domingo, 27 de fevereiro de 2011

E o Vento levou

"As God is my witness, I'll never be hungry again!"

Casablanca II

"Of all the gin joints in all the towns in all the world, she walks into mine."

Casablanca

"Sempre teremos Paris."

O Gladiador

"O que fazemos na vida ecoa na eternidade."

Andressa



Andressa

Me toma,
Me bebe e me conquista,
Me empurra até sair faísca,
Meu peito contra o teu,
Tua boca contra a minha,
Andressa e gineceu,
Sépala, pétala e Aninha.

Beija minha mão,
Minha pele como se saísse leite,
Soltando sal, súor e sangue,
Me arranhando para o teu deleite.

No leito branco desta noite,
Brinquemos entre travesseiros e curtinas;
O sexo eterno e visceral,
Prazer infinito entre meninas.

Confesse às paredes,
O teu mais secreto pensamento;
Corpos morenos na varanda,
E cabelos pretos soltos ao vento.

segunda-feira, 21 de fevereiro de 2011

"Não sou forte o suficiente para moldar a sociedade em que vivo a minha imagem e semelhança, mas ela também não é forte o suficiente para me levar na corrente, dai encontramos uma eterna irredutibilidade entre nós."

Tobias Barreto.

Dando meu sangue e meu suor(literalmente, ta quente pacacete) para ir estudar na casa de Tobias.

Recife é quente, fumacenta, cara, e com um transito ducarai. Só aconselho para os fortes. Sério.

Abraços.

sexta-feira, 18 de fevereiro de 2011

Músicas são fragmentos da alma que podem ser sentidas.

Por isso são tão belas.

Sentir verdadeiramente uma alma, um espírito, uma essência, não é para todos, não é sempre. Tem que se ter olhos e ouvidos atentos para se enxergar em um olhar, escutar em uma melodia, a presença solta e intrínseca, impregnada.

Os bardos e trovadores da humanidade, arautos das forças da natureza, do sol, do mar, do vento, da terra, e da luz. Compositores, intérpretes e músicos que traduzem a metafísica de tudo que nos rodeia.

O amor também é uma força da natureza.

Se você tem ouvidos capazes, uma só música conta mil histórias, mil vidas, mil vontades, desejos e sonhos. Um "eu te amo" puro de Chico ou de Caetano podem ser ouvidos em toda a história, em várias línguas, em todos os recantos do planeta. Na Índia, na França, no Brasil Tupi-Guarani. Quantos casais já não tiveram os mesmos sentimentos? São atemporais e universais.
Se você não só ouvir, mas sentir, a música te tratá cores, informações, idéias de um tempo remoto. O vento de contará histórias que você não conhecia.

A beleza das verdadeiras canções não está de forma alguma limitada pela competência na composição de sua melodia, ritmo e harmonia, apesar da sua maestria e esmero. São apenas vestes de uma ideia, uma fonte, uma memória. Estas sim são de uma beleza e um extâse inesgotáveis.

As musicas instrumentais são do mesmo jeito, só falam outra língua.

Toda vertente musical traz algumas músicas de verdade. Não existe de fato uma melhor do que a outra, quanto a ideia. O que importa no final é sentir a música. Realmente sentir. Compreendê-la completamente.

E a essência que se pode sentir não está limitada a música, nem as artes.

Quantos desses idiomas você sabe falar?

A grande parte dos homens não vive, apenas respira.

quinta-feira, 17 de fevereiro de 2011

100 postagens... 3 mil vizualizações.
Ta indo bem né não? xD
Abraço aos que acompanham, meu agradecimento, e meu pedido por comentários, adoro comentários, de qualquer natureza. Já disse que adoro comentários? Leio todos, só não respondo as vezes porq sei la... rsrsrs

Quero comentários, é serio ¬¬

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Metonímia do Desejo



Metonímia do Desejo

A gota era eu.

Cada gota de chuva que passeava no teu corpo.
A água,
Que escorria na superfície lisa era eu.

Metonímia do desejo,
Recurso espetacular,
Solidão eu mal vejo,
Dentro desse céu que vira mar.

A gota d´água descia,
Pela testa até o nariz,
Saltava dessa ponte para os lábios,
Fazia curvas pela boca, atriz,
E deslizando pelo queixo,
Vertendo pelo meio,
Escorregando pela garganta,
Caminhava pelo seio,
Lavando o ventre,
E a pele branca,
Abraçada pelo quadril,
Chegava até o gênesis,
Concluindo na perna,
Coxa, céu, anil,
Até cair exausta no chão,
Saindo pela ponta dos dedos,
Ou gotejando quase intacta pela mão.

Incontáveis gotas passeando e molhando teu corpo.
Cada gota era eu.
Cada gota.

sexta-feira, 4 de fevereiro de 2011

A Atração

A atração é um enigma. O cheiro, a cor, a harmonia, o olhar, o brilho dos olhos; o movimento, a dança, o corpo, a fala, mansa, autoritária, expressiva, ou misteriosa.

a beleza é um complemento, não um sinônimo. Tem beleza que dá medo. Beleza é Sustentáculo. Enigma à parte. À parte, e nos parte. Ao meio, em dois, e um milhão de pedaços.

A inteligência no próximo nível é uma flor azul. Já se passaram os sentidos, menos o tato, que ainda virá. Agora vem o jogo das palavras, a retórica, as insinuações, as propostas, as delicadezas, as brutalidades, os sonhos, as aspirações, as mentiras, as fantasias. O espírito que fala, a essência é nessa parte.

E uma vida não é constituída de sexo e carícias.

Uma vida é constituída de sentimentos e razão. Virtudes e sonhos em comum.

Uma mulher não se apaixona por um homem pelas suas virtudes.
Mas as suas virtudes a mantém apaixonada.

O Homem não precisa de virtudes.
Alguns não se apaixonam.
Os que se apaixonam, escolhem mal.

Os mais inteligentes são os que fingem que amam. O oscar, prêmio de melhor vida, longa e falsa vida. A maioria não se divorcia.

Voltando a sequência: as falas foram arrumadas, os roteiros dos exigentes está pronto, toda obrigação moral e cívica foi cumprida.

Agora começa a dança das peles, o esvoaçar de cabelos, a afiação das unhas, a animalização, mais que bem vinda. Amarrotagem de lençóis, arremessamento de travesseiros, depenar de cisnes, mergulho de almas, sinfonia de urros e gemidos.

Prazer que dói. Dor que pede mais.

Quem tem o poder da atração?
Dom da concepção, dádiva da genética, presente do alinhamento interplanetar?
Ou... Auto-polimento, poda, crescimento, observação, carapaça de mentiras... Uma atividade completamente racional.

E o instintivo? A parte do corpo, do cheiro, da dança... Seleção Natural? Uma raça melhorada ao longo das eras não para gerar sábios e engenheiros, mas sim uma população perita em trepar. Engenharia genética para melhorar a performance da foda.

Atração é instintiva. Gera. Move.
Pra quê?

quinta-feira, 27 de janeiro de 2011

Cry Cry Cry Cry Cry Cry...
O Grilo
Dá tristeza
Da solidão
Dá noite.

Moon moon moon moon moon moon...
O Boi
Dá sono
Da noite
Da cara preta.

Bee bee bee bee bee bee...
Ser dois
Dói
Feito abelha
Morte
Confusão.

Tu tu tu tu tu tu...
Esnobe
Francês
O Outro
Fofoca
Superfície.

Get get get get get get...
Fausto
Mefistofeles
Ganância
Da alma
Da vaidade
Sina.

Good good good good good good...
Deus?
Beba
É bom
Viver
Não é preciso
Pode ser vinho
Do Porto.
Nada como a morte para curar a vida, como se uma mulher amasse um homem pelas suas virtudes.

domingo, 23 de janeiro de 2011

O Nome da Pedra




O Nome da Pedra

Nosso adeus foi no silêncio,
Na conclusão de uma madrugada,
Saímos ambos atentos,
No silêncio do outro,
Mais nada.

Nós dançamos na chuva,
Que lavou os nossos corpos,
Escorreu pela nossa pele,
Éramos molhados e tortos.

Truque do desejo,
Meu nome tu nem lembras,
O teu eu não faço ideia,
Somos vultos apenas.

O mesmo nome a mesma música,
O que nos une é uma pedra,
Eu não ouço o meu grito,
No silêncio da Treva.

Eu saí pensando em ti,
Tu saiste pensando em quê?
Me despi da noite, da praia,
Da chuva, de você.

Oxitocina


Oxitocina


Leite que jorra,
Luz que se expôe,
Afeto que brota,
Vício que se impôe.

Raiz que é da flor,
Flor que é da raiz,
Desabrocha o amor,
Pétalas anis.

Seja semente de mim,
Ou fruto composto da tua face,
Sabor que guarda o fim,
Ou o começo, quem sabe?

A retroalimentação,
Positiva por natureza,
Carrega a dor da ilusão,
E enche a vida de beleza.

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

O Sapo




O Sapo

Ele canta na madrugada,
Pede licença às curujas,
Uma ode à lama, às poças,
Ao mato, ao céu estrelado.

Ele come estrelas,
Um banquete luminoso
De vagalumes solares.

Ele bebe a lua,
Gládio prateado que corta a lagoa,
Lâmina agreste.

Ele foge do ferro em fogo,
Que atravessa sua traquéia,
Falso vagalume.

Ele foge da morte salgada,
Chuva marinha,
Que anuncia a dor e fim.

Ele foge do São João,
Mira dos fogos,
Crianças que erram o céu.

Ele tem veneno nas costas,
Pra facilitar o apunhalar da serpente,
Que com o seu silêncio se alimenta.

Ele canta no breu, na incongruência,
Bardo das veredas do Sertão,
Afunda na lama, na sua inocência.

Sua pele se alimenta de sombras,
Suas pálpebras de solidão,
Seus sonos de sonhos aéreos,
Trocando o lamaçal pela amplidão.

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

Autômato




Autômato

Cai gota a gota,
Como a vida que se esvai,
Sobrando apenas o reflexo,
Da ciência inválida e incerta.

Cai a gota da paciência,
Da força e da felicidade,
Cansaço que não tem idade,
Nem chega na hora certa.

A correnteza leva tudo,
A vida nem tem pieadade,
Da fraqueza, da solidão,
Quando mais da inabilidade.

Eu cansei da vida,
E também cansei da morte,
Já vivi demais em sua sombra,
E gozei muito de sua sorte.

Autômato por destino,
Luto por um rei que não conheço,
Não tenho sonhos nem amigos,
Nem faço de Deus apenas um terço.

O Silêncio dos Pássaros





O Silêncio dos Pássaros

O Rouxinol não canta do mesmo jeito,
Seu canto murchou,
Sua garganta perdeu a vida,
As cores, o som, a alegria.

Também já não é Acauã,
De canto agourado,
Que traz a seca e a morte.
Nem a tristeza agora é motivo pra se cantar.

Um dia foi Assum Preto,
Canto cego de dor,
O Véu Negro que espalhava
Ignorância, força e temor.

Asa Branca que não voltou,
Esperando que caia a chuva,
Assum Branco que desapareceu,
Deixando nas veredas e no sertão,
Que ecoem livres,
O silêncio e o breu.

Ganso triste e odioso,
Boiando na insanidade,
Pensa que é cisne, rancoroso,
Choro velado no silêncio,
Geme talvez,
Por piedade.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Um Nazgul na Calçadinha




Nado era um típico Nerd João Pessoense, viciado em Senhor dos Anéis, misantropo, devorador de livros, e pronto pra cursar medicina. Não tinha amigos, muito menos paqueras. Estava estressado com o vestibular, quase entrando em parafuso com a vida ridícula que levava, quando um dia teve uma ideia genial:

- 'Vou me vestir de Nazgul daqui em diante.' Disse Nado. Comprou o que precisava, manufaturou as vestes pretas e as armaduras metálicas de verdade. Sua mesada era vasta como os domínios do Mestre Sauron em Mordor, e sua sabedoria na manufatura de cosplays ultrapassava a de Saruman, Gandalf, Elrond e Radagast juntos.

Ficou pronta. Foi jantar com ela. Os pais na mesa, dois funcionários públicos conservadores, olhando pro "filho" encapuzado, sem o rosto à mostra, parecendo o demônio entrando na sala de jantar.

- 'Melhor não dizer nada', sussurrou a mãe. 'Vai passar, é só uma fase, uma neurose'.

Nado dormiu com a fantasia. Não antes de fazer algumas reservas para quando precisasse colocar pra lavar as outras. Virou um exímio costureiro de mantas negras longas. Pena que não era mais Idade Média. Ia ter que ser médico para ganhar a vida, ou coisa do tipo.

Passou a semana inteira, em todos os lugares vestido de Nazgul. Na padaria, no Shopping Manaíra, na Calçadinha. Não é necessário descrever a reação das pessoas. Poucos ousavam perguntar, e os que perguntavam eram respondidos com 'A sombra da morte cai, as vezes, de forma alegórica, e outras de uma forma um tanto literal, sobre nossas almas'.

De pânico a ataque de risos, Nado não passava despercebido. Começou a chamar muita atenção.

Em alguns lugares, claro, ele não era bem vindo. No colégio por exemplo, ele so pôde usar uma capa mais leve. 'Nada na "legislação" do colégio proibia tais "casacos"', disse em sua defesa ao diretor, que relutantemente cedeu sob pressão de um processo, e talvez de uma espadada do "louco".

Fez amizades, talvez até seguidores. Outros Tolkianos o admiraram. Outros invejaram seu poder. Começou a ir para as raves vestido assim. Seu sucesso entre as garotas foi impressionante! Algumas tem uma queda por lunáticos, outras por góticos, outras por pessoas estilosas e originais. Ele, aparentemente, tinha tudo. Virou sócio do Excalibur.

Passou no vestibular de medicina. O tema da redação era um tanto difícil e estranho aos alunos e professores: a influência da literatura inglesa da década de 50 sobre a nossa vida contemporânea. Foi um dos únicos alunos a fechar a prova. Os professores, pelo visto, também eram fã de Tolkien. Nado daria a melhor aula sobre a geografia de Rohan, a história de Rivendel, os estudos sociológicos em Bree. Ele daria uma aula sobre tudo isso, imagine uma redação sobre a influência do seu escritor maior?

Nado parou de ser assaltado. Os malandros tiveram medo de sua possível 'Inskizofrênia', como diziam entre si enquanto ele subia a Epitácio, em seus mantos. E um uma vez um deles se atreveu a tentar, numa crise existencial 'Doido nenhum pode comigo e meu canivetezin'.

- 'Passa tudo', disse o assaltante. Nado só fez desembainhar a espada enorme, presente de formatura, afiada, e finalmente pôde ativar o sistema de som que além de transformar sua voz em sussurros macabros, soltava os guinchos de terror draconianos típicos do filme numa altura absurda. Coisa de arrepiar os cabelos até do Padre Quevedo. O assaltante correu até a Estação Ciência até o medo diminuir um pouco.

Eram hilariantes os momentos também em que ele passava na frente da Universal em momentos de culto. Indescritíveis. J.R.R. Tolkien teria inveja de não ter inventado essa narrativa.

Nado x Os Crentes da Universal.

Virou noticia. Passou no Jornal Nacional. Deu uma entrevista pro Fantástico, editada com tons debéis na transmissão. Não se importou. Tinha já uma legião de fãs. Os que tiveram coragem tentaram imitar, foi interessante no começo, mas nenhum teve tanto coração, afinidade e talvez falta de noção o suficiente para persistir. Ele permaneceu único e imaculado na sua originalidade.

No Carnaval ele chegou a se vestir de Witch-King. Nas festas Cosplays de Sauron. Como se o Nazgul se fantasiasse de seus mestres. Ele permitia nessas horas sair da monocromátisse mórbida. Mas seu cotidiano era Nazgul.

Começou a ir para a faculdade vestido assim. Teve problemas com a reitoria, mas nada que um agrado (e uma ameaça não resolvam). Ele já tinha amigos poderosos. Permaneceu na seu uniforme diário e inejoável. Uma simbiose entre a roupa e sua alma, como ele mesmo descrevera.

Ele manejando os corpos do IML era um espetáculo à parte. Filas e mais filas se formavam vendo aquela cena macabra e irônica.

Se formou. Passou na prova da residência. Foi pro Hospital de Traumas. Terminou e montou uma clínica psiquiátrica. Era temido e amado pelos pacientes. Sim, ele dava consultas como Nazgul. Não, ninguém o impedia.

Casou e etc.

Os anos foram passando, suas roupas amarrotando, envelhecendo, ficando cada vez mais reais. E a vida foi tirando aos poucos o que lhe fora dado no começo. E por fim, aos 82 anos, com uma vida próspera, Nado morreu. Vestido de quê? De Nado. Ou pelo menos era isso os que os parentes achavam. Mal era reconhecido sem suas lúgubres vestes augorentas. Uma linda senhora companheira, 2 filhos e 1 neto. Uma vida cheia de amores, realizações, desafios, conquistas, originalidade, racionalidade, força, e imaginação. Mas até no velório diziam que ele não batia bem da cabeça. Mas com 82 anos, poucos permanecem com a mesma lucidez da juventude não é mesmo?

domingo, 19 de dezembro de 2010

The Skyline´s Dream


The Skyline´s Dream

A new light over an old shadow,
With a Sun´s essence,
And bright in the eyes.
The Sky´s smile,
Like a dawn in the Ocean.

The flash can be marine,
Indigo like a siren song,
Almost Glacial.
The other face of the mirror,
The reflex of the Vast.
Deep like a mother´s heart.

My Darkness need one of them,
The Cold Navy,
The warm Scarlet.
It doesn´t exist a Ligthing Purple.
Not in this life.

A kiss of two edges,
They want to become one,
But the thin wire of life
Do not allow it.

Eternity and endless,
Two Titanic souls.
A dream so impossible,
That dares the own Destiny purpose,
Of The Sky,
Of The Sea.

quarta-feira, 15 de dezembro de 2010

Carcarás das Cataratas




Carcarás das Cataratas

Se no Sul tem Carcará,
Por que ele é Nordestino?
Se eu o vi no Paraná,
Mas o via antes desde menino?

Carcará: pega, matar, e come.
O Carcará seria um homem?
Que veio provavelmente num Pau-de-Arara
E matou a Arara no meio do caminho.

No Sertão ele mata Tatu,
Nas Cataratas mata Quati,
São Francisco ou Iguaçú,
Sabiá e Bem-te-vi.

Garra que cresce na carne,
Bico que se amontoa em vísceras,
Fétido de urina e sangue,
Brilha por ser narcizista.

Lixa



Lixa

Cai e bate na pedra,
Percorre e cai no Mundo,
Moldando a Pedra, e o Mundo.

Sopra e risca a pedra,
Voa e risca o Mundo,
Desenhando a Pedra, e o Mundo.

Queima e consome a pedra,
Se espalha e consome o Mundo,
Forjando a Pedra, e o Mundo.

A Pedra é própria Pedra,
Onde a Pedra é o próprio Mundo,
Sendo todo o mundo uma mesma Pedra,
Como uma pedra, por ser pedra,
Ou mesmo por ser mundo,
Lixa outra pedra?

domingo, 12 de dezembro de 2010

Desculpem pela tela monocromática de tantos posts. Ultimamente minha vida ta um tanto branca e preta mesmo. Só Chaplin fazendo leseiras ao fundo de bom mesmo. (Adoro quando ele come cocaína na prisão).

Olha só, que avanço, já estou escrevendo para interlocutores. Sem a distância fria e mecanizada. Vou variar.

Estou em Curitiba, e indo para o Paraguai. Uma viagem básica de 9 horas no ônibus, sozinho. Meus pais e uma galerinha ai vão de carro mesmo. Aqui de 09 horas da noite o sol começa a se pôr. Porra, seu relógio biológico vai pro inferno.

Sim, quanto aos poemas só consigo escreve-los nas aulas de matemática. Efeito maconha, viajo tão longe para outros lugares que acabo me inspirado com a menor das ideias. Eu posso escrever um poema na hora que eu quiser, mas só fica divertido e com qualidade quando me vem uma ideia original. Se eu escrever alguma coisa vcs ja podem imaginar pelo quê eu substitui rsrsrsrs

Ansioso pelo pss. Medo de não passar. Me fudi no pss2. Mas meu maior problema é a solidão que me consome por dentro.

"A solidão é fera a solidão devora, é amiga das horas e prima-irmã do tempo, e faz nossos relógios caminharem lentos, causando um descompasso no meu coração."

Alceu Valença.

Estou sozinho de mim mesmo. Junto somente das minhas falhas e vícios. Pelo menos sou livre de mágoas. Leve e triste como uma neblina. Eita, olha um motivo original ai pra um poema.

Quem vai para Maria Bethânia? rsrs

Até o nome dos acessórios mediévais de Senhor dos Anéis estão sendo batizados com um nome ai...
Ta foda.

"O amor é uma força da Natureza." E ta pior do que chuva ácida, furacões, maremotos, erupções e tempestades de raio ao mesmo tempo.
Ta foda.

"Você atravessando aquela rua vestida de negro,
E eu te esperando em frente a um certo bar leblom,
Você se aproximando e eu morrendo de medo,
Ali bem mesmo em frente a um certo bar leblom.

Quando eu atravessava aquela rua morria de medo,
De ver o teu sorriso e começar aquele velho sonho bom,
E o sonho fatalmente viraria pesadelo,
Ali bem mesmo em frente aquele velho bar leblom.

-Vamos entrar
-Não tenho tempo
-O que é que houve?
-O que é que há?
-O que é que houve meu amor, você cortou os seus cabelos?
-Foi a Tesoura do Desejo, desejo mesmo de mudar."

Alceu Valença. De novo.

Essa música eu escuto incontáveis vezes, nunca me enjoo, e sempre descubro uma coisa nova.

Sim. Desejo de mudar. De explodir, de viajar pra bem longe e demorar muito pra voltar. Eita, só falta explodir.

Nossa, como viver dói ¬¬
E amar é uma cauterização diária.
E amar quem não se deve é ser impalado por uma lâmina de ferro em brasa. Todo dia.
Cupidos sádicos deveriam ser decapitados nera não?


Me chamaram de hipócrita ontem... ern... Se eu sou hipócrita eu to aproveitando isso muito mal :P

Esse post ja ta virando quase uma consulta no analista. Só falta ele responder dizendo que eu não tenho cura hahahahahaha :P

Vocês preferem assim, ou a unilateralidade múltipla de cada um dos meus poemas? Queria poupar as pessoas de lerem essas besteiras. Mas as vezes as letras e a solidão são mais fortes do que o meu altruísmo diminuto. Bem diminuto.
Quero comentários. O que der na telha. Para exaltar, esfaquear, ou os dois.

Bid my blood to run, meu sangue ta coagulado demais. A signal of life. Any.

A vida que brota no papel é amorfa, abstrata demais, e ultimamente sem cores. Nada comparado aos canteiros multicoloridos desbotados pelas minhas cataratas do Iguaçú.
Acho que isso foi porque perdi um bom poema chamado Vida. Ela ta se vingando. Já ta bom né? Ja descontou demais, 56x1 pra vc.

Não, eu não fumei nada. Juro.

quarta-feira, 1 de dezembro de 2010

"Peço que não faça como a gente vulgar, que é sempre reles; que não me volte a cara quando passe por si, nem tenha de mim uma recordação em que entre o rancor. Fiquemos, um perante o outro, como dois conhecidos desde a infância, que se amaram um pouco quando meninos, e, embora na vida adulta sigam outras afeições e outros caminhos, conservam sempre, num escaninho da alma, a memória profunda do seu amor antigo e inútil."


Fernando Pessoa.

segunda-feira, 29 de novembro de 2010

http://www.youtube.com/watch?v=BDcFa16ZisY
"Eu vou lhe contar que você não me conhece.

Eu tenho que gritar isso porque você está surdo e não me ouve.
A sedução me escraviza a você, ao fim de tudo você permanece comigo, mas preso ao que eu criei e não a mim. E quanto mais falo sobre a verdade inteira um abismo maior nos separa.
Você não tem um nome, eu tenho.
Você é um rosto na multidão e eu sou o centro das atenções.
Mas a mentira da aparência que eu sou e a mentira da aparência que você é, porque eu não sou meu nome e você não é ninguém. O jogo perigoso que eu pratico aqui, ele busca chegar ao limite possível de aproximação através da aceitação da distância e do reconhecimento dela.

Entre eu e você existe a notícia, que nos separa.
Eu quero que você me veja a mim.
Eu me dispo da notícia. E a minha nudez parada te denuncia e te espelha.
Eu me delato, tu me relatas.
Eu nos acuso e confesso por nós. Assim me livro das palavras com as quais você me veste."

[recitado por Maria Bethânia]

Calafrio



Calafrio


Que força que você tem no olhar é esta?
Estarrece meu ser, tira meu ar,
Trinca meus ossos, range meus dentes,
Gela meu âmago, ferve a minha carne.
Um calafrio que percorre a minha espinha.

Não sei se é a tua força,
Ou a minha fragilidade que o permite,
Me mata aos poucos, de um jeito bom.

A minha fraqueza é a força do teu ser,
A capacidade que me sobra, com gosto de mágoa,
Que me sobra em não te deixar perceber.

Mas eu falhei, e até nisso teu poder me incapacita,
Que domínio absoluto é esse?
Que o teu vazio tem sobre o meu denso?
A tua Sombra que encobre o meu Sol.
Teu nada que subjuga o meu tudo.

Mas eu sou reconhecido pelo meu nome,
E você não é ninguém.
Eu sou a luz que ilumina as trevas,
Você é mais um rosto,
Bonito e ignorante a andar na multidão.

Eu sou eu, e isso me basta.
Você a sombra que só É porque eu Sou,
Necessita da minha luz para poder Ser.
Eu sou Pedro Antônio,
e você, quem é?

quarta-feira, 24 de novembro de 2010

Os Assums Do Mediterrâneo


Os Assums Do Mediterrâneo

Cansei desta guerra inútil,
Helena não vale tanto assim,
Pátroclo está morto,
E Heitor, de olhos verdes, o matou.

Os ventos do Oriente pararam de soprar,
Não há mais razão em se brotar flores de ametista,
Elas agora podem ser apenas flores funerárias,
Jogadas na pira de meus amigos e do meu amado.

Heitor, arrancastes um pedaço de mim,
Me devolvestes a realidade matando os meus sonhos.
As Muralhas de Tróia são realmente impenetráveis,
E eu permaneço na praia, cansado, fracassado,
Onde apenas os barcos e a dor me fazem companhia.

A lâmina fria e cega que rasga a traquéia,
O sangue que corre quente, chovendo metálico na areia,
Tirastes a única coisa que ainda tinha valor,
Oh nobre Heitor.

Por que não cravastes logo a lança no meu peito,
Para as farpas então trincarem de vez meu coração?
Sangue sem uso e desperdiçado,
Erguido de Têmis pela mão,
Não só o calcanhar não foi banhado,
Como esqueceram de proteger nas águas,
Meu fastigado e inconsequente coração.

Meu querido e amado Pátroclo,
Tua pira irá brilhar para sempre na história,
Enfeitada pelas lágrimas e pelos urros lancinantes de dor,
Competindo com as mais belas deusas,
Só pela beleza de morrer sem antes ter existido.

Tua falta me dói demais,
Meu leito está muito vazio,
Mais oco do que as palavras que tentam consolar.

Sabia que os assuns tambéem permeiam o Mediterrâneo?
E o assum preto canta mais alto do que nunca,
Em sua dor cega ele agoura minha alma,
Engaiolada neste litoral penoso.

Assum branco parece que não há,
Pássaro onírico que não volta das cinzas,
Mora nos campos verdes da esperança,
Incendiados pelas tochas da realidade,
E pelas incansáveis piras da derrota.

A ironia é que no templo de Apolo,
As vestais que eternizam sua chama.
Apolo, não fui eu que matei Jacinto, não se vingue de mim,
Foi o Vento do Leste, também.

Imcompreensão, inveja e desejo...
Mais violentos que a prórpia vida,
Viver é muito perigoso...
Sempre foi.

A Benção Verde




A Benção Verde

O sertão sou eu,
A força que nunca cessa,
Vida que brota na seca,
Flor que brota na pedra.

Esperança de chuva,
Terra que tem sede,
Espera dos céus,
A benção,
Que explode,
Verde.

Um oceano de vida,
Clorofila que toma conta,
Terra mais que fértil (generosa),
Só precisa que chova (a dança).

O menino é ventania,
Que traz areia pro meu terreiro,
Traz seca e morte,
A menina é a lágrima,
Sal que traz sorte,
Dor que chora e floresce a terra,
Em soluços de enchentes, vida e morte,
El niños que brincam de Deus.
Fazendo do meu terreiro, seus,
Maniqueísmo de água.

segunda-feira, 15 de novembro de 2010

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O amor em sua forma mais pura e bela toca tudo por onde passa. Mancha tudo com luz. E nós, ímpios vazios, sedentos por vinho, vorazes por carícias. A solidão é nosso maior medo, nem que seja a o medo de se separar da sua lucidez.

Em nossa estupidez ignoramos os avisos do corpo, o repúdio e a preservação. A dança onde a vida e a morte se confundem. O nosso impulso de se completar é tão forte que na turbulência de nossas emoções nós nos perdemos, e confudimos amor com consumir.

Métricas, rimas, imagens, técnicas... Apenas minhas tintas bonitas para retratar o mesmo caos visto de um ângulo diferente. Tudo é Caos e Egoísmo. Vontade de existir e crescer em tudo. E a pressa de ler que engole as palavas pesadas onde cada uma guarda mil sentidos diferentes em si. Os sentidos se perdem no vazio do cotidiano.

Queremos tanto, tanto... E nem sabemos o quê. As vezes até pensamos que sabemos.

- O que você quer? Ser feliz?
- ...
- Resposta velha.

Já estamos a tanto tempo nesse mundo e continuamos empty do mesmo jeito. Geladeiras, eis a diferença.

O que pode nos libertar?

- Liberte-se!

Uns dizem que alguma coisa está aí, em cima, mais forte, e superior. Outros acham que a vida em si já é uma dádiva. Só sei que quando ando sozinho pelas ruas à noite e a solidão toma posse de mim, nada pode me consolar. Me curo pela dor. Aos poucos.

Deus não fala, ja repararam? Alguns dizem que fala. Bem, quando ele falar comigo posso até concordar, até lá não sei.
Deus não fala ou nós somos surdos? Orgulho ou defeito de fábrica? E se ele não fala porque não tem boca, porque não pode? Seja como for, eu tenho mais medo do silêncio dele do que dos meus erros, da minha sina. Triste sina.

segunda-feira, 8 de novembro de 2010

To Silence and Pain




To Silence and Pain

The tear drops, bright,
Lightining the face, river,
Crafting sorrow? Pain,
Or showing what was already there?

Embers in the wind, reality,
Blazes of passion, the dream,
Rain? Life´s joke,
Or inevitable consequence?

The silence is in the room,
He speaks english,
Just like you,
Bringing forggoten memories,
Silence and Pain. Saudades.

"Miss us", is not enough,
I still want your shadow over me,
Teaching me new retorics tricks,
Annoying my soul.

Tell me that it was not just lies,
Was not just hot blood,
Falling, turning ground into red,
From my bleeding heart,
Dilacerated by your ilusion´s.

Sade seems so sad,
Now that you´re not here.
I´ve never liked to hear the cat growning,
As you always hated to hear me to sing.

Cleaverness was a colourfast word,
When I used to listening you to talk.
But love was a gray paint,
Our life´s ashes in the wind.
Deus conversando com Adão e Eva:

“Olha só: cês andam pelados, brincam pelados, se abraçam pelados. Mas sexo, meus filhos, não pode. Ter tesão é motivo pra arder no inferno, apesar de ser algo natural. Mas ó: papai ama vocês, tá?”