quarta-feira, 30 de novembro de 2011

E com um beijo na rosa negra da solidão e do cinismo, me despeço. Arremeço-a. Tu a seguras. Não tenha medo dos espinhos, os espinhos são a própria vida. As pétalas é que são as ilusões.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Shivers



Os tambores percorrem as ruas da cidade,
Clareando o breu dos casarões assombrados,
Afastando as sombras e os gritos,
Das moças emparedadas,
Dos prédios engendrados,
Das moças assaltadas,
Da imprensa ensanguentada.

Oh, oh!
Ganzá, surdo e ingonos,
Rasgando as trevas da cidade morta!

E a banda, por onde passou,
Trouxe luz,
Acendendo os céus e a madrugada,
Acordando quase vivos e fantasmas.

Atravessou a noite,
A rua da Moeda,
A rua do Judeu,
A ironia da Bom Jesus.

Naquela noite,
Ninguém teve medo,
Ninguém sofreu.

Só quem amava, mas por opção.
Mas nem os amantes tiveram medo,
Naquela noite, enfim, ninguém teve medo.

E os corações batiam juntos,
No compasso do tambor,
Sincopados com alma, que vibrava.

E as vozes entoavam cantos negros,
Luanda se fazendo presente na rua,
Banzo que impregnava na pele.

E os olhos da multidão que passava e via,
Brilhavam,
Lamparinas na escuridão.

Nas sete pontes o meu coração pulou,
Naquela noite a voz era o tambor,
Shivers.
Muito obrigado,
Meu Maracatú Oriental.

segunda-feira, 21 de novembro de 2011

PAC

A Angelitude pode se mostrar de diversas formas, num rosto, num corpo, num cheiro, na voz, numa obra, numa ação.

Façamos o seguinte:

Me empreste seu rosto, que eu faço uma Ilíada.
Me empreste seu cheiro, que eu cantarei Tenderly.
Me empreste seu corpo, que eu te empresto o meu, e iremos fazer um PAC.

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Lumes Difusos


Lumes Difusos

Constelações Dinâmicas,
Estrelas aleatórias,
Fugindo das linhas que meus olhos traçam,
Dançando nas trevas e redesenhando a noite.

Vaga-lumes que sobram,
Percorrem a escuridão,
Randomizam a luz,
No compasso da minha solidão.

Cada um é de um tom,
Uma luz dos olhos que eu conheci,
Agitam o vermelho do som,
Na sinestesia em que amanheci.

Quando me aproximo as luzes se tornam difusas,
Quando me afasto, elas ganham brilho,
Quando pego o vaga-lume na mão,
O lume se torna tão vago,
Engolido pela escuridão.

E seu brilho só é bonito na distância,
Perto dos meus olhos, longe das minhas mãos.
O brilho frio e corrupto da fantasia.

E na minha noite,
Só o que continua brilhando é a promessa,
Enquanto eu danço, sozinho,
À luz dos lumes, que vagam,
Solenes, inertes, indecisos.
Difusos.

domingo, 13 de novembro de 2011

Lanternas Chinesas


Para cada lágrima tua eu tenho um ombro,
Pra você molhá-lo quantas vezes precisar,
Cada vez que ela ilumina tua face,
Com sal, mar, saudade e dor,
É uma represa que se rompe,
Sangrando a tua alma em flor,
E molhando a minha camisa,
E o meu rosto com a tua cor.

Suporte as tempestades desse mundo ao meu lado,
Agarre a minha mão, com força,
Um só navio,
Que descreve um arco, em pedaços,
Pois eu o ateei fogo,
Logo quando meu sangue errou de veia, náufrago.

Somos dois origamis em dia de chuva.
Você é a simetria,
E eu sou a incoerência.

Nos cortamos no ar pela água,
Katana, Haraquiri,
A vida, um Haikai.

Lanternas chinesas que a própria chama consome.
Vermelha, em sangue, em brasa,
No ar.

Para Mariana Adelino

Soulless

Deveria o Poeta pagar direitos autorais para as suas Musas?
Mas, antes, que semântica carregam hoje essas palavras, poeta, e musa?

Quando eu escuto isoladamente, têm conotações tão bregas que me doem.
Sem pensar muito bem na profundidade, o significado que me vem automático, do Poeta, são aqueles velhos de bigode do século passado, se ajoelhando com os braços abertos, bem teatrais declamando uma poesia bem tosca e cafona para a sua Musa.

"Oh, minha amada, pérola negra dos teus olhos! Que me enfeitiçou como uma cigana que faz boquete enquanto canta ópera!"

(Se bem que essa tá sensacional)

A musa, você sé consegue pensar naquelas mulheres gordas, sentadas num canto, que conseguem ser mais ridículas e impotentes que os próprios poetas, por se deixarem impressionar tão facilmente, se embevecerem com coisas tao inúteis quanto uma poesia ruim. Soulless, os dois.

Poeta, no sentido mais puro e original, é aquele que vê tudo além da matéria. Filósofo, médium e coletor do infinito. Pega a alma, a essência das coisas com a mão. A essência da natureza, de suas águas, de seus rios os quais cada um tem um âmago diferente. De seus ares e de cada árvore, cada pássaro, cada flor.

Mentaliza, articula, arquiteta e transmuta num papel, numa sequência de ideias limitadas pela língua, pelo tempo e pelo espaço, coisas tão etéreas, atemporais e sem local quanto a essência de algo. Tenta escrever em verso, ou não, num papel, um tanto de alma.

Musa é a matéria-prima de alma, de vida, de essência, de força, de luz.
Ser Poeta é complicado. Ser Musa não.
Poeta para se ser, tem que se fazer.
Musa para se ser, basta ser.

Cada um tem seu benefício e seu fardo.
O Poeta rearticula a beleza.
A Musa é a beleza.

Mas nenhum dos dois se escolhe. Se nasce. Uns se aprofundam no ofício, outros não. Muitos tentam, e só. No fim, o que vale é sempre uma questão de alma.



Ps: Quanto a primeira pergunta, láaa em cima, deixo pra vocês me responderem nos comentários. O que acham? Rsrs.

quinta-feira, 10 de novembro de 2011

Espelho D´Água


Eu sou Espelho d´água na relva,
E se tu me apareces como flora, verde e sustenida,
Eu te passo como são realmente teus contornos e tuas matizes.

E se tu me apareces como céu, cerúleo, celeste, sublime e bemol,
Minhas águas serão anis em tua homenagem, no mesmo timbre.

Mas se tu me apareces de branco, e traz no teu sorriso um quê de orquídea, eu já nem consigo te refletir em mais nada, porque o perfume da tua pele, em flor, roubou os meus sentidos, e tua luz já vem em todas as cores.

E ai eu já não consigo mais fazer nada, e eu me torno teu, por inteiro, e por pedaços.
Em cacos, refletindo teus olhos e o teu sorriso por todos os ângulos,
Despido de filtros.
Despido de mim.

domingo, 6 de novembro de 2011

Darling,

Se vem a seca, e cinza ficam os teus olhos, não desespere.
Eles são como o sertão, que quando chove refloresce.
E tuas flores e teus verdes irão brotar de novo, só espere,
Quando a chuva chegar,
Trazendo vida à terra,
E cor aos teus olhos.
Verás através de minhas águas,
O infinito num espelho e mais.
Send In The Clows

Audrey Hepburn

"Há certas sombras de luz que podem partir uma garota no meio."

Breakfast at Tiffany´s.

sábado, 5 de novembro de 2011

D-d-D-D-d-d-D-d-dD -d D -d... Eus

O que é Deus? - Ora, é Deus! Só Deus sabe.
Quem é deus? - deus é um cara sentado lá em cima, que as vezes ta de bom humor, e as vezes não, e tem um senso de culpa logus externo incrível.

Os ateus estão certos, deus não existe nem nunca existiu.
Já Deus, eles nem sabem o que é, e pouco importa por enquanto.
São Tomés são sempre necessários.

Deus não se irrita, mas ficaria irritado se pudesse da forma que andam tratando ele como deus. E gritaaaaaam por ele, xamando-o de surdo. Fazem questão de apontar sua velhice e masculinidade. Ora! Ele se ofende ao ser limitado como uma figura paterna, que é tão cheia de falhas.

deus gosta de ser chamado de pai.
Deus nem se importa, mas se ele se importasse, gostaria de ser chamado de mãe.
Ou a natureza em si,
Ou a força.

Mas ele tem coisas mais importantes pra resolver, e enquanto na nossa língua não conseguirmos usar um pronome para indicá-lo, sem limitá-lo ou irritá-lo até o talo, ele vai se fazer de môco.

E para meus pequenos amigos crentes espalhafatosos:
Quanto mais você grita, menos ele gosta (y)

#Fikadika

Moral da história: deus é uma coisa. Deus é outra. Aprendam a diferença.

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

A melhor das razões

Mas vá, fale mais sobre ela, a sua sacerdotisa que você tanto ama, sacerdotisa de si mesma, e de vocês dois. Eu sei que você a ama, e ela ama ter você por perto. Não é tão simples, é?

Os homens amam sem razão.
Mulheres acham amar a melhor das razões.

Mulheres são incapazes de amar, sabia?
Elas amam o matriarcado.
Seus seios apontam na direção que o futuro vai tomar.
Em frente, mas só na juventude. Só.
O amor de mulher é amar o que se é, e o que se torna:
Mulher.

Elas amam ser mulher,
Só pelo fato de serem mulher.
Elas não amam homens,
Amam a ilusão.
A sombra que se projeta diante da inocência masculina.
Um ombro um pouco mais largo,
E as vezes do mesmo tamanho.
E só.

Afetividade nula.
Atrizes do cotidiano.
Mães.

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

"Vá, mas nao se engane, a vontade de se enlaçar nos sonhos nao destrói a tentativa de se perder nas amarras do lençol com ela, ó, querida Laura."

Luan Andrade Batista.

Sophitia


A mão que amassa a areia,
Transforma o deserto numa flor,
E traz as águas na luz dos olhos,
O calor dentro do peito,
A vida inteira diante do corpo.
Traz o amor em si,
Dentro,
Num sorriso.

E o sol vem só pra brincar com teu cabelo,
Fazendo ele mexer pela aurora,
Púrpura, castanho, dourado.
Reflexo multi-cor.

A vida explode em profusões anis,
Fazendo do cinza, verde,
Transformando abismos em vales verdejantes,
Olhos de quem vê a vida.

Vida que brota só por ter sido assim olhada.
Espelho embevecido de Ceres,
Reflexo exponencial.
Degradé Furta-cor de Gineceus Andróginos.

E o canto se espalha do mar aos céus.
Até o vento da montanha canta,
E os montes e as colinas estão vivas,
E a terra desabrocha em vida, flor e luz.

E o decálogo se quebra no meio!
Junto com todos os outros fragmentos de rocha podre!
Fazendo brotar do sal
Sementes de Lotus ocidentais.
Marinas e Marianas que se partem,
Aflitas,
Por mares de pétalas,
Salgadas.

A vida desponta da mão,
Como num facho de brilho,
Como num encontro de lábios,
Onde a pele é fio, vertigem,
E a língua é roca, queda.

Nem é Deus,
Nem seu plural,
É mais,
É a luz que clareia a alma,
É Sophitia,
Que anda, por andar.

Algum dia,
De algum jeito,
Em algum lugar.

domingo, 30 de outubro de 2011

Erudição?

Destarte, como coroamento desta peça-ovo, emerge a premente necessidade de jurisdição fulminante, aqui suplicada a Vossa Excelência. Como visto nas razões suso expostas com pueril singeleza, ao alvedrio da lei e com a repulsa do Direito, o energúmeno passou a solitariamente cavalgar a lei, esse animal que desconhece, cometendo toda sorte de maldades contra a propriedade deste que vem às barras do tribunal. Conspurcou a boa água e lançou ao léu os referidos mamíferos. Os cânones civis pavimentam a pretensão sumária, estribada no Livro das Coisas, na Magna Carta, na boa doutrina e nos melhores arestos deste sodalício. Urge sejam vivificados os direitos fundamentais do Ordenamento Jurídico, espeque do petitório que aqui se encerra. O apossamento solerte e belicoso deve ser sepultado ab initio e inaudita altera parte, como corolário da mais lidima Justiça.

Equivale


"Deus colocou a música e a harmonia dentro de cada um de nós. O papel da verdadeira música é o de despertar essa música interior que está adormecida. E tão pesadamente adormecida, que, certas vezes, temos a impressão de que já morreu. Deus colocou a noção de ritmo no interior dos seres humanos, dos animais, das plantas e até mesmo das pedras. Um homem que anda, um pássaro que voa, uma folha que cai são prenúncios de dança. No coração do átomo e no balé dos astros, o ritmo e a harmonia foram plantados pelo nosso Criador... Escutar música e apreciar a dança equivale a uma verdadeira prece.

Dom Helder Câmara.





Ps: Depois eu sou o ateu.

terça-feira, 18 de outubro de 2011

Artesão dos Inversos


Artesão dos Inversos

Bate o martelo, Ferreiro,
Erupções aéreas em estalos,
Efêmeras, como a vida,
Outra faísca que deu errado.

Os contornos da tiara tomam forma,
O ouro ganha seus ares de realeza,
E o diamante, branco, entorna
A esquife de mil vidas negras.

A peça de infinita beleza,
Orna os cabelos celestes,
De quem já encarna a tristeza,
De se carregar o que é inerte.

A beleza ama a guerra,
E sua alcova é violenta,
Corrompe a inocência de um coxo,
Por ser tão belicosa oferenda.

Hefesto flagra a cena,
E condena os casais,
Acorrentando como pena,
O leito e a morte que ela traz.

Afrodite encara Ares,
Sentenciada a adorar a morte de frente,
Beijo por beijo, travando os mares,
Rosa por rosa, rangendo os dentes.

Enquanto o Ferreiro se engasga,
Com a flecha preta do ciúme,
Travam no meio da garganta,
Os gritos roucos no curtume.

E o artesão maneja o primordial,
Esmera nas sua criação,
Tirando do ventre da terra,
Um próximo de perfeição.

Mas é coxo e feio.
Poeta dos sonhos mortos,
Dos aços que se partem no seio,
Das belezas frias e inanimadas,
Das reluzes apagadas,
E das obras que param no meio.

De suas mãos tortas se faz o belo,
O ouro a tinir, vitral,
E a luz da pedra que some,
Um espelho convexo inverso,
Da beleza que o consome.

segunda-feira, 17 de outubro de 2011

Pensamentos & Mais - IV

"Para aqueles que tem fome, Deus só se atreve a aparecer em forma de alimento."
Gandhi

"Para aqueles que tem TUDO e um pouco mais, Deus só se atreve a aparecer na forma do nada."
Plágio mal-feito meu

Que uma Galatéia me apareça desenhada pelas linhas dos meus traços.

Será a sina de Hefesto construir as maiores belezas através de seus maiores horrores?

sexta-feira, 14 de outubro de 2011

Aquífero


Aquífero

Cada um é um poço d´água. Uns enormes, cheios de conteúdo, belíssimos, refletindo a luz do sol em vários espectros diferentes.
O Aquífero em baixo de nós é de todos, mas tentamos unir nossas águas por cima, na superfície, o onde reinam as futilidades e a evaporação é implacável, desertos tomam de conta, a irrigação nos consome e nos esgota, hemorragia, e nossas águas correm devagar, tímidas.

Claro, há rios. Alguns tem sucesso ao encontrar outros lagos e cachoeiras para desaguar, belos e poderosos. Mas há também as barragens e as represas. Nem sempre as águas se encontram. Em outros momentos, os Rios caudalosos vão parar no mar, rasgados pelos mangues, na sua própria foz, e por fim sepultados no sal.

Temos que olhar pra dentro de nós e nos achar nas profundezas. Pelo escuro, nos esgueirando entre rochas e microrrochas. Filtrados pela vida, porosa e mineral. A vida é um caminho de pedras. Afinal, é isso que a vida faz: filtra nossas impurezas. Pingando, caindo e escorrendo, deslizando gota a gota até cair nos rios subterrâneos que nos levarão até o Aquífero.

Mineralizados, filtrados, puros e unificados. Serenos Encontraremos nossa paz em comum dentro de nós mesmo, iguais. Pois a água em todo canto é água.

terça-feira, 11 de outubro de 2011

O Porco-espinho



Era uma vez um porco-espinho que vivia muito triste na floresta, pois ele não tinha ninguém para abraçá-lo nas noites frias de inverno. E ele tremia de frio, o pobre porco-espinho. Uma vez, se apaixonou por uma lebre, que tinha um pelo macio, era fofa, generosa e muito divertida, e como o Porco-espinho era muito charmoso e conquistador, conseguiu convencer a Lebre a não ficarem com frio de noite e eles foram se deitar dentro da caverna juntos. Mas que azar da pobre Lebre, saiu toda furada, a coitadinha. Sangrando e magoada, saiu na noite maldizendo o pobre e infeliz Porco-Espinho, que não estava fazendo nada a não ser sendo porco-espinho.

Outra vez o Porco-Espinho se apaixonou por uma Raposa. Sua inteligência, seu pelo brilhante e sua astúcia o fascinavam. Sendo gentil e inteligente como sempre, o Porco-espinho cativou a raposa, e logo a chamou para a caverna, a fim de não passarem frio, já que dormiriam juntos.

Coitada da Raposa. Se furou e se cortou todinha, a pobrezinha. Saiu correndo, jogando palavras de ódio e nunca mais olhando de novo na cara do Porco-espinho que estava muito, mas muito triste.

A Coruja aconselhou o Porco-espinho a encontrar alguém pra dividir a caverna que ele não conseguisse ferir. Lhe apresentou então a Tartaruga, que era muito velha e enrugada, mas graças à sua carapaça nem sentia os espinhos do Porco-espinho. O Porco-espinho, relutante, aceitou. A tartaruga se deitou junto dele, e como tinha sangue-frio, roubou todo o seu calor, e o Porco-espinho, enojado com a aparência da tartaruga, e com ainda mais frio do que antes, não pode mais aguentar.

A Coruja apresentou então o Tatu, que da mesma forma não agradava o Porco-espinho, pois além de feio e sujo, era egoísta, e passou a noite enrolado dentro da sua bola, e no final das contas, deixou o Porco-espinho sozinho e com frio do mesmo jeito.

A Coruja então disse:
- Você precisa encontrar alguém que procure a mesma coisa que você.
- Mas onde eu vou encontrar?
- Você encontrará quem procura quando este alguém também estiver te procurando.
- E como não sofrer mais com os espinhos?
- Você não pode arrancá-los, pode?
- Não, de jeito nenhum, se não eu ficaria indefeso e morreria facilmente.
- Então, os espinhos são parte de você tanto quanto o sofrimento. Se conforme, meu amigo.

O Porco-espinho então saiu muito, mas muito muito muito triste, quase sem esperanças, e com medo de seus próprios espinhos. Começou então a ter raiva de si mesmo, quis arrancar todos os espinhos se esfregando numa pedra, mas eles ao serem empurrados contra sua pele lhe infligiram uma dor terrível. O Porco-espinho desistiu. Desistiu de desistir.

Foi então caminhando até o lago desesperançoso até de desesperanças. O lago era belíssimo, azul, refletia o céu perfeitamente. O sol agradável queimava suave a pele. As noites eram frias, mas os dias eram quentes. Flores começavam a brotar, gélidas, anunciando que o Inverno estava já terminando.

Foi então que quando estava bebendo água se aproximou dele uma Porca-espinha. Foi amor à primeira vista. Os dois tinham muito em comum, procuravam a mesma coisa, tinha o mesmo problema, as mesmas necessidades, e, acima de tudo, as mesmas soluções. Mas tinham também o mesmo medo. O medo agora era duplicado. Os espinhos eram sinérgicos, se multiplicavam e se trincavam. Mas o frio era muito grande. Um frio muito maior do que os invernos. Um frio vazio e deserto chamado Solidão. Os espinhos eram terríveis, mas nem se comparavam a Solidão, que os enlouquecia.

Decidiram então se deitar na mesma caverna, juntos, morrendo de medo. Sentiram dor. O sangue escorreu. Mas o sangue estava quente, e eles chorando de dor e de alegria aguentaram o peso do espinho do outro, e sobreviveram ao inverno mais longo de suas vidas juntos.

A primavera veio, os espinhos diminuíram. Eles aprenderam a confiar um no outro, e as noites já não eram tão frias. A cama de flores agora suavizava os espinhos, e os Porco-espinhos foram muito mais felizes que outros animais, pois valorizavam mais do que nunca o calor que anunciava a Primavera. O calor que vinha de dentro. E se amaram profundamente, e viveram felizes para sempre.

Fim.

domingo, 9 de outubro de 2011

.

Escrever é cantar pelo silêncio.

sábado, 8 de outubro de 2011

Rosa Oriental



Rosa Oriental

Fagulha que incandeia o Sol,
Espalha o atrito das noites frias,
Onde o sangue se pinta na neve,
Ou em anagramas, retilínios.

Aço que enferruja as almas,
Sem fio, cega os horizontes.
Algoz da desesperança,
Corrompido pela vida:
Reflexo de uma luz sombria.

Mas nas montanhas as espadas descansam,
Bainhas que se doam, meretrizes,
Amantes das vertigens,
Abraço de pétala,
Sândalo.

Risca no ar uma ideia,
Som de se cortar o ar,
Sonhar com o mar,
Armadura sincera.
Será?
Que o que corta constrói coisas belas?

Me encandeie lá em Candeias.
Me corte só pelo perfume.
Me roube os sentidos.
Me faça sinfonia.
Tinindo, inefável pelos campos,
Aberto,
Como uma Cerejeira que se poda nos invernos.

Como quem conhece a Primavera e suas flores,
Como quem sabe os segredos de suas Sombras,
Como quem faz sexo pela fotossíntese,
Como quem ama em cada tom,
Como quem ama o rio,
E se enraiza nas suas margens,
Sem poder tocá-lo.

E a chuva são os sonhos,
Respingos de outras vidas,
Fatalidade que sobra, nua.
Em Flor:
Rosa Oriental.

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Subnicks silenciosos

Até parece que os subnicks espalhafatosos da tarde mostram o verdadeiro amor! Quantas e quantas vezes eles não escondem relacionamentos engessados e podres por dentro, com um sorriso bonito e maquiado, máscara, para os outros, sem coragem de terminar e dar a sua merecida eutanásia?

Amor verdadeiro são os subnicks da madrugada, que nem se concretizam, às vezes nem chegam a existir, são aqueles gritos calados, sufocados, acorrentados pelas conveniências ou pelo destino. Quantos e quantos silêncios não guardaram a história de oceanos infindáveis do mais puro, sufocante e sublime amor?

Eu só queria poder ouvir todos rebentarem de vez só numa madrugada qualquer.
Coral mais lindo.

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Silver Night


Silver Night

Endless waters that flows trough me,
Bringing me blue news from above.

That river that runs into my soul,
Found in the sea the perfect road.

The colourfast shine in my eyes,
Reflex of the bright that glows on highs.

Senseless waves that hit my heart,
In a unbreakable search for the pearl´s silver night.

Those who knows the dark,
Knows the need of light,
Can see the abyss´s soft spark.

Open the clam whos can going on,
It hides on the shadows,
The Ultimate Unknow.




This is one of my best shoots. So proud of being able to do things as beautiful as this.

segunda-feira, 26 de setembro de 2011

Príncipe Desencantado

A - Luís levou um fora? Não acredito. Como? Bonito do jeito que ele é?
B - Pois é, vai entender.
C - Talvez ela se interesse por alguma coisa além de beleza.
A & B - Eita, precisava disso? Que coice.
C - Se alguém vai ser o Príncipe Triste Desencantado, alguém tem que ser o Cavalo Branco né?
A - E o cavalo vai ser você?
C - Não, eu vou ser o Burro que fala. Imbecil.
B - Alguém tá assistindo Shrek demais.
C - Deve ser a sua mãe.
A - Rapaz, o Luís levou um fora... não acredito.

sábado, 24 de setembro de 2011

O Tango da poesia


O Tango da Poesia

Escrever é como dançar tango,
As palavras são as pernas,
Os versos são os passos,
As rimas são os braços,
Que entrelaçam coisas belas.

O vestido tem cor,
E a elegância é necessária,
E se corcunda o for,
De Notre Dame se ouvirá a badalada.

As palavras ao serpentearem no chão,
Revelam obtusa a malícia,
De quem seduz a solidão,
E faz dela um bonito broche de ametista.

domingo, 11 de setembro de 2011

Tinta Negra - Corrupção



Tinta Negra - Corrupção

Passa a pena pelo papel,
E rouba o suor alheio,
Urubus de penas infinitas,
E tinta de sangue, preto.

Urubus que voam pelo Planalto,
E que se pintam de Carcarás.
Mas no cordeiro a garra enfia,
E com seu sangue vão se lavar.

E o sangue se mistura com a tinta.
É insolúvel a solução?
Sacrifício, luta e trabalho,
Apanhados pela palma de uma só mão.

E a carcaça somos todos nós,
Que andamos de ônibus em dias quentes,
E ninguém escuta a nossa voz,
Já fraca, cansada e demente.

Berremos.
Ele está no meio de nós.
Corações ao alto.
Nosso coração está no planalto.
Podre, decaído, Ensanguentado.
Amém.

Rosa Negra - Traição



Rosa Negra - Traição

O espinho que entra na mão,
Profundo, que trinca o osso,
Derrama o sangue em vão,
Pela inocência que a segura, grosso.

A Rosa Negra do egoísmo,
Atrai mãos incautas,
Rasga a pele pelo cinismo,
E espalha suas farpas.

A inocência procurou-a no jardim,
Mesmerizada pela opaca beleza,
Pensou que fosse como o jasmim,
Mas da estética virou presa.

Pétalas pretas jogadas no mar,
Sonhos inócuos afogados,
Buquê de insensatez, noir
Nem tangos, nem blues, só fados.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

http://www.youtube.com/watch?v=7v0XhQ_ObIk&feature=player_embedded#!

domingo, 4 de setembro de 2011

Orquídia Negra


Orquídia Negra - Solidão

Semente que é lançada,
Raiz que dança na terra,
Cavando o seu espaço,
Rasgando ondulante a treva.

Orvalho que toca a flor,
Beijo urbano de varanda,
Como um abraço em calor,
Que espalha as profusões insanas.

Ele afastou o cabelo dela
Como quem rearranja um jarro em flor,
Circulando sua face delicada,
Com os dedos por ela deslizou.

Saudade que fica, latente,
Saudade que dói, regente.
Desespero que disfarça, ator.

Foi o seu último encontro,
Foi a sua última vez,
Cada toque de pele capturava
O tanto que conseguia de tez.

O adeus que tanto mortifica,
É o mesmo que tanta vida traz,
Aquele beijo,
Aquela despedida.
E a sensação de ter vivido mais.
(Ou nunca mais)

A Orquídea dos desencontros
Floriu então.
Na Varanda.
No Poente.
Mais até que Morena.
Negra.