Perpétua Ingratidão
Cadê você?
Somos iguais, em quê?
Escute eu te dizer,
Sou teu mais do que quero,
Posso, acho, sinto que deveria ser
Seja raiz de mim,
Seja raiz de mim,
Me faça brotar,
Como se eu fosse a flor
Da tua perpétua ingratidão.
Cadê você?
Somos iguais, em quê?
Escute eu te dizer,
Sou teu mais do que quero,
Posso, acho, sinto que deveria ser
Seja raiz de mim,
Seja raiz de mim,
Me faça brotar,
Como se eu fosse a flor
Da tua perpétua ingratidão.
Sou de você.
Sou teu, somente ateu,
Até não quereres enfim,
Revolta, volta, volta, volta a Serafim.
Seja real,
Pedaço por pedaço,
Construa em mim mosaico,
Arco, flecha, dor,
Teu olho que mirou em mim,
Sinto o tiro, em flor, enfim.
quinta-feira, 18 de dezembro de 2014
quarta-feira, 17 de dezembro de 2014
Óleo de Baleia
Óleo de Baleia
São os gritos entre as paredes que tecem a noite,
Construindo muralhas de medo com tijolos de
Dor, pesadelos, violência, sangue e silêncio.
Na casa não se escuta um pio.
Apenas a coruja pia, piando pianíssima na pia,
Em gotas.
Igual ao temor,
Que goteja traços do que se ignora à noite.
Luizinho, tão moço,
Perverteu-se no escuro.
Seus sonhos foram rasgados pelas trevas.
Hoje choramos no seu caixãozinho caiado.
As goiabas terão seu gosto doce.
Morreu à noite, no tear da nossa invigilância,
O penico é insuficiente para um menino curioso.
Maria foi raptada pelas sombras.
Moça tão boa.
O feijão dela tava ficando gostoso,
E agora as telhas velhas nessa dessa Casa terão o
Eco dos seus gritos, tão difíceis de esquecer.
Estão no céu, com Deus Nosso Senhor,
Luizinho e Maria.
A alma tem a mesma cor.
Nossa Senhora não sabe distinguir os cachos.
O Demônio está à solta,
Vaza pelas paredes desta casa, eu sei.
Escuto seus passos,
Posso senti-lo ofegante, cálido, ansioso.
Sente-se o cheiro de gesso e sangue entre suas unhas.
Dona Conceição quanto mais reza cruel fica,
Vive falando com os santos, mas parece
Que só o Diabo escuta.
Mulher ruim de olhar seco.
Toda vez que me chama "Oh, Zabelê!" Me gelo toda.
Faço de tudo para não dar de cara com ela nos corredores.
Já Seu Guimarães é quem me procura...
Tenho mais medo dele do que o Satanás que percorre essas paredes.
Minha rede já tem o cheiro dele e de agonia.
Só de pensar engulho..
As garras do monstro emparedado devem parecer renda comparada as Dele.
Dona Clarinha era quem eu amava. Moça tão linda.
20 anos que converso com ela em cartas de banzo.
Parece que o Lume da Casa apagou.
Uns dizem que ela foi pra Europa.
Eu queria acreditar, mas eu sei o que teve de verdade,
Não consigo mais fingir não saber.
O seu destino até hoje me dói.
Vida de moça negra parece cama de espinho, num é?
E as rosas alvas é que bebem essa nossa Sangria rançosa.
A Sangria de Zélia também, a tantos anos,
A sopa dela parece um sarapatel de galinha velha.
A coitada ficou louca,
Parece que virou mãe depois de velha.
Fica conversando sozinha de noite.
Todo mundo tá morrendo.
Desde que o caboclo Zilmar foi pro tronco,
E depois pro Formigueiro,
Seu Guimarães e Sinhá Conceição não tiveram pena.
Sua filha com um Caboclo? Era melhor morrer numa tocaia.
Essa casa não teve mais paz.
Demorou 3 dias pra Jesus ter pena e levá-lo.
Clarinha já foi-se embora logo depois.
Dá até pra sentir o Demônio fungando aqui.
As sombras das velas dançam até desenhar uma cruz no teto.
Me lembram que toda luz traz dor.
E que todo mundo é um pouco Jesus nisso.
Tanta saudade de Clarinha.
Tá todo mundo morrendo.
Deus tá castigando a ruindade do homem.
O que é isso? Que barulho é esse? Saia daí, eu sei onde você tá.
Saia da parede.
Quem é você? Seu Guimarães também? Sinhá?
Clarinha pariu entre as paredes... Meu Deus, tenha piedade.
Úteros e Vasculhantes não fazem parte do teu domínio, Oh Senhor.
Zélia te deu o leite junto com o sangue. Tua Ama sangrenta.
Feijão, Gesso e Vingança de desjejum.
Por favor, tenha piedade, eu não mereço morrer.
Eu juro que eu não conto pra ninguém, me deixa fugir dessa casa assombrada.
Eu não tenho culpa, eu juro.
Não se pode vingar de tudo, senão o mundo era uma facada só.
Deus também é Misericórdia. Num é não?
O Diabo então é Misericórdia.
Rogai por nós que recorremos a vós.
Pelo Sinal da Santa Cruz.
O gesso daqui parece que é demoníaco mesmo.
Argamassa de funerais.
Óleo de Baleia, para ungir.
Que vem de Navio Negreiro.
Viver é temperar uma Cabidela sem nunca mudar o gosto do mundo.
São os gritos entre as paredes que tecem a noite,
Construindo muralhas de medo com tijolos de
Dor, pesadelos, violência, sangue e silêncio.
Na casa não se escuta um pio.
Apenas a coruja pia, piando pianíssima na pia,
Em gotas.
Igual ao temor,
Que goteja traços do que se ignora à noite.
Luizinho, tão moço,
Perverteu-se no escuro.
Seus sonhos foram rasgados pelas trevas.
Hoje choramos no seu caixãozinho caiado.
As goiabas terão seu gosto doce.
Morreu à noite, no tear da nossa invigilância,
O penico é insuficiente para um menino curioso.
Maria foi raptada pelas sombras.
Moça tão boa.
O feijão dela tava ficando gostoso,
E agora as telhas velhas nessa dessa Casa terão o
Eco dos seus gritos, tão difíceis de esquecer.
Estão no céu, com Deus Nosso Senhor,
Luizinho e Maria.
A alma tem a mesma cor.
Nossa Senhora não sabe distinguir os cachos.
O Demônio está à solta,
Vaza pelas paredes desta casa, eu sei.
Escuto seus passos,
Posso senti-lo ofegante, cálido, ansioso.
Sente-se o cheiro de gesso e sangue entre suas unhas.
Dona Conceição quanto mais reza cruel fica,
Vive falando com os santos, mas parece
Que só o Diabo escuta.
Mulher ruim de olhar seco.
Toda vez que me chama "Oh, Zabelê!" Me gelo toda.
Faço de tudo para não dar de cara com ela nos corredores.
Já Seu Guimarães é quem me procura...
Tenho mais medo dele do que o Satanás que percorre essas paredes.
Minha rede já tem o cheiro dele e de agonia.
Só de pensar engulho..
As garras do monstro emparedado devem parecer renda comparada as Dele.
Dona Clarinha era quem eu amava. Moça tão linda.
20 anos que converso com ela em cartas de banzo.
Parece que o Lume da Casa apagou.
Uns dizem que ela foi pra Europa.
Eu queria acreditar, mas eu sei o que teve de verdade,
Não consigo mais fingir não saber.
O seu destino até hoje me dói.
Vida de moça negra parece cama de espinho, num é?
E as rosas alvas é que bebem essa nossa Sangria rançosa.
A Sangria de Zélia também, a tantos anos,
A sopa dela parece um sarapatel de galinha velha.
A coitada ficou louca,
Parece que virou mãe depois de velha.
Fica conversando sozinha de noite.
Todo mundo tá morrendo.
Desde que o caboclo Zilmar foi pro tronco,
E depois pro Formigueiro,
Seu Guimarães e Sinhá Conceição não tiveram pena.
Sua filha com um Caboclo? Era melhor morrer numa tocaia.
Essa casa não teve mais paz.
Demorou 3 dias pra Jesus ter pena e levá-lo.
Clarinha já foi-se embora logo depois.
Dá até pra sentir o Demônio fungando aqui.
As sombras das velas dançam até desenhar uma cruz no teto.
Me lembram que toda luz traz dor.
E que todo mundo é um pouco Jesus nisso.
Tanta saudade de Clarinha.
Tá todo mundo morrendo.
Deus tá castigando a ruindade do homem.
O que é isso? Que barulho é esse? Saia daí, eu sei onde você tá.
Saia da parede.
Quem é você? Seu Guimarães também? Sinhá?
Clarinha pariu entre as paredes... Meu Deus, tenha piedade.
Úteros e Vasculhantes não fazem parte do teu domínio, Oh Senhor.
Zélia te deu o leite junto com o sangue. Tua Ama sangrenta.
Feijão, Gesso e Vingança de desjejum.
Por favor, tenha piedade, eu não mereço morrer.
Eu juro que eu não conto pra ninguém, me deixa fugir dessa casa assombrada.
Eu não tenho culpa, eu juro.
Não se pode vingar de tudo, senão o mundo era uma facada só.
Deus também é Misericórdia. Num é não?
O Diabo então é Misericórdia.
Rogai por nós que recorremos a vós.
Pelo Sinal da Santa Cruz.
O gesso daqui parece que é demoníaco mesmo.
Argamassa de funerais.
Óleo de Baleia, para ungir.
Que vem de Navio Negreiro.
Viver é temperar uma Cabidela sem nunca mudar o gosto do mundo.
quarta-feira, 26 de novembro de 2014
Cobalto
Eu te vi.
Te encontrei na esquina do que desconheço.
Teus olhos exceleciavam nas sombras.
Sempre soube que a escuridão era mais elegante.
Cobalto encostado no muro,
Escafandriavam meu existir submarino,
Com melancolia das eras eles me varriam,
Me penetrando, rasgando irremediavelmente o que em mim ainda sonhava.
Sem nem saber se existes,
Te encontrei nas minhas esquinas.
E agora me fazes tanta falta que me ridículo.
Me apareça.
Que eu abdico do abismo do que sei,
E deixo teus olhos me encontrarem na luz do incerto.
Só tenho fé na luz dos teus olhos.
Tanatos é neto de Afrodite,
E eu morro um pouco toda vez que Morfeu te traz,
Posto que tu és sal de Eurídice,
Estátua de Sodoma & Gomorra,
E eu desaprendi a cantar quando mergulhei no teu azul,
E aprendi a nunca mais olhar pra trás.
quinta-feira, 30 de outubro de 2014
O livro na parede me mira,
Me faz anátema-malefício,
Maldição dos meses que vivi,
Ao teu lado sendo feliz-suplico.
Infecta todas as memórias felizes,
Feito chorume em Rio-nascente,
As palavras manifestas, atrizes,
Se balançam aéreas-luzentes.
Dorian canta Ossanha,
Em seu retrato cálido posto,
E no livro Ogum metafísico,
As flores de ametista brotaram,
E morreram secas no armistício.
O ciclo cansa e exaure,
Encontrar afeto em outros cachos é lei,
Voltar depois de queimar os barcos não pode,
Guerreiro leal de mim o Rei,
Não se volta depois do cheiro do carvalho-orvalho aceso,
Quando os souvenirs tem cheiro de Dei.
Me ungi com o óleo das páginas,
A primeira púrpura rasgada dei,
Como títere de planos e vontades,
Saber cortas cordas quando precisei.
A dor pertence ao mundo,
Da virgem amar o escorpião,
Enquanto este ama violar o que é casto,
Posto que o que é Libra só dura este momento,
E a desbalança se põe em ação,
Depois é opressão do corpo e só,
Corpo-são mente então.
Vou deixar o livro lá, me olhando,
Será a lembrança da crueldade material,
Como troféu de cabeças na sala,
O escorpião vencido e carbonizado,
Veneno expiado de quem atravessou o rio-monge à nado,
Enquanto penetrava-se pelo aquiescer,
De quem precisava se sentir vivo-alado,
E toma doses de veneno todo amanhecer.
Me faz anátema-malefício,
Maldição dos meses que vivi,
Ao teu lado sendo feliz-suplico.
Infecta todas as memórias felizes,
Feito chorume em Rio-nascente,
As palavras manifestas, atrizes,
Se balançam aéreas-luzentes.
Dorian canta Ossanha,
Em seu retrato cálido posto,
E no livro Ogum metafísico,
As flores de ametista brotaram,
E morreram secas no armistício.
O ciclo cansa e exaure,
Encontrar afeto em outros cachos é lei,
Voltar depois de queimar os barcos não pode,
Guerreiro leal de mim o Rei,
Não se volta depois do cheiro do carvalho-orvalho aceso,
Quando os souvenirs tem cheiro de Dei.
Me ungi com o óleo das páginas,
A primeira púrpura rasgada dei,
Como títere de planos e vontades,
Saber cortas cordas quando precisei.
A dor pertence ao mundo,
Da virgem amar o escorpião,
Enquanto este ama violar o que é casto,
Posto que o que é Libra só dura este momento,
E a desbalança se põe em ação,
Depois é opressão do corpo e só,
Corpo-são mente então.
Vou deixar o livro lá, me olhando,
Será a lembrança da crueldade material,
Como troféu de cabeças na sala,
O escorpião vencido e carbonizado,
Veneno expiado de quem atravessou o rio-monge à nado,
Enquanto penetrava-se pelo aquiescer,
De quem precisava se sentir vivo-alado,
E toma doses de veneno todo amanhecer.
quinta-feira, 23 de outubro de 2014
Fogueira de Campina
Teu cheiro ficou em mim,
Na camisa de botão,
Na noite de São João.
Nosso amor foi a fogueira do Sertão,
Brasa e cinza.
Teu beijo ainda queima em mim,
Na colcha de algodão,
Na noite da Solidão.
Nosso amor já era a fogueira da Ilusão.
Fumaça e luz.
Teu gosto ainda amarga em mim,
Nas sombras do São João,
No adeus no teu portão,
O nosso amor era a fogueira de Campina
De plástico.
Na camisa de botão,
Na noite de São João.
Nosso amor foi a fogueira do Sertão,
Brasa e cinza.
Teu beijo ainda queima em mim,
Na colcha de algodão,
Na noite da Solidão.
Nosso amor já era a fogueira da Ilusão.
Fumaça e luz.
Teu gosto ainda amarga em mim,
Nas sombras do São João,
No adeus no teu portão,
O nosso amor era a fogueira de Campina
De plástico.
quinta-feira, 16 de outubro de 2014
quarta-feira, 8 de outubro de 2014
Texto trazido do Timeline do Face.
Essa é a última vez que vou me pronunciar sobre o 2° Turno. Todo mundo já sabe o que tem que saber, é um saco ficar repetindo a mesma coisa o tempo inteiro. Claro, vou compartilhar algumas coisinhas, afinal o que seria da minha timeline né? kkkkkkkk.
Mas enfim, eu cheguei a uma triste conclusão sobre as escolhas dos candidatos - quanto ao nível intelectual dos eleitores. Há pessoas inteligentíssimas e burras-como-uma-porta dos dois lados. Conheço verdadeiros gênios petistas, e verdadeiras mulas psdbistas, e o inverso também. A crítica vai para os dois lados, mas sim, principalmente dirigida aos petistas.
> Constatei uma coisa que me preocupa: quase ninguém entende absolutamente nada de economia. E quando acha que entende é pior, pois se fecha para novas informações. Absolutamente NENHUM petista sabe ou se interessa por economia. Conheci uma pessoa até hoje com o cabedal de conhecimento impressionante que vota em Dilma, mas mesmo assim não sabia explicar porque apoiava a macroeconomia politica do PT, pois era indefensável até para ela. Era pura teimosia ideológica, pelo menos nessa questão.
Alguém que vai votar em Dilma quase sempre ignora completamente os dados econômicos na história recente, ou falha completamente quando tenta explicar a macro-política econômica do governo que apoia. Dispara apenas "PT luta pelos pobres, PSDB pras elites!". Repete um discurso velho, velho, cansado, dizendo que o PSDB é neoliberal (hahaha). Cansado demais de ouvir isso. Seria um prazer ouvir um petista me falar com graça sobre economia. Até hoje só encontrei diplomatas vendidos como Celso Amorim, keynesiano raso, político-raposa.
Isso aqui não é uma ofensa dirigida aos petistas. É infelizmente o que pude constatar nesse tempo. A maior parte tem muito interesse em fazer o certo, em combater a pobreza, lutar pela igualdade. Mas falam abertamente que não se interessam por economia. Ora, essa posição é como uma competição de esgrima onde não se quer pegar na espada. Desde quando política conhecimento econômico andam separados?
É uma tristeza conhecer tanta gente absolutamente brilhante, mestres em tantas áreas, mas que não fazem um mínimo de esforço para tentar entender o contexto político em que vivem, na sua raiz mais pragmática - o dinheiro. Entendem TUDO de história, política, golpes, ideologia, força, relações de trabalho, opressão e guerras, mas ignoram a malha econômica que sempre esteve por trás de tudo, achando que sua definição retirada dos livros de ensino médio sobre imperialismo romano-inglês-americano são o suficientes. Ou que a Carta Capital ou Sakamoto, ou a Veja e Rodrigo Constantino são o suficientes.
Toda e qualquer política precisa ser financiada. O funcionamento do país é abastecido, alimentado pelo dinheiro. O que eu constatei foi que até nos mais altos graus da academia, até os professores que eu mais admiro, falham ao analisar e expressar ideias simples como o tripé econômico. Quantas pessoas sabem explicar o que é, qual a importância?
A realidade é que a grande massa ignora esses fatores CRUCIAIS, e não só a grande massa, mas a elite intelectual, inclusive as pessoas mais inteligentes que conheço têm preguiça pura de entender o que move a nação, e de entender que isso é chave fundamental do processo democrático. Não há política social que se sustente por muito tempo sem um aparato financeiro que o alimente. Negar esse fato é infantilidade, ignorância, desonestidade intelectual, demagogia, visível imoralidade, ou qualquer coisa que o valha. Não que eu seja um economista, muitoooo longe disso, sou estudante de Direito, sou medíocre até no meu curso, quanto mais no dos outros.
Sou apenas curioso. Mas essa é a única diferença - a inquietação. Nunca a inteligência. Quando alguém vem e repete uma coisa que leu ou na Carta Capital ou na Veja, essa pessoa realmente entende o que aquilo diz? 95% acha que sabe o que é inflação, quando eu só conheci 3 pessoas até hoje que sabiam me explicar com propriedade. Uma lástima. Todos confundem carestia com inflação. Esse é só um exemplo de inúmeros dados, institutos, comparações e análises históricas falaciosas, imprecisas, baseadas na opinião-geral infundada. Quantas fontes opostas ideologicamente para comparar panoramas aquela pessoa procurou? Quantos livros leu ou quantas palestras de economistas (americanos, europeus, principalmente) assistiu?
O maior problema do país, pra mim, continua sendo a ignorância. Mas não aquela ignorância que salta aos olhos, do analfabetismo. Aquela que anda junto da pobreza ou do fanatismo. Mas sim aquela velada, aquela que é motivada não pela impossibilidade material de se estudar, ou pela falta de habilidade intelectual, ou mesmo pela base defeituosa, mas pela pura PREGUIÇA.
Esclarecendo, não estou defendendo aqui que o PSDB tem um plano econômico EXCELENTE. Mentira, é uma coisa básica, mas que funciona em todo país do mundo. Quando o PT parou de aplicá-la no final do segundo mandato de Lula o país começou a frear o crescimento. Ou seja, diminuir o ritmo na luta contra a pobreza, em outras palavras.
Vejam, isso não é uma defesa aos ideais liberais. Não aqui, não agora. Até para os programas sociais de distribuição de renda é necessário o crescimento econômico. Não é preciso ser capitalista para entender de economia (mas parece que o inverso se faz inevitável pela práxis), nem socialista para querer enfrentar a pobreza ou as relações de exploração. É questão de conhecimento e pragmatismo, seja pela visão de qualquer corrente.
É necessário sim o fim dessa linguagem hermética, posto que os resultados nos afetam grande e diretamente. A popularização desses estudos é essencial ao desenvolvimento do ideário e da nação. É importante conhecer inúmeras vertentes político-ideológicas antes de se adotar uma ideia. Conhecer o outro lado do espelho nos permite o auto-conhecimento.
Precisamos URGENTEMENTE de uma educação financeira concreta nesse país, nas escolas, nas universidades. É inadmissível viver num sistema democrático sem exercer com firmeza e sabedoria o republicanismo. Mastigar dados de forma ruminante, sem conseguir processá-los direito, e se juntar ao turbilhão titânico do fluxo acéfalo de informações falsas, mal pensadas, irrefletidas, e demagogas nas redes sociais é uma caminhada lenta e certa para o abismo.
Essa é a última vez que vou me pronunciar sobre o 2° Turno. Todo mundo já sabe o que tem que saber, é um saco ficar repetindo a mesma coisa o tempo inteiro. Claro, vou compartilhar algumas coisinhas, afinal o que seria da minha timeline né? kkkkkkkk.
Mas enfim, eu cheguei a uma triste conclusão sobre as escolhas dos candidatos - quanto ao nível intelectual dos eleitores. Há pessoas inteligentíssimas e burras-como-uma-porta dos dois lados. Conheço verdadeiros gênios petistas, e verdadeiras mulas psdbistas, e o inverso também. A crítica vai para os dois lados, mas sim, principalmente dirigida aos petistas.
> Constatei uma coisa que me preocupa: quase ninguém entende absolutamente nada de economia. E quando acha que entende é pior, pois se fecha para novas informações. Absolutamente NENHUM petista sabe ou se interessa por economia. Conheci uma pessoa até hoje com o cabedal de conhecimento impressionante que vota em Dilma, mas mesmo assim não sabia explicar porque apoiava a macroeconomia politica do PT, pois era indefensável até para ela. Era pura teimosia ideológica, pelo menos nessa questão.
Alguém que vai votar em Dilma quase sempre ignora completamente os dados econômicos na história recente, ou falha completamente quando tenta explicar a macro-política econômica do governo que apoia. Dispara apenas "PT luta pelos pobres, PSDB pras elites!". Repete um discurso velho, velho, cansado, dizendo que o PSDB é neoliberal (hahaha). Cansado demais de ouvir isso. Seria um prazer ouvir um petista me falar com graça sobre economia. Até hoje só encontrei diplomatas vendidos como Celso Amorim, keynesiano raso, político-raposa.
Isso aqui não é uma ofensa dirigida aos petistas. É infelizmente o que pude constatar nesse tempo. A maior parte tem muito interesse em fazer o certo, em combater a pobreza, lutar pela igualdade. Mas falam abertamente que não se interessam por economia. Ora, essa posição é como uma competição de esgrima onde não se quer pegar na espada. Desde quando política conhecimento econômico andam separados?
É uma tristeza conhecer tanta gente absolutamente brilhante, mestres em tantas áreas, mas que não fazem um mínimo de esforço para tentar entender o contexto político em que vivem, na sua raiz mais pragmática - o dinheiro. Entendem TUDO de história, política, golpes, ideologia, força, relações de trabalho, opressão e guerras, mas ignoram a malha econômica que sempre esteve por trás de tudo, achando que sua definição retirada dos livros de ensino médio sobre imperialismo romano-inglês-americano são o suficientes. Ou que a Carta Capital ou Sakamoto, ou a Veja e Rodrigo Constantino são o suficientes.
Toda e qualquer política precisa ser financiada. O funcionamento do país é abastecido, alimentado pelo dinheiro. O que eu constatei foi que até nos mais altos graus da academia, até os professores que eu mais admiro, falham ao analisar e expressar ideias simples como o tripé econômico. Quantas pessoas sabem explicar o que é, qual a importância?
A realidade é que a grande massa ignora esses fatores CRUCIAIS, e não só a grande massa, mas a elite intelectual, inclusive as pessoas mais inteligentes que conheço têm preguiça pura de entender o que move a nação, e de entender que isso é chave fundamental do processo democrático. Não há política social que se sustente por muito tempo sem um aparato financeiro que o alimente. Negar esse fato é infantilidade, ignorância, desonestidade intelectual, demagogia, visível imoralidade, ou qualquer coisa que o valha. Não que eu seja um economista, muitoooo longe disso, sou estudante de Direito, sou medíocre até no meu curso, quanto mais no dos outros.
Sou apenas curioso. Mas essa é a única diferença - a inquietação. Nunca a inteligência. Quando alguém vem e repete uma coisa que leu ou na Carta Capital ou na Veja, essa pessoa realmente entende o que aquilo diz? 95% acha que sabe o que é inflação, quando eu só conheci 3 pessoas até hoje que sabiam me explicar com propriedade. Uma lástima. Todos confundem carestia com inflação. Esse é só um exemplo de inúmeros dados, institutos, comparações e análises históricas falaciosas, imprecisas, baseadas na opinião-geral infundada. Quantas fontes opostas ideologicamente para comparar panoramas aquela pessoa procurou? Quantos livros leu ou quantas palestras de economistas (americanos, europeus, principalmente) assistiu?
O maior problema do país, pra mim, continua sendo a ignorância. Mas não aquela ignorância que salta aos olhos, do analfabetismo. Aquela que anda junto da pobreza ou do fanatismo. Mas sim aquela velada, aquela que é motivada não pela impossibilidade material de se estudar, ou pela falta de habilidade intelectual, ou mesmo pela base defeituosa, mas pela pura PREGUIÇA.
Esclarecendo, não estou defendendo aqui que o PSDB tem um plano econômico EXCELENTE. Mentira, é uma coisa básica, mas que funciona em todo país do mundo. Quando o PT parou de aplicá-la no final do segundo mandato de Lula o país começou a frear o crescimento. Ou seja, diminuir o ritmo na luta contra a pobreza, em outras palavras.
Vejam, isso não é uma defesa aos ideais liberais. Não aqui, não agora. Até para os programas sociais de distribuição de renda é necessário o crescimento econômico. Não é preciso ser capitalista para entender de economia (mas parece que o inverso se faz inevitável pela práxis), nem socialista para querer enfrentar a pobreza ou as relações de exploração. É questão de conhecimento e pragmatismo, seja pela visão de qualquer corrente.
É necessário sim o fim dessa linguagem hermética, posto que os resultados nos afetam grande e diretamente. A popularização desses estudos é essencial ao desenvolvimento do ideário e da nação. É importante conhecer inúmeras vertentes político-ideológicas antes de se adotar uma ideia. Conhecer o outro lado do espelho nos permite o auto-conhecimento.
Precisamos URGENTEMENTE de uma educação financeira concreta nesse país, nas escolas, nas universidades. É inadmissível viver num sistema democrático sem exercer com firmeza e sabedoria o republicanismo. Mastigar dados de forma ruminante, sem conseguir processá-los direito, e se juntar ao turbilhão titânico do fluxo acéfalo de informações falsas, mal pensadas, irrefletidas, e demagogas nas redes sociais é uma caminhada lenta e certa para o abismo.
quinta-feira, 2 de outubro de 2014
Herança
Cinzas, formol e mortalha. Deixo a vocês, ilustres desconhecidos, a única coisa que verdadeiramente possuía. Deixo minhas veias, por onde antes o sangue fluiu, quente, me aquecendo contra as noites frias, e que corria mais rápido quando eu via o meu amor. Deixo o meu pulso parado, as artérias coaguladas e o sangue seco. Deixo minha pele, meu couro curtido pelo tempo e pelo sol. Os meus ossos, que sustentaram minhas carreiras na infância. Deixo meus olhos, agora apagados, mas que um dia brilharam de medo, êxtase e dor. Deixo minha massa cinzenta, ex-maestra de um caminho estranho. Os meus músculos, que por sua vez potenciaram movimento; movimento é vida. Minhas vísceras, apesar de não saber o que vocês farão com elas. Meu pulmão, tão pouco usado, posto que podia ter fumado muito mais. Adorava fumar. Minhas mãos, e tudo que as envolve, as quais seguraram tanta coisa, até mesmo outras mãos. Minha garganta, avenida por onde tantos sambas passaram.
Vocês, desconhecidos, de certa forma podem ser considerados parasitas. Mas sem ressentimentos. Vocês usarão o que tive de melhor, e lhes deixo de - herança. Nobreza da intelectualidade, guardiões da biologia, sacerdotes da cura institucionalizada. Artesões da vida, alquimistas, que transformam o que não poderia ser em vida. Por isso, minha devoção e agrado.
Usem-me bem. Quando me olharem de novo, deitado sobre o metal frio, lembrem-se que ali eu vivi, e meu corpo conta a história, como hieróglifos inscritos em organelas. Cantei, dancei, amei, sofri, e sou o retrato do vosso futuro irremediável. Portanto, tracem o caminho do bisturi e dos dentes com a maior precisão e solenidade, pois até os vermes e os estudantes me devem gratidão.
Vocês, desconhecidos, de certa forma podem ser considerados parasitas. Mas sem ressentimentos. Vocês usarão o que tive de melhor, e lhes deixo de - herança. Nobreza da intelectualidade, guardiões da biologia, sacerdotes da cura institucionalizada. Artesões da vida, alquimistas, que transformam o que não poderia ser em vida. Por isso, minha devoção e agrado.
Usem-me bem. Quando me olharem de novo, deitado sobre o metal frio, lembrem-se que ali eu vivi, e meu corpo conta a história, como hieróglifos inscritos em organelas. Cantei, dancei, amei, sofri, e sou o retrato do vosso futuro irremediável. Portanto, tracem o caminho do bisturi e dos dentes com a maior precisão e solenidade, pois até os vermes e os estudantes me devem gratidão.
segunda-feira, 29 de setembro de 2014
Dialética dos Metais
Me disseram:
"Seja mais pragmático. Ideais não botam comida no prato."
Certo você.
Por isso mesmo se trabalha,
Até porque o escambo do suor permite o frio barato do ar-condicionado.
Por isso eu quero comprar,
Pois Eu não estou à venda,
Minhas ideias não foram feitas para serem anuladas,
Dobradas pela força-ventania da vida,
Meu destino serve pra outra coisa.
Serve para se impor apesar de.
"A realidade se impõe como um martelo",
Ainda bem, não esperava outra coisa.
Pois sou feito do aço mais antigo,
Vim da terra, rasgando-a pelas eras,
Forjado na pressão e no calor,
Caminhando para o sol,
Separado de minhas impurezas originais.
Sou anvil-fortaleza.
Sou Bi-Gorna, esperando pela opressão do mundo.
O que faço é afiar outras lâminas que passam por mim,
Em brasa, pela dialética metálica,
Filtrando a pureza do ferro bruto, obscuro,
Para no fim brilharem na noite as fagulhas do que é certo,
E por um instante iluminar o mundo.
quinta-feira, 11 de setembro de 2014

Peguei!
A estrada. Pela primeira vez, sozinho. Isso é ficar velho. Guiava o volante a 160km/h. Banal, eu sei. Mas se houvesse qualquer deslize, qualquer desatenção, poderia ser o meu fim e o de outros. A morte sempre está perto do fim do velocímetro.
Vim, apaixonado, claro. O dia estava lindo. O sol batendo no asfalto, nos lagos e baixios, e o horizonte era pintado por mata atlântica e as colinas sem cana se espalhavam pela vista. Era até fácil e gostoso observar a gradação do litoral ao agreste. Os vários tons do pincel da seca no pasto. A música também não deixava a desejar. Cd´s antigos de meus pais, cada um com uma matiz diferente de memória.
Um amigo me ligou chorando dizendo que sonhou com minha morte, o corpo perdido na BR por 2 dias, e a sua angústia de não ter atendido meu funeral. Não sabia se era sonho ou realidade quando acordou. Bem, só me sobram duas coisas a dizer:
- Que posso fazer? Sou pontual até pra morrer e ser enterrado.
- Ninguém realmente sabe se está sonhando ou se está acordado. Deal with it.
E por mais bonitinho que tenha sido saber que alguém sentiria minha falta assim, o agouro me deixou inquieto. Viajei todo fatalista e saudoso da própria vida. Me despedindo do meu amor e da minha mãe, numa gravação residual de vida, na martelada do fogo, da gasolina e das ferragens que me perfuravam os orgãos. Ai, meu rim esquerdo. Hum, que gosto de ferrugem. Eita, outro redutor. Freia, buceta.
Enfim, venci a morte. Pelo menos por hoje. Pelo menos enquanto escrevo isso. Mas tudo isso vale a pena demais. Só pra sentir de novo o calor Dele. A gente não serve pra morrer. A gente serve para transformar fotossíntese e glicose em afeto. A gente serve para amar, e ama para servir.
Novas Azuis
Procuro alcançar a elegância das estrelas,
Lançando luz no tecido noturno,
Entalhando feixes de milênio,
Percorrendo o caminho do infinito,
Que esbarra na retina em um grito.
Procuro alcançar a altura das estrelas,
Fazendo o caminho inverso do firmamento,
Tocando o chão com as mãos,
Achando galáxias no cimento.
Procuro enfim emitir suas luzes,
Espectros infinitos de belezas crômicas,
Nuvens de carmim, poeira cósmica e som,
Novas azuis com novos tons.
Eu sou filho das estrelas,
De suas incongruências íntimas,
Da sua incapacidade de ser infinita,
Eu sou a incoerência de se fazer apenas lume sem sombra.
Eu sou o amor da cabeça aos pés.
Engraçado como as coisas mudam. Eu nunca começaria uma com uma frase de efeito e tão clichê. Mas as coisas mudam. Tudo tem fluxo. Nós fomos feito dois rios que se cruzaram, misturaram seus fluidos e afluentes e por fim tomamos caminhos diferentes de novo. A solidão será nossa última foz.
Tuas águas estão em mim. Teus fragmentos ainda refratam e rasgam dentro de mim. Espero que os meus o façam em ti também. Questão de equidade e vendeta.
Minhas águas eram claras e cristalinas, pragmáticas. A linguagem era solta e germânica. Corriam retas, sem muitas curvas, devagar e sempre. Mentira, eram águas caudalosas e cálidas. A serenidade te pertencia. Eu nunca abri muito espaço para ambiguidades. Mas sempre houve espaço para flores e caramanchões na beira do meu rio. Meus desejos e intenções eram desvelados, quase palpáveis de tão verdadeiro quando consubstanciados no ar pela fala. Eu queria você. Queria misturar minhas águas nas tuas até o fim, até nos salinizar no pranto de nossas conquistas em Delta. E queria te cristalinizar. Achei que era algo como uma missão. Devaneios satúrnicos.
As tuas eram quase negras, mas eram mais obscuras. Eram ciganas, oblíquas. Dissimuladas. Tu eras um rio tortuoso. Com mais segredos escondidos sob as tuas águas que o São Francisco. O teu rio era feminino, lunar. Eu era tão solar que não vi teu brilho delicado. Enquanto o meu explodia de beleza no Alvorecer alvoroçado, o teu, paciente, escondia a beleza do mundo por debaixo das pétalas da Lua. Cada camada de luz aberta revelava um encantamento novo. Me ensinasse o significado da Serenidade. Eu a aprendi nas noites de glória em que dividi tua alcova. Eu, tão dominador, tinha sido completamente catequizado pelo teu paganismo ateu.
A verdade é que éramos veredas. E o que nos alimenta ainda é apenas o leito rochoso de minhas memórias. Poderiamos ter matado a sede do mundo, da civilização ocidental ou da América do sul. Fertilizado os campos com nossas águas. Mas secamos antes.
Exatamente por isso.
Pra você, civilização ocidental é uma invenção, e acha que os beduínos são civilizados e os parisienses não. Água, pra você não merece ser gasta nas plantações de soja. Apenas permacultura orgânica indígena quilombola.
Você falou em Fa bemol eu respondi em Mi sustenido. Eu fui aristotélico, você negou minha dialética atraves de Frunkfurt. Pra você, Platão não é filósofo, mas Judith Butler sim. Você não sabe quem é Ayn Rand, Milton Friedman, nem.Hermann Hesse.
Eu não sei nem quem você lê, pois você não me fala. Eu acredito no mercado, você acredita no novo amorfo.
Eu gritei - justiça, felicidade, progresso
Você gritou - não me representa.
Como viver e construir uma vida quando não falamos a mesma língua, quando não compartilhamos nenhum valor, quando a única coisa que nos aproxima é um capricho da natureza de nos amarmos?
Você foi minha mais amarga liberdade, e eu fui tua mais doce prisão.
Já que a vida nos separou em Veredas, deixa eu ser pelo menos o teu passarinho que te visita quando a saudade aperta. Quero ser teu Manoelzinho-da-croa.
E eu vou cantar para ti, já que o canto dos pássaros não possuem fronteiras. A gente vai se entender pela beleza.
Biombo

A língua que os deuses falam é a própria beleza. Sem o encantamento que nos impacta são absolutamente incomunicáveis. Nem seus atos se substanciam, pois há um véu que separa nossas existências. É a beleza, bordada em mandala oriental no tecido da existência, que se pode entrever por esse biombo.
A Dor de Se Fazer Mulher

Não, não venha não me dizer o que é o amor,
Só você que sente a dor de se fazer mulher,
A mão, o cio o fio, a terra encosta na primavera.
Os uivos da solidão não encostam não,
Eu te encontrei.
Me diz quem é você, tanto poder num olhar,
Me diz, irmão, irmã, tenra manhã para se ver brotar,
Em flor, em cor, em dor, se não é o amor é temor.
Sei que eu não sei,
Teu destino é raro,
O meu é fardo te ver passar.
Aurora desponta agora,
E me retorna o olhar,
Te cuido, solto no escuro,
Rompo meus muros para te consagrar.
Eu sou teu, teu olho é meu,
Na escuridão, brilha o que não se pode negar.
Me diz quem é você, tanto poder num olhar.
Me diz, irmão, irmã, tenra manhã para se ver brotar,
Em flor, em cor, em dor, se não é o amor,
É temor-de-ficar.
quinta-feira, 31 de julho de 2014
Tu eras luz e precipício,
Minha tinta e voz de todo grito,
Hoje é dor, morte e o infinito,
Teu olhar agora é a faca que ponteio.
O tempo só amola,
Afiada, como a memória,
Me cortou, inglória,
De quem ignorava quem primeiro.
Os fogos na praia coloriam o breu,
Teu olhar, difuso, ofuscava o meu.
Eu me esquecia de me ser,
Apenas te era.
Eu era breu.
Eu sequei, meu sangue coagulou,
Encrusta minhas pálpebras rasas,
Escalona a agonia, maresia, ferro,
Em tudo que falta vai sangue no lugar,
A lágrima, púrpura, escorre,
Fico feliz se meu sangue escorre,
Enquanto o teu punhal enfeita.
Teus olhos, cândido algoz,
Terá a cor régia do que me vivia.
E teus olhos então serão,
Minha tumba e companhia.
Minha tinta e voz de todo grito,
Hoje é dor, morte e o infinito,
Teu olhar agora é a faca que ponteio.
O tempo só amola,
Afiada, como a memória,
Me cortou, inglória,
De quem ignorava quem primeiro.
Os fogos na praia coloriam o breu,
Teu olhar, difuso, ofuscava o meu.
Eu me esquecia de me ser,
Apenas te era.
Eu era breu.
Eu sequei, meu sangue coagulou,
Encrusta minhas pálpebras rasas,
Escalona a agonia, maresia, ferro,
Em tudo que falta vai sangue no lugar,
A lágrima, púrpura, escorre,
Fico feliz se meu sangue escorre,
Enquanto o teu punhal enfeita.
Teus olhos, cândido algoz,
Terá a cor régia do que me vivia.
E teus olhos então serão,
Minha tumba e companhia.
Temos aqui um Poema de valores arbitrariamente impostos pelo autor. Narra uma historinha de amor obscura. De forma tosca. Siga as luzes. Boa Leitura. Ass Lord Bumbum-Mole da Silva.
Eu Levantei. Mas no meio disso estava
Caí, depois me "OsufnoC".
,poucos aos melhorar Procurei
Me aprumei, enfim.
E então ELE voltou. De novo.
E então EU não tive Piedade.
E fui deliciosamente impiedoso.
E me libertei enfim das
Pedro Anátema
Um olhar, um aperto,
Daqueles que duram muito,
O mar, a onda,
Autofagia de língua.
Extremos debaixo da pele,
Choque térmico de contornos,
Estômago seco,
Coração impune,
Helicóptero de vendavais.
Vidro severíssimo,
Paga luz na mesma moeda,
Talvez seja assim no mundo,
Reflexos de teimosia em
que a luz demora a chegar.
E assim nasceu o karma,
A vingança dos esquecidos,
Pois o Universo curva toda luz.
E o equilíbrio é o metal polido,
Foco imperfeito de luz,
Tolerância de Rouland,
Vendetas mais que tribais.
Eu tenho mágoas, quem não tem?
Mas em mim a sombra não toca,
Pois ela é filha da luz,
E toda luz que não vem dos olhos,\
Me dá medo e me suprime.
A palavra parou de me devorar,
Talvez não a ache mais nas entranhas,
Anagramas de mim,
Anátema de você,
Quando eu ainda falava na 2° pessoa,
Metalinguagem que me salva.
A língua é como o corpo,
Mas sem templo, ateia,
Crê no que diz, enquanto dorme,
Um beijo entre Platão e Nietzsche,
Alemães e gregos são irmãos,
Mesmo sem o Euro,
Sonambulismo fraternal.
E o poema é cama,
Não uma alcova,
Leito leite de mãe,
Ócio, sono, afeto,
Chupar o próprio dedo,
E dormir na eternidade.
Daqueles que duram muito,
O mar, a onda,
Autofagia de língua.
Extremos debaixo da pele,
Choque térmico de contornos,
Estômago seco,
Coração impune,
Helicóptero de vendavais.
Vidro severíssimo,
Paga luz na mesma moeda,
Talvez seja assim no mundo,
Reflexos de teimosia em
que a luz demora a chegar.
E assim nasceu o karma,
A vingança dos esquecidos,
Pois o Universo curva toda luz.
E o equilíbrio é o metal polido,
Foco imperfeito de luz,
Tolerância de Rouland,
Vendetas mais que tribais.
Eu tenho mágoas, quem não tem?
Mas em mim a sombra não toca,
Pois ela é filha da luz,
E toda luz que não vem dos olhos,\
Me dá medo e me suprime.
A palavra parou de me devorar,
Talvez não a ache mais nas entranhas,
Anagramas de mim,
Anátema de você,
Quando eu ainda falava na 2° pessoa,
Metalinguagem que me salva.
A língua é como o corpo,
Mas sem templo, ateia,
Crê no que diz, enquanto dorme,
Um beijo entre Platão e Nietzsche,
Alemães e gregos são irmãos,
Mesmo sem o Euro,
Sonambulismo fraternal.
E o poema é cama,
Não uma alcova,
Leito leite de mãe,
Ócio, sono, afeto,
Chupar o próprio dedo,
E dormir na eternidade.
Eita
É a vaidade dos tolos,
Encaixar o desejo na realidade,
Nulla et realité,
Foi franlatiniano,
Ou bad memory?
O meu limite é até onde vai o papel,
Até onde vai a sua paciência e bom gosto?
Botomless? Poliglota?
E se eu falasse um haikai?
Poesia. Absurdo. Pernambuco.
Flor. Raiz. Anátema.
Dicionário. Gregos. África.
Eles já sabiam de tudo,
A história foi decaimento.
Adoro essa palavra,
Litera-almente.
Concretismo?
Metalinguagem?
Por favor, não me usem
na aula de Literatura,
Viverei se for necessário.
Só pra saber se P. N. tava certo.
Porra Nenhuma.
Encaixar o desejo na realidade,
Nulla et realité,
Foi franlatiniano,
Ou bad memory?
O meu limite é até onde vai o papel,
Até onde vai a sua paciência e bom gosto?
Botomless? Poliglota?
E se eu falasse um haikai?
Poesia. Absurdo. Pernambuco.
Flor. Raiz. Anátema.
Dicionário. Gregos. África.
Eles já sabiam de tudo,
A história foi decaimento.
Adoro essa palavra,
Litera-almente.
Concretismo?
Metalinguagem?
Por favor, não me usem
na aula de Literatura,
Viverei se for necessário.
Só pra saber se P. N. tava certo.
Porra Nenhuma.
terça-feira, 22 de julho de 2014
A Flor da Liberdade
Certas flores, ao lutar contra os influxos do destino, se fazem cheias de sumo concentrado. As secas e as devastações as tornam mais belas e luminosas. Algumas flores no sertão, em plena seca de mundo, se revelam verdadeiros espelhos do São Francisco. Oásis da existência, fortaleza da vida. Trazem na refração um prisma de beleza de cores, vibrações e potência. A guerra do caminho da seiva a (re)constrói de dentro em arquiteturas únicas. Suas almas são terraformadas pelo destino.
Eu conheci uma dessas flores.
Por mais que tivesse raízes, era absolutamente livre. Cavalgava nos campos no compasso quaternário de suas vontades absolutas. Sincopada com a própria vida. Era amálgama de cores e movimento que eram imitados pela vida. Não era mais nem flor. Era floração? Era brisa - Era mais. Pétalas furta-cor ao vento, se movimentavam e enchiam a terra de luz, brilho e esperança. Andava pelos brejos e desertos que verdejavam de novo por um ato ou olhar seu. Soprava um beijo e o Ipê floria em cores inéditas. Fazia das veredas lamacentas verdadeiros mananciais que corriam sorrindo e brincando. Trazia vida, música, cor, luz e misericórdia.
A flor da liberdade ao romper seus grilhões rompeu os meus, e me deu um beijo que durou a eternidade. Eu durei a eternidade. Meu coração se encheu de êxtase e calmaria, e eu nem era mais homem. Eu nem sabia o que eu era. Eu era cor luz movimento exaltação amor sorriso. Eu era um Deus.
terça-feira, 1 de abril de 2014
segunda-feira, 21 de outubro de 2013
Through all the Nights ♫
How funny is,
To fall in love,
To laugh and cry,
And plead and crow.
How sweet was,
To talk and go,
From clever thoughts,
To mind flows.
You´re poetry,
That start to walk,
You´re mistery that,
I try to unlock.
A laughable,
Defenseless soul,
Falling in your arms,
Never knowing where to go.
So sing with me,
And lay with me,
And let me be.
Wow, let me be your love.
Wow, wow, let me be your love.
Wow, let me be your love (for tonight)
Oh, come and mend my soul (with your´s)
Oh, let me be your love through all the nights.
To fall in love,
To laugh and cry,
And plead and crow.
How sweet was,
To talk and go,
From clever thoughts,
To mind flows.
You´re poetry,
That start to walk,
You´re mistery that,
I try to unlock.
A laughable,
Defenseless soul,
Falling in your arms,
Never knowing where to go.
So sing with me,
And lay with me,
And let me be.
Wow, let me be your love.
Wow, wow, let me be your love.
Wow, let me be your love (for tonight)
Oh, come and mend my soul (with your´s)
Oh, let me be your love through all the nights.
Fonte que não se Esgota
Fonte que não se Esgota
Há pessoas que desejam ser consumidas,
Há pessoas que desejam consumir,
Uns são terra, verdejando vida e alimento,
Outros são fogos ravenos, a fome em si.
Há ainda aqueles que planam, aéreos,
Fluidos da desvontade,
Passeando pela brisa como se fossem brisa.
Já eu quero ser fonte inesgotável, incessante,
Me fazendo elemento primordial, inefável,
Desaguar no mundo e me fazer espelho de céus maiores,
Sou água, sou vida, sou luz que refrata,
Broto como que de lugar nenhum,
Mas tenho origens em estrelas e pedras inomináveis,
Sou cósmico, mineral e eterno.
Sou o panteão dos mundos.
Há pessoas que desejam ser consumidas,
Há pessoas que desejam consumir,
Uns são terra, verdejando vida e alimento,
Outros são fogos ravenos, a fome em si.
Há ainda aqueles que planam, aéreos,
Fluidos da desvontade,
Passeando pela brisa como se fossem brisa.
Já eu quero ser fonte inesgotável, incessante,
Me fazendo elemento primordial, inefável,
Desaguar no mundo e me fazer espelho de céus maiores,
Sou água, sou vida, sou luz que refrata,
Broto como que de lugar nenhum,
Mas tenho origens em estrelas e pedras inomináveis,
Sou cósmico, mineral e eterno.
Sou o panteão dos mundos.
Moscas, Prismas e Degradés
Moscas, Prismas e Degradés
Eu sou tua angústia,
Teu motivo de viver em verdades,
Sou tua ânsia, náusea de afetos,
E querer me querer não é o suficiente.
Meu corpo e minha palavra te perturbam,
Associados, são perigosos, seduzem pelo asco,
E os quereres não têm fim,
São como minha tolice.
Te quis demais, bem demais. Cedo demais.
Sou tua mosca, ou era, não sei,
Existir no tempo é falho,
Promessas de eternidade parceladas em caos,
Tudo é caos, erro e dor.
Sou tua mosca enfim,
Barulho sistemático e conhecido (Atroz, alienando
Tudo vejo, 360, e me suprimo teus sentidos)
Em prisma mórbido e furta-cor,
Virei apenas mais um degradé teu,
Quando tu me apertasse na tua mão,
Enquanto meu líquido escorria do corpo,
Gemidos em castelho, em falso falsete.
Uma mosca que pia.
Tu me apertasse, me prendesse, e me extinguisse,
A moda não perdoa cores que não tem nome, exílio,
E eu, sendo prismático e astral,
Sou todas as cores que o homem não conhece.
Canções de Apoteose
I
Eu, sendo vossa Gaia,
Terra, seio e chão,
Vos ensino minha língua,
Léxico rico em prazeres,
Polissemia e ambiguidades.
Vós, seres apolíneos solares,
São Zéfiro, e algum outro deus antigo,
Filho de Hecate.
Aos poucos, vós adentrais meu panteão.
Um deus pequeno,
E o outro sob véus e sóis,
Se alimentam de minha dialética,
E eu, pacificada, me rendo.
Sou mãe, sendo também amante,
Tua Jocasta, tua Medeia também.
E não há Calisto que vença a minha voz.
Sou a voz dos tempos.
Eu, sendo raiz e tronco,
Não me faço caule nem flor,
Seiva que se esconde sob minha língua,
Eu vos beijo e vós viveis.
Assim.
Eu, sendo raiz e tronco,
Sou tão antiga quanto a primeira voz,
Conhecendo cada pedra e córrego,
Vos ensinando pelo riso e pelo cínico,
Os quais me pertencem em absoluto.
II
Poesia e liberdade não se ensinam,
Mas eu, em teimosia geológica,
Tento fluir em vos, me fazendo em água,
Barro que dá vida, de gosto acre.
Não me respirem, seres etéreos,
Sou pesada e feita de ósmio,
Quase miasmática,
Mas convosco fodo, mundana, comum,
Tornando o ar em pedra,
Derrubando, deslize, desfiladeiro de mim.
E tu, carvalho que me enraiza,
Só bastou me olhar,
E eu já abaixei minhas pedras,
E teus axiomas me transpassaram.
III
Consumo vossas belezas,
Miudezas morfológicas que me agradam,
E que me poemam.
Meu sangue não ferve,
Pétreo, górgona dos seus encantos sombrios,
Teus Perseus fazem-me Penélope,
Costurando artérias ao invés de me tornar Circe.
IV
Possuo, enfim, metafísica imantada,
Transpiro em versos e sonho mundos,
Minha palavra é criação,
E o meu poema é elemento primordial.
Onde piso novas flores brotam,
E pelo movimento das minhas mãos nascem rios,
Canto, e surge pássaros astrais,
Desejo, e vós surgis.
A matéria aquiesce minhas vontades,
Sou primordial,
Mais antiga que o Sol,
Por isso, vocês, Apolos,
Me amam antes, e me amam melhor.
domingo, 25 de agosto de 2013
Padroeiro
Padroeiro
Meu coração sabe tudo,
Minha boca não diz nada,
Caravana de mistérios,
Me acorda até de madrugada.
Som noturno sibilante,
Silva na noite estrelada,
Teu riso, astro sombrio,
És tão belo que me mata.
Teus olhos, verde açoite,
Se espalhando em meu quintal,
Teu sorriso, flor na pedra,
Do meu cinismo matinal.
Chegastes como a luz do dia,
Fazendo orvalho, que prazer,
Soltando teu carinho morno,
No canto rouco do meu ser.
E a voz do santo me indagando,
O que é que eu tô esperando,
Só na rede sem teu calor.
São Francisco sabe tudo,
Me entende até demais,
Sabe que eu te desejo agora,
Padroeiro dos animais.
Amor sereno e louco,
Te desejo quase pouco,
E te amo até demais.
Meu coração sabe tudo,
Minha boca não diz nada,
Caravana de mistérios,
Me acorda até de madrugada.
Som noturno sibilante,
Silva na noite estrelada,
Teu riso, astro sombrio,
És tão belo que me mata.
Teus olhos, verde açoite,
Se espalhando em meu quintal,
Teu sorriso, flor na pedra,
Do meu cinismo matinal.
Chegastes como a luz do dia,
Fazendo orvalho, que prazer,
Soltando teu carinho morno,
No canto rouco do meu ser.
E a voz do santo me indagando,
O que é que eu tô esperando,
Só na rede sem teu calor.
São Francisco sabe tudo,
Me entende até demais,
Sabe que eu te desejo agora,
Padroeiro dos animais.
Amor sereno e louco,
Te desejo quase pouco,
E te amo até demais.
sábado, 13 de julho de 2013
If my beloved could only hear this song, this aqua, saturnian hum that echos through the wind... The melody of my own soul, thus. You, my friends, shall spread this song, as birds in his terrace, and make him hear, and grasp, why my heart sings so. For him, only for him, for as much as I breathe, every exhalation will be in his favor.
And I shall sing, breathe, and wait, and become air, and life. Because I´m under a black and old magic called love. Why? That doesn´t concerns me anymore. Life walked and overwhelmed me, and I stand, alone, in the dawn.
domingo, 23 de junho de 2013
A Kiss in the rain
A kiss in the rain,
It´s a Frank Sinatra´s day,
As we silently don´t speak,
To San Francisco we pray.
We walked at the beach,
Longing for an endless sidewalk,
Hands that touch themselves with no reason,
As we forget every clock.
We fear life itself,
Cause it´s so dangerous to live,
When you have someone to live with.
When it rains I kiss you,
So I dance to provoke storms,
Lightining that roses my heart,
Bringing to me cloud, light and more,
Let´s fall in love,
Like a bolt that strikes the sky,
Drifting water by gravity.
Flowers bloom as we touch,
When we dive in, life,
We die young, do not cry,
Sing Porter with me,
And let´s become earth,
So new flowers could rose by.
quarta-feira, 12 de junho de 2013
Poema do Ululu(lululu)
Poema do Ululu(lululu)
Lurcila lúcida lula,
Ululando o inululável,
Lúgubre lume lúmen,
Luciferando lâmbdas lanhas.
Locais lombrosos, losts,
Lendo lácias lixívias,
Lambendo lécios loucos,
Langanhas de lápides.
Lembro Latívia, linha,
Lobos literais,
Ladeiras, lindas,
Lituânia, lesa e leniente.
Lume, lama,
Lhama loura,
Louros e loiros,
Lauras e lauros,
Laurentos laqueados.
Leque liso.
Levei, lindamente,
Lindeza, lábia,
Lepra, lombra,
Lúcios e Lênios,
Leoninos legais lerás.
Lábios, lontras, lentes,
Loquazes labaredas,
Litro, lambida,
Lírios lilases locais.
Ou apenas Ulululululululululu.
Cthulhu.
Oh, Darlings...
Oh, Darlings...
Caligrafo, talvez, pelo tédio,
Mitigando o vazio,
Dançando no escuro,
Pois toda luz é difusa
E eu sou trevas, denso.
As sombras abraçam meus membros,
Aliterando o inaliterável,
Frustração dos escribas abortados,
Pois o eco dos outros é um espelho falso.
Mas danço e escrevo,
Teimando em irradiar beleza,
Poesias que desvanecem ao toque, efêmeras,
Leitura solta dos bestas.
Baixio das inconformidades,
Às vezes eu espremo as pedras,
Meu bumbo também, sendo pedra,
Sincopa o inritmável,
Mavioso engano dos bois.
Ofensa minha, honra tua,
Leia apenas se não tiver nada melhor,
Não se ofenda com minhas verdades,
Elas são apenas minhas,
Amarguei que nem café,
Por saber que sou pó.
E à ele voltarei, cheirando apenas cangotes,
Regionalismo que me sobra,
Universalidade que me volta em dó,
Menor.
Para Nitx.
Caligrafo, talvez, pelo tédio,
Mitigando o vazio,
Dançando no escuro,
Pois toda luz é difusa
E eu sou trevas, denso.
As sombras abraçam meus membros,
Aliterando o inaliterável,
Frustração dos escribas abortados,
Pois o eco dos outros é um espelho falso.
Mas danço e escrevo,
Teimando em irradiar beleza,
Poesias que desvanecem ao toque, efêmeras,
Leitura solta dos bestas.
Baixio das inconformidades,
Às vezes eu espremo as pedras,
Meu bumbo também, sendo pedra,
Sincopa o inritmável,
Mavioso engano dos bois.
Ofensa minha, honra tua,
Leia apenas se não tiver nada melhor,
Não se ofenda com minhas verdades,
Elas são apenas minhas,
Amarguei que nem café,
Por saber que sou pó.
E à ele voltarei, cheirando apenas cangotes,
Regionalismo que me sobra,
Universalidade que me volta em dó,
Menor.
Para Nitx.
Pain and Glow
Pain and Glow
May it be
We´ll dance in May,
When the white flowers bloom,
Crossing fields of sugar cane.
The time might pass,
And we stay gloom,
But I still glance at the past,
Searching mistakes too.
Wicked soul of my,
Feat not to become foul,
Valet of my ever fantasy,
Blue eyes that curse my soul.
I get lost in the melody
Which my heart sings so,
As salts come by the axis,
Fluids drift in the vine flow.
Blood of me run through your veins,
For I said right the words,
Ancient power of forgotten ages,
Pool of souls we dive, gaze,
I stain your purity
With my underdark soul.
My desire burns as a green flame,
Curruption that spreads, Oh,
When I silent call your name,
I become pain and glow.
May it be
We´ll dance in May,
When the white flowers bloom,
Crossing fields of sugar cane.
The time might pass,
And we stay gloom,
But I still glance at the past,
Searching mistakes too.
Wicked soul of my,
Feat not to become foul,
Valet of my ever fantasy,
Blue eyes that curse my soul.
I get lost in the melody
Which my heart sings so,
As salts come by the axis,
Fluids drift in the vine flow.
Blood of me run through your veins,
For I said right the words,
Ancient power of forgotten ages,
Pool of souls we dive, gaze,
I stain your purity
With my underdark soul.
My desire burns as a green flame,
Curruption that spreads, Oh,
When I silent call your name,
I become pain and glow.
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