordo com o duplo "r" diferensial, uzado em "carro" e "caro", apezar de semanticamente os dois andarem bem prósimos.

domingo, 19 de setembro de 2010

A vida Pulsando




A vida Pulsando


Eu não sei pedir,
Tu não sabes me dar,
Eu só sei sonhar,
Tu nem sabe imaginar.

Meu coração é imenso demais,
O teu não existe,
O meu vai morrer afogado,
O teu vai ser imortal diante da sua inexistêcia.
Um fantasma.

Tantas palavras minhas,
Tantas frases, poesias, músicas,
Conjecturas, sonhos,
Fascinações, dores, idéias,
Ja disse sonhos?

Você?
A vida te leva.

Me deixe te abraçar,
Me deixe te beijar,
Não tenha medo, não.

Me deixa desafogar tanta água, tanta vida,
Tanta ânsia, tantos sonhos, tanto espírito,
Tanto sexo, tanto amor.

E você, terra árida, tão linda, selvagem.
Simétríca dentro das suas perfeições,
Espírito tão jovem, tão belo, com tanto espaço.

Você,
Terra jovem, tenra, seca.
eu,
Oceano antigo de imensidões azuladas.

Me deixa te preencher,
Filtre o sal das minhas lágrimas,
Tantos séculos de choro.

Sinta, pedra inóspita,
A vida pulsando dentro de você.
Não perca tempo com inutilidades!
Floresça na primavera de nossas vidas,
Acorde, Solidez brava,
Tanta beleza que enebria,
Hipnotiza, apaixona.

Tantas ondas que eu mando...
Todo dia, batendo na tua porta de areia,
Um maremoto te arrasaria, não quero.
Me seguro tanto para não te inundar sem querer.
Me atenda.

Deixa eu te mostrar os tesouros do mar,
Continente,
Pérolas, conchas, corais, todos seus.

Venha, deixe-me te abraçar,
Te proteger, te envolver.
Deixe-me irrigar a vida verde dos teus olhos,
Onde só eu enxergo o azul que ali mora.
O azul marinho, reflexo da minha alma.

Aurora II




Aurora II

Raio de luz que corta a noite,
Revelando a essência reflexiva da terra,
Amarelo, fogo, vento frio, sol quente.
Manhã árida das serras no Sertão.

Facho de brilho que rasga a ribalta,
Mostrando o âmago refletor praieiro,
Azul, água, púrpura, verde,
Amálga mamarinha de cores psicodélicas,
Dançando feito Serafins de multicor,
Sem saber onde termina o céu,
E onde começa o oceano.
O encontro de dois quase-infinitos.

O Sol apresenta os mais lindos espetáculos ao acordar, adornando a natureza com suas vestes aúreas e solares.

Mas nem a grandeza solar que se irmana com as coisas mais belas da Terra, é capaz de criar espetáculo mais belo do que te ver acordar, com a luz do Sol saindo da janela, batendo no teu rosto, e competindo com o teu sorriso, vendo quem afinal é mais solar.

terça-feira, 14 de setembro de 2010

http://www.youtube.com/watch?v=5rqc6NCIQik

Serra, O Bandido da Luz Vermelha.

domingo, 12 de setembro de 2010

Aurora





Aurora

O escritor americano Henry Miller ja disse certa vez: "A melhor forma de esquecer uma mulher, é eternizá-la na literatura."

Bem, ja fiz muito isso hehehehehe... Segui a dica do sábio antes de conhece-la oficialmente.

Quem assitiu o filme "500 dias com ela" vai me entender melhor. Imaginem a situação:

Acabou. Tudo acabou, o que existiu, e o que poderia ter existido. Nada existe mais, só aquele buraco dentro do coração, aquela tristeza devorando sua alma. A única coisa que você quer é ela. O cheiro dela, o cabelo, os olhos cintilantes, o sorriso, aquele jeito sonso, de voz suave e manhosa, a risada escandalosa, a pele tesa...

Você não pode tê-la, simplesmente não pode. Amigos, ou nada.
Amizade é outro nome para tratamento homeopático de crise de abstiência.

Nesse momento, só restam duas coisas na sua vida: A tristeza infinita, e a vontade de superá-la.

Vocês estão viajando juntos. Uma obra do destino os coloca no mesmo ônibus. Aquela força colossal para se segurar, e aquela ainda maior para tentar permanecer uma situação de normalidade.

A noite cai. Doce noite. Morfeu também, e o sono chega, avassalador. Ela dorme nos seus braços. Encosta a cabeça no seu ombro. Você respira toda a essência do cabelo dela. Ela simplesmente dorme, no seu ombro, feliz, tranquila, segura, radiante.

Uma felicidade imensa inunda sua alma nesse momento. Agora, você sentiu uma pequena prova do que a vida poderia ter lhe ofertado, e do que destino te tirou. Mas você também tem a leve impressão de que aquela felicidade por mais breve, tola, e medíocre que possa parecer, devido as circunstâncias, não teria como ser maior.

Um gole do vinho da alegria conformada, é mais delicioso do que pular no vinagre dos relacionamentos engedrados, corroídos pelo tempo, destruidos pelo cotidiano e pela convivêcia. E que a memória irá salvar as boas lembranças. Só o desconforto e o cansaço sobrarão.

Mas você terá, apesar de tudo, para sempre aquela memória imortal e irretocável, do sol nascendo na janela do ônibus, refletindo no rosto Dela...

Isso, casal perfeito nenhum terá. Essas lembranças, são uma das coisas mais preciosas, e você as levará junto muito depois de ter passado dessa vida.
Quem deixa de viver um grande amor, deixa vivo, no entanto, dentro, ardendo, os mais doces sentimentos e lembranças imortalizados pela casualidade dos acontecimentos, pelas brincadeiras do destino, e pela eterna imcompletude humana.

sábado, 11 de setembro de 2010

1000 vizualizações, sucesso ¬¬

domingo, 29 de agosto de 2010

Discordando de Jobim





Discordando de Jobim




Eita, eita que vida boa,
Vida boa pra quem sabe ler seus truques,
Respirar seus ares, colher seus frutos,
Tocar na terra, botar o pé na água,
E o vento nos cabelos...

Namorar com a natureza ja é o bom demais,
Mas uma homenagem triangular é ainda melhor.
Tudo é felicidade nessa vida
Para quem só tem paz e amor pra ofertar.

Correr pelas artérias empoeiradas do chão,
Nadar em cuia de lágrimas das nuvens.
Tão azuis quanto aqueles olhos...
De quem eram os olhos mesmo?
No final a gente só se lembra das lagoas...
Os donos e donas dos olhos sempre ficam num cantinho,
Atrás da Porta, no breu escondido e prolixo,
No recôndito reescondido de nossa memória.

Tantas flores pelo caminho!
E eu só arranquei aquela de onde brotava um seio nú.
Tantos passarinhos pra se cantar junto!
Canários e Sabiás são meus vizinhos e visitas.
Coral lindo de assovios interpostados.

Aprender a ser feliz sozinho,
É discordar de Tom Jobim,
Isso nunca pode ser bom...

Eu, alguém, nós dois, seria muito bom.
Mas é melhor ser feliz sozinho,
Do que ser triste e concordar com o mestre.
Sendo só, somente triste,
Dançando só, e se julgando amado ao som de um mp3.

quinta-feira, 19 de agosto de 2010

Abraço Pétreo







Abraço Pétreo


Se eu pudesse escolher alguém,
Para envolver por toda a eternidade,
Esse alguém seria você.

Minha pele na tua pele,
Meus braços pelo teu corpo,
Tua cabeça no meu peito,
Um abraço pétreo através das eras.

Um monumento a Afrodite,
Uma obra greco-romana,
Teu peito de pedra respira,
Batendo dentro a dádiva humana.

E seríamos um par de estátuas,
Entrelaçados pelo tempo,
Não há erosão que nos consuma,
Areia, pó, vento.

A chuva ácida de São Paulo,
Nem tua pele marcará,
Pele que seria só minha,
E da verde relva a se instalar.

Mármore, pedra ou bronze,
A nossa forma não importa,
A flor do sexo é de estanho,
Ela bate na nossa porta.
Atendo?

O Pássaro Assimétrico





O Pássaro Assimétrico

O pássaro assimétrico bate as asas,
Cintila sob a luz do sol,
Voando na imensidão azul entre nuvens,
Reflexo, brisa e anzol.

O voo é imperfeito,
E ele desafina no ar,
Tal qual se desafina na vida,
Sina de quem se atreve a cantar.

Não há árvores para pousar,
Não há ninhos para constituir,
Não há descanso neste voo infinito,
Nem há eco neste agudo grito.

Ele olha tudo de cima,
Quem vê do chão diminui sua majestade,
Não enxerga o seu valor,
E toda a beleza que emana das imperfeições.

O pássaro às vezes é de metal,
Outra hora é apenas de papel,
E escreve poesias,
Pintando beleza,
Desenhando no céu com suas tintas,
Poemas que ninguém nunca irá ver.

O pássaro reto e imperfeito,
De traços precisos e originais,
Não acha um par na terra,
Não há pássaros iguais.